Propriedades fotoluminescentes do YAG:Tb em baixa temperatura para aplicação em termometria óptica

Mestre: Messias Zacarias Santos de Lima / Orientação: Prof. Dr. David Vieira

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Documento PDF (7.9MB)
                    ‭UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS‬
‭INSTITUTO DE FÍSICA‬
‭PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO‬

‭MESSIAS ZACARIAS SANTOS DE LIMA‬

‭Propriedades fotoluminescentes do YAG:Tb em‬
‭baixa temperatura para aplicação em termometria‬
‭óptica‬

‭Maceió, Alagoas, Brasil‬
‭2025‬

‭MESSIAS ZACARIAS SANTOS DE LIMA‬

‭Propriedades fotoluminescentes do YAG:Tb em‬
‭baixa temperatura para aplicação em termometria‬
‭óptica‬

‭Dissertação‬ ‭apresentada‬ ‭como‬ ‭requisito‬
‭para obtenção do título de mestre em física.‬
‭Orientador:‬ ‭Professor‬ ‭Dr.‬ ‭David‬ ‭Vieira‬
‭Sampaio‬

‭Maceió, Alagoas, Brasil.‬
‭2025‬

Catalogação na Fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecário: Betânia Almeida dos Santos – CRB-4 – 1542
L732p

Lima, Messias Zacarias Santos de.
Propriedades fotoluminescentes do YAG:Tb em baixa temperatura para
aplicação em termometria óptica / Messias Zacarias Santos de Lima. – 2025.
115 f. : il.
Orientador: David Vieira Sampaio.
Dissertação (Mestrado em Física) – Universidade Federal de Alagoas.
Instituto de Física. Maceió, 2025.
Bibliografia: f. 71-85.
Apêndices: f. 86-115.
1. Termometria óptica . 2. Luminescência. 3.YAG. I. Título.
CDU: 535.37

PARECER DA BANCA EXAMINADORA DE DEFESA DE
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

“Propriedades fotoluminescentes do YAG:Tb em baixa
temperatura para aplicação em termometria óptica ”
por

Messias Zacarias Santos de Lima
A Banca Examinadora composta pelos professores David Vieira Sampaio, como
presidente da banca examinadora e orientador, do Instituto de Física da Universidade Federal
de Alagoas; André de Lima Moura, do Instituto de Física da Universidade Federal de Alagoas e
Ronaldo Santos da Silva, da Universidade Federal de Sergipe, consideram o candidato
aprovado.

Maceió, 13 de março de 2025.

Prof. Dr. David Vieira Sampaio

Prof. Dr. André de Lima Moura

Prof. Dr. Ronaldo Santos da Silva

‭AGRADECIMENTOS‬
‭Agradeço‬ ‭a‬ ‭minha‬ ‭família,‬ ‭minha‬ ‭mãe‬ ‭Leni‬ ‭e‬ ‭meu‬ ‭pai‬ ‭José‬ ‭Messias‬ ‭por‬ ‭terem‬
‭possibilitado‬‭eu‬‭ir‬‭a‬‭universidade,‬‭a‬‭minha‬‭irmã‬‭Lalini.‬‭Aos‬‭meus‬‭primos‬‭e‬‭aos‬‭meus‬‭tios,‬‭em‬
‭especial‬‭a‬‭minha‬‭tia‬‭Cida,‬‭por‬‭seu‬‭carinho‬‭e‬‭seus‬‭conselhos.‬‭A‬‭minha‬‭namorada‬‭Nathália,‬‭por‬
‭sua parceria, paciência e carinho.‬
‭Ao‬‭Telegram,‬‭Google,‬‭Youtube,‬‭youtubers‬‭e‬‭criadores‬‭de‬‭conteúdo,‬‭pessoal‬‭dos‬‭fóruns‬
‭da‬‭internet,‬‭Libgen,‬‭Sci-Hub‬‭e‬‭todas‬‭as‬‭outras‬‭iniciativas‬‭privadas‬‭de‬‭acesso‬‭livre‬‭e‬‭gratuitas‬
‭aos‬‭usuários,‬‭pela‬‭divulgação‬‭e‬‭democratização‬‭do‬‭conhecimento,‬‭e‬‭por‬‭muitas‬‭vezes‬‭fazerem‬
‭mais pela educação no Brasil do que o próprio ministério da educação e do que os governos.‬
‭A‬ ‭família‬ ‭da‬ ‭Nathalia‬ ‭pelas‬ ‭resenhas,‬ ‭principalmente‬ ‭no‬ ‭RU,‬ ‭a‬ ‭minha‬ ‭cunhada‬
‭favorita‬ ‭Samara,‬ ‭e‬‭as‬‭não‬‭tão‬‭favoritas‬‭assim:‬‭Sarah,‬‭Izabel‬‭e‬‭Thâmara,‬‭ao‬‭meu‬‭concunhado‬
‭favorito‬‭Davi‬‭e‬‭também‬‭ao‬‭grande‬‭Galbinho‬‭e‬‭ao‬‭Alysson,‬‭pela‬‭resenha‬‭nas‬‭poucas‬‭vezes‬‭que‬
‭o vi. E não poderia esquecer do meu cunhado Lucas.‬
‭Aos‬ ‭Cavaleiros‬ ‭Peaky‬ ‭Blinders‬ ‭Augusto‬ ‭e‬ ‭Lucas‬ ‭pela‬ ‭companhia,‬ ‭resenha,‬
‭presepadas, conselhos, troca de experiências e pelos Bitcoins.‬
‭Aos‬‭caras‬‭da‬‭Fúria‬‭Fight‬‭também‬‭pelas‬‭resenhas‬‭e‬‭por‬‭terem‬‭me‬‭acolhido,‬‭em‬‭especial‬
‭agradeço‬‭ao‬‭sensei‬‭Wilker,‬‭pelas‬‭conversas‬‭construtivas‬‭e‬‭por‬‭tentar‬‭fazer‬‭eu‬‭voltar‬‭a‬‭equipe.‬
‭E também ao Kleyton, Big Kekões, pelas conversas e pelas idas ao RU.‬
‭Aos‬ ‭caras‬ ‭do‬ ‭IFAL‬ ‭por‬ ‭tudo‬ ‭vivido‬ ‭durante‬ ‭o‬ ‭ensino‬ ‭médio,‬ ‭em‬ ‭especial‬ ‭os‬ ‭que‬
‭consigo‬ ‭manter‬ ‭contato.‬ ‭Wesley,‬‭Gabriel‬‭Melo,‬‭João,‬‭Becker,‬‭Edwelton,‬‭Mateus,‬‭Geovanne,‬
‭Vitor Cândido e o chaninha Vitor Gabriel.‬
‭A galera que participou das trilhas, Mateus, Geovanne, Wesley, Edwelton e João.‬
‭Ao‬ ‭Edwelton,‬‭por‬‭tentar‬‭fazer‬‭eu‬‭voltar‬‭aos‬‭treinos,‬‭pelas‬‭conversas,‬‭conselhos‬‭e‬‭por‬
‭tentar me incentivar a inovar e meter o louco na vida.‬
‭Ao‬ ‭Samuel,‬ ‭que‬ ‭esteve‬ ‭comigo‬ ‭desde‬ ‭antes‬ ‭do‬ ‭IFAL‬ ‭até‬‭uma‬‭boa‬‭parte‬‭do‬‭curso‬‭de‬
‭física,‬ ‭mas‬‭que‬‭felizmente‬‭teve‬‭uma‬‭oportunidade‬‭melhor‬‭e‬‭trancou‬‭o‬‭curso,‬‭agora‬‭tá‬‭de‬‭volta‬
‭pra concluir a jornada de físico.‬
‭Aos‬ ‭meus‬ ‭colegas‬ ‭de‬ ‭curso‬ ‭da‬ ‭graduação,‬ ‭em‬ ‭especial‬ ‭a‬ ‭Eloísa,‬ ‭por‬‭ter‬‭me‬‭ajudado‬
‭bem‬‭muito‬‭durante‬‭o‬‭curso.‬‭O‬‭Jordan‬‭pelos‬‭Bisu‬‭antes‬‭das‬‭provas‬‭e‬‭ao‬‭Badú,‬‭Airton‬‭e‬‭Rayssa‬
‭por‬ ‭sofrerem‬‭junto‬‭comigo‬‭durante‬‭todo‬ ‭o‬‭curso,‬‭e‬‭todos‬‭os‬‭outros‬‭alunos‬‭do‬‭instituto,‬‭pelo‬
‭apoio e pelas palhaçadas nos corredores.‬
‭Aos‬‭meninos‬‭de‬‭Arapiraca,‬‭o‬‭Minino‬‭Excelente‬‭Rodrigo,‬‭o‬‭Mestre‬‭Pedro,‬‭o‬‭Homi‬‭do‬
‭Agreste Daniel e o Grande Célio, por toda resenha e parceria e amizade.‬

‭Ao‬ ‭professor‬ ‭André‬ ‭e‬ ‭aos‬ ‭seus‬ ‭mininos‬ ‭pela‬ ‭experiência‬ ‭e‬ ‭pela‬ ‭resenha‬ ‭na‬
‭organização da SBPMAT e no Workshop da pós graduação.‬
‭Aos‬ ‭meus‬ ‭colegas‬ ‭da‬ ‭pós,‬ ‭Joana,‬ ‭Badú‬ ‭e‬ ‭Airton,‬ ‭que‬ ‭salvaram‬ ‭meu‬ ‭couro‬ ‭nas‬
‭disciplinas,‬ ‭ao‬‭meu‬‭Ken‬‭favorito‬‭Miquéias,‬‭pela‬‭ajuda‬‭dada‬‭no‬‭graduação‬‭e‬‭no‬‭mestrado,‬‭ao‬
‭Soldado‬‭Airton,‬‭ao‬‭meu‬‭amigo‬‭de‬‭longa‬‭data‬‭Ronald,‬‭ao‬‭cara‬‭que‬‭vai‬‭botar‬‭pra‬‭F*D*R‬‭👉👉‬
‭Nícolas,‬ ‭ao‬ ‭meu‬ ‭presidente‬ ‭Adenilson,‬ ‭ao‬ ‭Flávio,‬ ‭Denisson,‬ ‭Melquisedeque‬ ‭e‬ ‭a‬ ‭todos‬ ‭os‬
‭outros que compartilharam momentos de alegria comigo.‬
‭Ao‬‭meu‬‭amigo‬‭Jonatha,‬‭pelas‬‭conversas‬‭e‬‭por‬‭ter‬‭visto‬‭surgir‬‭o‬‭Meme‬‭do‬‭Sorvetinho‬
‭de Morango Silvestre KKKKKKKKKKKKKKK.‬
‭A‬ ‭galera‬ ‭do‬ ‭Norte-Nordeste‬ ‭(EFNNE),‬ ‭ao‬ ‭Carlos,‬ ‭Joana,‬ ‭Marcelo,‬ ‭A‬ ‭Samilla,‬ ‭que‬
‭organiza‬‭tudo‬‭com‬‭décadas‬‭de‬‭antecedência,‬‭Adelmo,‬‭Ismael,‬‭Julia,‬ ‭Denilson‬‭Denden,‬‭Alex,‬
‭Laura‬ ‭e‬ ‭Katiele.‬ ‭Valeu‬ ‭também‬ ‭pelo‬ ‭estoque‬ ‭de‬ ‭comida‬ ‭baseado‬ ‭em‬ ‭Coffee-Break‬
‭KKKKKKKK.‬
‭A‬ ‭galera‬ ‭da‬ ‭expofísica‬ ‭2024,‬ ‭professora‬ ‭Tereza,‬ ‭por‬ ‭gerenciar‬ ‭tão‬ ‭bem‬‭o‬‭evento‬‭e‬‭a‬
‭professora‬‭Socorro,‬‭a‬‭Joana,‬‭Carlos,‬‭o‬‭Einstein‬‭do‬‭Einstein-verso‬‭Jefferson,‬‭O‬‭Epstein‬‭Kauã,‬
‭o‬ ‭P.‬ ‭Diddy‬ ‭e‬ ‭cisco‬ ‭Francisco,‬ ‭Edna,‬ ‭Adelmo,‬ ‭Rick,‬ ‭A‬ ‭mulher‬ ‭que‬ ‭descobriu‬ ‭as‬ ‭reações‬
‭nucleares‬‭Jennifer‬‭e‬‭o‬‭Lendário‬‭Luciano,‬‭patrimônio‬‭Histórico‬‭do‬‭IF‬‭e‬‭motor‬‭das‬‭Expofísicas.‬
‭E a todo mundo que participou e resenhou nesse evento.‬
‭Ao Rafael, por toda resenha, colaboração, parceria e Reggae durante esse tempo.‬
‭A Amanda e Franciele, pela resenha nos laboratórios enquanto estiveram em Maceió.‬
‭Aos‬‭meus‬‭colegas‬‭de‬‭laboratório,‬‭por‬‭toda‬‭resenha‬‭e‬‭palhaçada‬‭nos‬‭laboratórios,‬‭JCH,‬
‭João‬‭Carlos‬‭Henrique‬‭do‬‭Reggae,‬‭Fernando,‬‭Antônio‬‭e‬‭o‬‭mais‬‭recente‬‭João‬‭Vitor.‬‭E‬‭aos‬‭meus‬
‭Ex-colegas‬ ‭de‬ ‭laboratório,‬ ‭Jhonata,‬ ‭Marcelinho‬ ‭e‬‭Dalmo‬‭pelas‬‭alegrias‬‭vividas‬‭durante‬‭esse‬
‭tempo.‬
‭Ao‬ ‭pessoal‬ ‭do‬ ‭GDFI,‬ ‭em‬ ‭especial‬ ‭o‬ ‭Alysson‬ ‭(XANDÃUM)‬ ‭e‬ ‭professor‬ ‭Marcos‬
‭Vemelho,‬ ‭por‬ ‭me‬ ‭ajudarem‬ ‭a‬ ‭desenvolver‬ ‭minha‬ ‭pesquisa‬ ‭e‬ ‭por‬‭resolverem‬‭os‬‭pepinos‬‭que‬
‭aparecem nos laboratórios e no prédio. E também a Dona Eliege, por alegrar o prédio.‬
‭Agradeço‬‭principalmente‬‭ao‬‭professor‬‭David,‬‭o‬‭“painho”‬‭kkkkkkkk,‬‭por‬‭acreditar‬‭em‬
‭mim‬ ‭e‬ ‭por‬ ‭acreditar‬ ‭que‬ ‭seria‬ ‭possível‬ ‭a‬ ‭realização‬ ‭deste‬ ‭trabalho,‬ ‭por‬ ‭ter‬ ‭paciência‬ ‭pra‬
‭aguentar minha desorganização, e tentar de forma voraz mudar isso kkkkkkkk.‬
‭Agradeço‬ ‭ao‬ ‭professor‬‭Ronaldo‬‭Silva‬‭pela‬‭colaboração‬‭e‬‭também‬‭ao‬‭professor‬‭Jerre,‬
‭pela colaboração e por ter cedido as amostras.‬
‭Ao‬ ‭professor‬ ‭Guilherme,‬ ‭pelo‬ ‭curso‬ ‭de‬ ‭Quântica‬ ‭e‬ ‭por‬ ‭ter‬ ‭feito‬ ‭eu‬ ‭fazer‬ ‭caligrafia‬
‭kkkkkkkkk.‬ ‭Ao‬ ‭professor‬ ‭Vinícius,‬ ‭pelo‬ ‭curso‬ ‭de‬ ‭Mecânica‬ ‭Estatística,‬ ‭ao‬ ‭professor‬ ‭Iram‬

‭pelo‬ ‭curso‬ ‭de‬ ‭Eletrodinâmica,‬ ‭ao‬ ‭professor‬ ‭André‬ ‭pelo‬ ‭curso‬ ‭de‬ ‭Óptica‬ ‭Não‬ ‭Linear‬ ‭e‬ ‭ao‬
‭professor David e professora Anielle pelo curso de Técnicas de caracterização.‬
‭A‬ ‭coordenação‬ ‭do‬ ‭curso‬‭de‬‭física‬‭bacharelado‬‭e‬‭a‬‭direção‬‭do‬‭instituto‬‭de‬‭física,‬‭pela‬
‭eficiência e suporte aos alunos.‬
‭Ao CNPq e a CAPES pelo auxílio financeiro.‬
‭Por‬ ‭fim,‬ ‭a‬ ‭todos‬ ‭aqueles‬ ‭que‬ ‭me‬ ‭proporcionaram‬ ‭momentos‬ ‭de‬ ‭alegria,‬ ‭ou‬ ‭me‬
‭orientaram de alguma forma, durante minha formação acadêmica.‬

‭“No código do guerreiro‬
‭Não há rendição‬
‭Embora seu corpo diga: “pare”‬
‭Seu espírito grita: “NUNCA!”‬
‭No fundo de nossa alma‬
‭Há uma brasa silenciosa‬
‭Ela sabe que é você contra você‬
‭É o paradoxo que nos guia‬
‭É uma batalha de vontades‬
‭No calor do ataque‬
‭É a paixão que mata‬
‭A vitória é só sua”‬
‭Burning Heart, Survivor. (Rocky IV)‬

‭YEAH BUDDY!!!!!!!!!!‬
‭RONNIE COLLEMAN‬

‭Resumo‬
‭A‬ ‭granada‬ ‭de‬ ‭ítrio-alumínio‬ ‭(Y₃Al₅O₁₂)‬ ‭ou‬ ‭YAG,‬ ‭é‬ ‭um‬ ‭material‬ ‭cerâmico‬ ‭com‬
‭estrutura‬ ‭cristalina‬ ‭cúbica.‬ ‭Algumas‬ ‭de‬ ‭suas‬ ‭características‬ ‭incluem‬ ‭estabilidade‬ ‭térmica,‬
‭dureza,‬‭resistência‬‭mecânica‬‭e‬‭boa‬‭durabilidade.‬‭O‬‭íon‬‭(Y³⁺)‬‭é‬‭opticamente‬‭inativo,‬‭mas‬‭pode‬
‭ser‬ ‭facilmente‬ ‭substituído‬ ‭por‬ ‭outros‬ ‭cátions‬ ‭de‬ ‭terras‬ ‭raras,‬ ‭dando‬ ‭ao‬ ‭YAG‬ ‭propriedades‬
‭ópticas‬ ‭interessantes‬ ‭e‬ ‭várias‬ ‭aplicações.‬‭Por‬‭exemplo,‬‭YAG:Nd‬‭é‬‭amplamente‬‭utilizado‬‭em‬
‭lasers‬ ‭de‬ ‭estado‬ ‭sólido,‬ ‭popular‬ ‭na‬ ‭medicina‬ ‭(cirurgia‬ ‭ocular,‬ ‭dermatologia),‬ ‭na‬ ‭indústria‬
‭(corte‬ ‭e‬ ‭soldagem‬ ‭de‬ ‭metais)‬ ‭e‬ ‭há‬ ‭alguns‬ ‭trabalhos‬ ‭recentes‬ ‭investigando‬ ‭seu‬ ‭uso‬ ‭como‬
‭nanotermômetro‬ ‭luminescente.‬ ‭A‬ ‭termometria‬ ‭luminescente‬ ‭explora‬ ‭a‬ ‭dependência‬ ‭térmica‬
‭da‬ ‭luminescência‬ ‭a‬ ‭fim‬ ‭de‬ ‭estimar‬ ‭a‬ ‭temperatura.‬ ‭Essa‬ ‭técnica‬ ‭de‬ ‭medição,‬ ‭devido‬ ‭a‬ ‭sua‬
‭característica‬ ‭de‬‭não‬‭contato,‬‭é‬‭promissora‬‭para‬‭medição‬‭de‬‭temperatura‬‭em‬‭ambientes‬‭onde‬
‭sensores‬ ‭convencionais‬ ‭são‬ ‭inviáveis,‬ ‭como‬ ‭em‬ ‭sistemas‬ ‭criogênicos,‬ ‭pequenos‬ ‭sistemas‬
‭biológicos‬ ‭e‬ ‭dispositivos‬ ‭eletrônicos‬ ‭miniaturizados.‬ ‭Este‬ ‭trabalho‬ ‭investiga‬ ‭o‬ ‭potencial‬ ‭do‬
‭YAG:Tb‬‭(granada‬‭de‬‭ítrio-alumínio‬‭dopada‬‭com‬‭térbio)‬‭como‬‭termômetro‬‭óptico‬‭para‬‭baixas‬
‭temperaturas,‬ ‭analisando‬ ‭suas‬ ‭propriedades‬ ‭espectroscópicas‬ ‭via‬ ‭fotoluminescência‬ ‭e‬
‭espectroscopia‬ ‭Raman‬ ‭na‬ ‭faixa‬ ‭de‬ ‭20‬ ‭a‬ ‭320‬ ‭K.‬ ‭Foram‬ ‭estudadas‬ ‭amostras‬ ‭com‬ ‭diferentes‬
‭concentrações‬ ‭de‬ ‭Tb³⁺‬ ‭(0,5,‬ ‭1‬ ‭e‬ ‭2%,‬ ‭em‬ ‭mol).‬ ‭Foram‬ ‭testados‬‭diversos‬‭tipos‬‭de‬‭parâmetros‬
‭termométricos‬‭baseados‬‭nas‬‭razões‬‭entre‬‭picos,‬‭áreas,‬‭e‬‭picos‬‭com‬‭áreas.‬‭De‬‭um‬‭total‬‭de‬‭666‬
‭combinações‬ ‭para‬ ‭cada‬ ‭amostra,‬ ‭foram‬ ‭selecionadas‬ ‭9‬‭para‬‭uma‬‭análise‬‭mais‬‭detalhada.‬‭Os‬
‭resultados‬ ‭demonstraram‬ ‭boa‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa,‬ ‭com‬ ‭destaque‬ ‭para‬ ‭a‬ ‭razão‬‭entre‬‭picos.‬
‭As‬ ‭máximas‬ ‭sensibilidades‬ ‭relativas‬ ‭para‬ ‭as‬ ‭concentrações‬ ‭de‬ ‭0,5,‬ ‭1‬‭e‬‭2‬‭%‬‭de‬‭Tb‬‭foram‬‭de‬
‭4,7,‬‭2,9‬‭e‬‭4,6%‬‭K⁻¹,‬‭respectivamente.‬‭Além‬‭disso,‬‭a‬‭espectroscopia‬‭Raman‬‭revelou‬‭a‬‭presença‬
‭de‬ ‭impurezas‬ ‭de‬ ‭Nd³⁺,‬ ‭permitindo‬ ‭a‬‭exploração‬‭de‬‭sua‬‭luminescência‬‭como‬‭um‬‭termômetro‬
‭óptico‬ ‭secundário.‬ ‭A‬ ‭análise‬ ‭espectral‬ ‭do‬ ‭Nd³⁺‬ ‭resultou‬ ‭na‬ ‭identificação‬ ‭de‬ ‭18‬ ‭parâmetros‬
‭com‬ ‭sensibilidade‬‭relativa‬‭superior‬‭a‬‭2‬‭%K⁻¹,‬‭incluindo‬‭um‬‭valor‬‭máximo‬‭de‬‭7,5‬‭%K⁻¹‬‭a‬‭22‬
‭K.‬ ‭Os‬ ‭dados‬ ‭obtidos‬ ‭indicam‬ ‭que‬ ‭tanto‬ ‭o‬ ‭YAG:Tb‬ ‭quanto‬ ‭a‬ ‭luminescência‬ ‭do‬ ‭Nd³⁺‬ ‭são‬
‭promissores‬ ‭para‬ ‭aplicações‬ ‭em‬ ‭termometria‬ ‭óptica‬ ‭em‬ ‭baixas‬ ‭temperaturas,‬ ‭oferecendo‬
‭alternativas viáveis para sensores térmicos não invasivos e de alta precisão.‬

‭Palavras chave: Termometria óptica, Luminescência, YAG.‬

‭Abstract‬
‭Yttrium‬ ‭aluminum‬ ‭garnet‬ ‭(YAG,‬ ‭Y₃Al₅O₁₂)‬ ‭is‬ ‭a‬ ‭ceramic‬ ‭material‬ ‭with‬ ‭a‬ ‭cubic‬
‭crystalline‬ ‭structure.‬ ‭Some‬ ‭of‬ ‭its‬ ‭characteristics‬ ‭include‬ ‭thermal‬ ‭stability,‬ ‭hardness,‬
‭mechanical‬‭resistance,‬‭and‬‭high‬‭durability.‬‭The‬‭Y³⁺‬‭ion‬‭is‬‭optically‬‭inactive‬‭but‬‭can‬‭be‬‭easily‬
‭replaced‬‭by‬‭other‬‭rare-earth‬‭cations,‬‭granting‬‭YAG‬‭interesting‬‭optical‬‭properties‬‭and‬‭various‬
‭applications.‬ ‭For‬ ‭instance,‬ ‭YAG:Nd‬ ‭is‬ ‭widely‬ ‭used‬ ‭in‬ ‭solid-state‬ ‭lasers,‬ ‭being‬ ‭popular‬ ‭in‬
‭medicine‬‭(ocular‬‭surgery,‬‭dermatology)‬‭and‬‭industry‬‭(metal‬‭cutting‬‭and‬‭welding),‬‭with‬‭recent‬
‭studies‬ ‭also‬ ‭exploring‬ ‭its‬ ‭use‬‭as‬‭a‬‭luminescent‬‭nanothermometer.‬‭Luminescent‬‭thermometry‬
‭relies‬ ‭on‬ ‭the‬ ‭thermal‬ ‭dependence‬ ‭of‬ ‭luminescence‬ ‭to‬ ‭estimate‬ ‭temperature.‬ ‭Due‬ ‭to‬ ‭its‬
‭non-contact‬ ‭nature,‬ ‭this‬ ‭measurement‬ ‭technique‬ ‭is‬ ‭particularly‬ ‭promising‬ ‭for‬ ‭temperature‬
‭sensing‬ ‭in‬ ‭environments‬ ‭where‬ ‭conventional‬ ‭sensors‬ ‭are‬ ‭impractical,‬ ‭such‬ ‭as‬ ‭cryogenic‬
‭systems,‬ ‭small‬ ‭biological‬ ‭structures,‬ ‭and‬ ‭miniaturized‬ ‭electronic‬ ‭devices.‬ ‭This‬ ‭study‬
‭investigates‬ ‭the‬ ‭potential‬ ‭of‬ ‭YAG:Tb‬ ‭(yttrium‬ ‭aluminum‬ ‭garnet‬ ‭doped‬ ‭with‬ ‭terbium)‬ ‭as‬ ‭an‬
‭optical‬ ‭thermometer‬ ‭for‬ ‭low‬ ‭temperatures,‬ ‭analyzing‬ ‭its‬ ‭spectroscopic‬ ‭properties‬ ‭via‬
‭photoluminescence‬ ‭and‬ ‭Raman‬‭spectroscopy‬‭in‬‭the‬‭20–320‬‭K‬‭range.‬‭Samples‬‭with‬‭different‬
‭Tb³⁺‬ ‭concentrations‬ ‭(0.5%,‬ ‭1%,‬ ‭and‬ ‭2%,‬ ‭in‬ ‭mol)‬ ‭were‬ ‭examined.‬ ‭Various‬ ‭thermometric‬
‭parameters‬ ‭were‬ ‭tested,‬ ‭including‬ ‭intensity‬ ‭ratios‬ ‭between‬ ‭peaks,‬ ‭areas,‬ ‭and‬ ‭peak-area‬
‭combinations.‬ ‭From‬ ‭a‬ ‭total‬ ‭of‬ ‭666‬ ‭combinations‬ ‭per‬ ‭sample,‬ ‭nine‬‭were‬‭selected‬‭for‬‭a‬‭more‬
‭detailed‬ ‭analysis.‬ ‭The‬ ‭results‬ ‭demonstrated‬ ‭good‬ ‭relative‬ ‭sensitivity,‬ ‭with‬ ‭emphasis‬ ‭on‬ ‭the‬
‭intensity‬ ‭peak‬ ‭ratios.‬ ‭The‬ ‭maximum‬ ‭relative‬ ‭sensitivities‬ ‭for‬ ‭the‬ ‭0.5%,‬ ‭1%,‬ ‭and‬ ‭2%‬ ‭Tb‬
‭concentrations‬‭were‬‭4.7,‬‭2,.9,‬‭and‬‭4.6%‬‭K⁻¹,‬‭respectively.‬‭Additionally,‬‭Raman‬‭spectroscopy‬
‭revealed‬ ‭the‬ ‭presence‬ ‭of‬ ‭Nd³⁺‬ ‭impurities,‬ ‭enabling‬ ‭the‬ ‭exploration‬ ‭of‬ ‭its‬ ‭luminescence‬‭as‬‭a‬
‭secondary‬ ‭optical‬ ‭thermometer.‬ ‭The‬ ‭spectral‬ ‭analysis‬ ‭of‬ ‭Nd³⁺‬ ‭led‬‭to‬‭the‬‭identification‬‭of‬‭18‬
‭parameters‬ ‭with‬ ‭relative‬‭sensitivities‬‭exceeding‬‭2‬‭%‬‭K⁻¹,‬‭including‬‭a‬‭maximum‬‭value‬‭of‬‭7.5‬
‭%K⁻¹‬ ‭at‬ ‭22‬ ‭K.‬ ‭The‬ ‭findings‬ ‭indicate‬ ‭that‬ ‭both‬ ‭YAG:Tb‬ ‭and‬ ‭the‬ ‭luminescence‬ ‭of‬ ‭Nd³⁺‬ ‭are‬
‭promising‬ ‭for‬ ‭optical‬ ‭thermometry‬ ‭at‬ ‭low‬ ‭temperatures,‬ ‭providing‬ ‭viable‬ ‭alternatives‬ ‭for‬
‭non-invasive and highly precise thermal sensors.‬

‭Keywords:‬‭Optical thermometry, Luminescence, YAG.‬

‭Lista de Figuras‬

‭ igura 2.1.1: Diagrama de níveis de energia mostrando os processos fluorescente (a) e‬
F
‭fosforescente‬‭(b).‬ ‭Fonte:‬‭[13]‬‭................................................................................................‬‭17‬
‭Figura 2.1.2 Diagrama de coordenadas configuracionais de um centro luminescente,‬
‭representando os estados fundamental, excitado e níveis vibracionais associados, bem‬
‭como‬‭os‬‭eventos‬‭envolvidos‬‭no‬‭processo‬‭de‬‭luminescência.‬‭Fonte:‬‭[18]‬‭.............................‬‭18‬
‭Figura‬‭2.1.3:‬‭Representação‬‭do‬‭processo‬‭de‬‭relaxamento‬‭multifônico.‬‭Adaptado‬‭de:‬‭[1]‬‭.....‬‭19‬
‭Figura 2.2.1: Representação dos possíveis efeitos causados pelo aumento da temperatura‬
‭na luminescência. Linhas vermelhas correspondem a temperaturas maiores em relação às‬
‭linhas‬‭azuis.‬‭Fonte:‬‭[19]‬‭.........................................................................................................‬‭20‬
‭Figura‬‭2.3.1:‬‭Tabela‬‭periódica‬‭com‬‭destaque‬‭para‬‭os‬‭elementos‬‭terras‬‭raras.‬‭Fonte:‬‭[31].‬‭..‬‭27‬
‭Figura 2.3.2: Localização das camadas 4f, 5s, 5p e 6s do Gd3+; tendo em conta o raio e a‬
‭densidade‬‭de‬‭probabilidade‬‭radial‬‭de‬‭se‬‭encontrar‬‭seus‬‭elétrons.‬‭Fonte:‬‭[33].‬‭.....................‬‭28‬
‭Figura‬‭2.3.3:‬‭Diagrama‬‭de‬‭energia‬‭de‬‭íons‬‭lantanídeos.‬‭Fonte:‬‭[34]‬‭.....................................‬‭30‬
‭Figura 2.3.4: Diagrama parcial de energia do íon Tb3+ com as principais transições dos‬
‭níveis‬‭5D3‬‭e‬‭5D4‬‭.‬‭Fonte:‬‭[40]‬‭...............................................................................................‬‭31‬
‭Figura 2.4.1: Representação da estrutura cristalina do Y3Al5O12 (YAG) (Powder diffraction‬
‭file-PDF-33-0040).‬‭Fonte:[52]‬‭................................................................................................‬‭33‬
‭Figura 3.1.1: Fluxograma do processo de síntese das cerâmicas de YAG:Tb. Fonte: Autor‬
‭Próprio‬‭....................................................................................................................................‬‭36‬
‭Figura 3.2.1: Fluxograma do processo de medidas de Fotoluminescência e Raman em‬
‭função‬‭da‬‭temperatura‬‭e‬‭a‬‭posterior‬‭análise‬‭termométrica.‬‭Fonte:‬‭Autor‬‭Próprio‬‭.................‬‭38‬
‭Figura‬‭3.2.2:‬‭Esquema‬‭do‬‭aparato‬‭utilizado‬‭nos‬‭experimentos.‬ ‭Fonte:‬‭Autor‬‭Próprio‬‭..........‬‭38‬
‭Figura 4.1.1: Comparação dos espectros normalizados de emissão, em 20.8 e 320K.‬
‭Excitação‬‭em‬‭375‬‭nm.‬‭............................................................................................................‬‭40‬
‭Figura 4.1.2: Espectro de emissão do YAG:Tb em várias temperaturas para as‬
‭concentrações‬‭de‬‭a)‬‭2%‬‭Tb;‬‭b)‬‭1%Tb‬‭;‬‭C)‬‭0,5%‬‭Tb‬‭.‬‭............................................................‬‭41‬
‭Figura 4.1.3: Evolução da área total do espectro de emissão da transição em função da‬
‭temperatura‬‭............................................................................................................................‬‭42‬
‭Figura 4.1.4: Diagrama coordenado configuracional simplificado de Sr8MgCe(PO4)7:Tb3+.‬
‭Fonte:‬‭[71]‬‭..............................................................................................................................‬‭44‬
‭Figura‬‭4.2.1:‬‭Identificação‬‭dos‬‭parâmetros‬‭utilizados‬‭na‬‭termometria‬‭...................................‬‭46‬
‭Figura‬‭4.2.2:‬‭Razão‬‭entre‬‭os‬‭picos‬‭12‬‭e‬‭13‬‭e‬‭sua‬‭respectiva‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭..............‬‭47‬
‭Figura‬‭4.2.3‬‭:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭12‬‭e‬‭área‬‭4‬‭e‬‭sua‬‭respectiva‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭..........‬‭48‬
‭Figura‬‭4.3.1:‬‭Espectro‬‭raman‬‭do‬‭YAG:2%Tb‬‭excitado‬‭em‬‭785nm‬‭........................................‬‭55‬
‭Figura‬‭4.3.2:‬‭Espectro‬‭raman‬‭do‬‭YAG‬‭em‬‭várias‬‭temperaturas.‬‭...........................................‬‭56‬
‭Figura‬‭4.3.3:‬‭Espectro‬‭raman‬‭do‬‭YAG:2%Tb‬‭em‬‭função‬‭da‬‭temperatura.‬‭.............................‬‭58‬
‭Figura‬‭4.3.4:‬‭Comparação‬‭do‬‭espectro‬‭Raman‬‭em‬‭22‬‭e‬‭320K‬‭..............................................‬‭58‬
‭Figura 4.3.5: Comparação do espectro Raman em 22 e 320K, com as intensidades‬
‭normalizadas pelo pico máximo e o correspondente comprimento de onda (nm) de cada‬
‭pico‬‭.........................................................................................................................................‬‭59‬
‭Figura‬‭4.3.6:‬‭Identificação‬‭dos‬‭parâmetros‬‭termométricos‬‭....................................................‬‭60‬
‭Figura‬‭4.3.7:‬‭Deslocamento‬‭do‬‭pico‬‭2‬‭(C2)‬‭em‬‭função‬‭da‬‭temperatura‬‭................................‬‭63‬
‭Figura‬‭4.3.8:‬‭Razão‬‭entre‬‭a‬‭área‬‭6‬‭e‬‭a‬‭área‬‭7‬‭.......................................................................‬‭63‬
‭Figura‬‭4.3.9:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭2‬‭e‬‭a‬‭área‬‭1‬‭........................................................................‬‭64‬
‭Figura‬‭4.3.10:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭6‬‭e‬‭o‬‭pico‬‭1.‬‭.....................................................................‬‭64‬

‭Figura‬‭4.3.11:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭2‬‭e‬‭o‬‭pico‬‭3‭.‬.....................................................................‬‭65‬

‭Lista de tabelas‬

‭ abela‬‭2.3.1:‬‭Tabela‬‭contendo‬‭informações‬‭sobre‬‭os‬‭elementos‬‭lantanídeos.‬‭......................‬‭27‬
T
‭Tabela‬‭2.4.1:‬‭Propriedades‬‭do‬‭YAG‬‭(Adaptado‬‭de‬‭[50])‬‭........................................................‬‭33‬
‭Tabela‬‭4.2.1:‬ ‭Resumo‬‭dos‬‭resultados‬‭obtidos‬‭para‬‭cada‬‭parâmetro‬‭das‬‭nossas‬‭amostras.‬‭‬47‬
‭Tabela 4.2.2 Comparação entre trabalhos de termometria óptica operando em baixas‬
‭temperaturas‬‭e‬‭que‬‭utilizam‬‭Tb3+‬‭..........................................................................................‬‭49‬
‭Tabela 4.2.3: Comparação entre trabalhos de termometria óptica operando em baixas‬
‭temperaturas‬‭e‬‭que‬‭utilizam‬‭outros‬‭íons‬‭dopantes.‬‭...............................................................‬‭50‬
‭Tabela 4.3.1: Os números de onda experimentais (cm−1) e as atribuições de modos Raman‬
‭para a cerâmica de YAG:2%Tb . Os dados da literatura para cristais únicos de YAG também‬
‭estão‬‭incluídos‬‭Adaptado‬‭de‬‭[117].‬‭........................................................................................‬‭53‬
‭Tabela‬‭4.3.2:‬ ‭Resumo‬‭dos‬‭resultados‬‭obtidos‬‭para‬‭cada‬‭parâmetro‬‭do‬‭rastro‬‭de‬‭Nd3+‬‭......‬‭63‬
‭Tabela 4.3.3: Comparação entre trabalhos de termometria óptica operando em baixas‬
‭temperaturas‬‭e‬‭que‬‭utilizam‬‭Nd3+‬‭.........................................................................................‬‭64‬

‭Lista de figuras do Apêndice‬

‭ igura 8.1.1: Espectro de emissão, em energia, do YAG:Tb em várias temperaturas. a) 2%‬
F
‭Tb;‬‭b)‬‭1%‬‭;‬‭C)‬‭0.5%‬‭.‬‭..............................................................................................................‬‭83‬
‭Figura 8.1.2: Espectros de emissão, em energia, do YAG:Tb de diferentes concentrações. a)‬
‭2%‬‭Tb;‬‭b)‬‭1%‬‭Tb;‬‭c)‬‭0.5%‬‭Tb‬‭.................................................................................................‬‭84‬
‭Figura‬‭8.1.3:‬‭Espectros‬‭de‬‭emissão‬‭normalizados,‬‭em‬‭energia,‬‭normalizados‬‭pelo‬‭pico.‬‭....‬‭84‬
‭Figura 8.1.4: Evolução da área total de emissão da transição 5D4 - 7F3 em função da‬
‭temperatura‬‭............................................................................................................................‬‭85‬
‭Figura 8.1.5: Evolução da área total de emissão da transição 5D4 - 7F4 em função da‬
‭temperatura‬‭............................................................................................................................‬‭86‬
‭Figura 8.1.7: Evolução da área total de emissão da transição 5D4 - 7F6 em função da‬
‭temperatura‬‭............................................................................................................................‬‭88‬
‭Figura 8.2.1: Evolução do espectro de emissão em função da temperatura na transição 5D4‬
‭-‬‭7F3‬‭e‬‭identificação‬‭dos‬‭parâmetros‬‭analisados‬‭nessa‬‭transição.‬‭.......................................‬‭89‬
‭Figura 8.2.2: Evolução do espectro de emissão em função da temperatura na transição 5D4‬
‭-‬‭7F4‬‭e‬‭identificação‬‭dos‬‭parâmetros‬‭analisados‬‭nessa‬‭transição.‬‭.......................................‬‭90‬
‭Figura 8.2.3: Evolução do espectro de emissão em função da temperatura na transição 5D4‬
‭-‬‭7F5‬‭e‬‭identificação‬‭dos‬‭parâmetros‬‭analisados‬‭nessa‬‭transição.‬‭.......................................‬‭91‬
‭Figura 8.2.4: Evolução do espectro de emissão em função da temperatura na transição 5D4‬
‭-‬‭7F6‬‭e‬‭identificação‬‭dos‬‭parâmetros‬‭analisados‬‭nessa‬‭transição.‬‭.......................................‬‭92‬
‭Figura‬‭8.3.1:‬‭Razão‬‭entre‬‭os‬‭picos‬‭12‬‭e‬‭5‬‭e‬‭sua‬‭respectiva‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭................‬‭93‬
‭Figura‬‭8.3.2:‬‭Razão‬‭entre‬‭os‬‭picos‬‭12‬‭e‬‭15‬‭e‬‭sua‬‭respectiva‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭..............‬‭94‬
‭Figura‬‭8.3.3:‬‭Razão‬‭entre‬‭os‬‭picos‬‭12‬‭e‬‭16‬‭e‬‭sua‬‭respectiva‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭..............‬‭95‬
‭Figura‬‭8.3.4:‬‭Razão‬‭entre‬‭os‬‭picos‬‭12‬‭e‬‭18‬‭e‬‭sua‬‭respectiva‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭..............‬‭96‬
‭Figura‬‭8.3.5‬‭:‬‭Razão‬‭entre‬‭os‬‭picos‬‭12‬‭e‬‭21‬‭e‬‭sua‬‭respectiva‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭.............‬‭97‬
‭Figura‬‭8.3.6‬‭:‬‭Razão‬‭entre‬‭os‬‭picos‬‭12‬‭e‬‭24‬‭e‬‭sua‬‭respectiva‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭.............‬‭98‬
‭Figura‬‭8.3.7‬‭:‬‭Razão‬‭entre‬‭os‬‭picos‬‭12‬‭e‬‭29‬‭e‬‭sua‬‭respectiva‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭.............‬‭99‬
‭Figura 8.4.1: Deslocamento do pico 1 (C1) em função da temperatura e a respectiva‬
‭sensibilidade‬‭relativa‬‭............................................................................................................‬‭100‬
‭Figura‬‭8.4.2:‬‭Deslocamento‬‭do‬‭pico‬‭6(C6)‬‭em‬‭função‬‭da‬‭temperatura‬‭...............................‬‭100‬
‭Figura‬‭8.4.3:‬‭Razão‬‭entre‬‭a‬‭área‬‭2‬‭e‬‭a‬‭área‬‭7‬‭.....................................................................‬‭101‬
‭Figura‬‭8.4.4:‬‭Razão‬‭entre‬‭a‬‭área‬‭3‬‭e‬‭a‬‭área‬‭7‬‭.....................................................................‬‭101‬
‭Figura‬‭8.4.5:‬‭Razão‬‭entre‬‭a‬‭área‬‭4‬‭e‬‭a‬‭área‬‭7‬‭.....................................................................‬‭102‬
‭Figura‬‭8.4.6:‬‭Razão‬‭entre‬‭a‬‭área‬‭5‬‭e‬‭a‬‭área‬‭7‬‭.....................................................................‬‭102‬
‭Figura‬‭8.4.7:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭4‬‭e‬‭a‬‭área‬‭1‬‭......................................................................‬‭103‬
‭Figura‬‭8.4.8:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭4‬‭e‬‭a‬‭área‬‭7‬‭......................................................................‬‭103‬
‭Figura‬‭8.4.9:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭5‬‭e‬‭a‬‭área‬‭1‬‭......................................................................‬‭104‬
‭Figura‬‭8.4.10:‬‭Razão‬‭entre‬‭a‬‭área‬‭3‬‭e‬‭o‬‭pico‬‭5.‬‭...................................................................‬‭104‬
‭Figura‬‭8.4.11:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭5‬‭e‬‭a‬‭área‬‭7.‬‭...................................................................‬‭105‬
‭Figura‬‭8.4.12:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭6‬‭e‬‭a‬‭área‬‭1‬‭....................................................................‬‭105‬
‭Figura‬‭8.4.13:‬‭Razão‬‭entre‬‭a‬‭área‬‭3‬‭e‬‭o‬‭pico‬‭6‬‭....................................................................‬‭106‬
‭Figura‬‭8.4.14:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭6‬‭e‬‭a‬‭área‬‭7‬‭....................................................................‬‭106‬
‭Figura‬ ‭8.4.15:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭7‬‭e‬‭a‬‭área‬‭1‬‭...................................................................‬‭107‬
‭Figura‬‭8.4.16:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭7‬‭e‬‭a‬‭área‬‭7‬‭....................................................................‬‭107‬

‭ igura‬‭8.4.17:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭2‬‭e‬‭a‬‭área‬‭7‬‭....................................................................‬‭108‬
F
‭Figura‬‭8.4.18:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭5‬‭e‬‭o‬‭pico‬‭1‬‭....................................................................‬‭108‬
‭Figura‬‭8.4.19:‬‭Razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭7‬‭e‬‭o‬‭pico‬‭1‬‭....................................................................‬‭109‬
‭Figura 8.5.1: linearização do Parâmetro P5/P1, plotado em um gráfico do tipo: ln(R) x‬
‭1000/T,‬‭onde‬‭R‬‭é‬‭o‬‭parâmetro‬‭termométrico‬‭analisado.‬‭......................................................‬‭110‬
‭Figura 8.5.2: linearização do Parâmetro P6/P1, plotado em um gráfico do tipo: ln(R) x‬
‭1000/T,‬‭onde‬‭R‬‭é‬‭o‬‭parâmetro‬‭termométrico‬‭analisado.‬‭......................................................‬‭110‬
‭Figura 8.5.3: linearização do Parâmetro A6/A7, plotado em um gráfico do tipo ln(R) x‬
‭1000/T,‬‭onde‬‭R‬‭é‬‭o‬‭parâmetro‬‭termométrico‬‭analisado.‬‭.......................................................‬‭111‬
‭Figura 8.5.4: linearização do Parâmetro P7/P1, plotado em um gráfico do tipo: ln(R) x‬
‭1000/T,‬‭onde‬‭R‬‭é‬‭o‬‭parâmetro‬‭termométrico‬‭analisado.‬‭.......................................................‬‭111‬
‭Figura 8.5.5: linearização do Parâmetro P2/P3, plotado em um gráfico do tipo ln(R) x‬
‭1000/T,‬‭onde‬‭R‬‭é‬‭o‬‭parâmetro‬‭termométrico‬‭analisado.‬‭......................................................‬‭112‬
‭Tabela‬‭8.5.1:‬‭Comparação‬‭dos‬‭resultados‬‭obtidos‬‭com‬‭a‬‭distribuição‬‭de‬‭Boltzmann‬‭.........‬‭112‬

‭13‬
‭Sumário‬

‭ .‬‭Introdução‬‭.........................................................................................................................‬‭14‬
1
‭2.‬‭Fundamentação‬‭Teórica‬‭..................................................................................................‬‭15‬
‭2.1.‬‭Luminescência‬‭..........................................................................................................‬‭15‬
‭2.2.‬‭Termometria‬‭óptica‬‭....................................................................................................‬‭19‬
‭2.2.1.‬‭Termômetro‬‭primário‬‭e‬‭secundário‬‭...................................................................‬‭23‬
‭2.2.2.‬‭Conversão‬‭de‬‭comprimento‬‭de‬‭onda‬‭para‬‭energia‬‭..........................................‬‭25‬
‭2.3.‬‭Lantanídeos‬‭...............................................................................................................‬‭26‬
‭2.3.1.‬‭Térbio‬‭...............................................................................................................‬‭31‬
‭2.4.‬‭YAG‬‭...........................................................................................................................‬‭33‬
‭3.‬‭Metodologia‬‭......................................................................................................................‬‭36‬
‭3.1.‬‭Síntese‬‭......................................................................................................................‬‭36‬
‭3.2.‬‭Fotoluminescência‬‭em‬‭função‬‭da‬‭temperatura‬‭.........................................................‬‭37‬
‭4.‬‭Resultados‬‭e‬‭Discussões‬‭................................................................................................‬‭40‬
‭4.1.‬‭Fotoluminescência‬‭....................................................................................................‬‭40‬
‭4.1.1.‬‭Conclusões‬‭parciais‬‭.........................................................................................‬‭45‬
‭4.2.‬‭Termometria‬‭óptica‬‭Tb3+‬‭..........................................................................................‬‭45‬
‭4.2.1.‬‭Identificação‬‭dos‬‭parâmetros‬‭termométricos‬‭...................................................‬‭45‬
‭4.2.2.‬‭Razões‬‭e‬‭Sensibilidades‬‭relativas‬‭....................................................................‬‭46‬
‭4.2.3.‬‭Conclusões‬‭parciais‬‭.........................................................................................‬‭54‬
‭4.3.‬‭Medidas‬‭Raman‬‭e‬‭contaminação‬‭por‬‭neodímio‬‭........................................................‬‭54‬
‭4.3.1.‬‭Termometria‬‭óptica‬‭Nd3+‬‭.................................................................................‬‭63‬
‭4.3.2.‬‭Conclusões‬‭parciais‬‭.........................................................................................‬‭69‬
‭5.‬‭Conclusão‬‭.........................................................................................................................‬‭70‬
‭6.‬‭Perspectivas‬‭futuras‬‭........................................................................................................‬‭71‬
‭7.‬‭Referências‬‭.......................................................................................................................‬‭72‬
‭8.‬‭Apêndices‬‭.........................................................................................................................‬‭88‬
‭8.1.‬‭Fotoluminescência‬‭....................................................................................................‬‭88‬
‭8.1.1.‬‭Espectros‬‭em‬‭energia‬‭......................................................................................‬‭88‬
‭8.1.2.‬‭Evolução‬‭das‬‭áreas‬‭de‬‭emissão‬‭de‬‭cada‬‭transição‬‭eletrônica‬‭..............................‬‭90‬
‭8.2. Evolução dos espectros de emissão ( normalizados pelo pico máximo) com a‬
‭temperatura‬‭......................................................................................................................‬‭94‬
‭8.3.‬‭Gráficos‬‭da‬‭razão‬‭entre‬‭os‬‭picos‬‭e‬‭sensibilidade‬‭relativa,‬‭relacionados‬‭ao‬‭pico‬‭12‬‭.‬‭98‬
‭8.4.‬‭Parâmetros‬‭termométricos‬‭e‬‭sensibilidades‬‭relativas‬‭do‬‭neodímio‬‭........................‬‭105‬
‭8.5. Linearização dos gráficos relativos ao neodímio para buscar um termômetro de‬
‭Boltzmann‬‭.......................................................................................................................‬‭114‬

‭14‬
‭1.‬

‭Introdução‬
‭A‬ ‭termometria‬ ‭é‬ ‭o‬ ‭ramo‬ ‭da‬ ‭física‬ ‭que‬ ‭estuda‬ ‭a‬ ‭medição‬ ‭de‬ ‭temperatura‬ ‭baseada‬‭na‬

‭variação‬‭de‬‭parâmetros‬‭físicos‬‭de‬‭um‬‭material‬‭ou‬‭meio.‬‭Diferentes‬‭fenômenos‬‭físicos‬‭podem‬
‭ser‬ ‭explorados‬ ‭para‬ ‭esse‬ ‭propósito,‬ ‭como‬ ‭a‬ ‭dilatação‬‭térmica‬‭(exemplo‬‭dos‬‭termômetros‬‭de‬
‭mercúrio‬‭[1-3]),‬‭a‬‭emissão‬‭de‬‭radiação‬‭térmica‬‭(usada‬‭em‬‭termovisores,‬‭baseada‬‭na‬‭radiação‬
‭de‬ ‭corpo‬ ‭negro‬ ‭[4]),‬ ‭o‬ ‭efeito‬ ‭Seebeck‬ ‭(presente‬ ‭em‬ ‭termopares‬ ‭[5],‬ ‭onde‬ ‭a‬ ‭variação‬ ‭de‬
‭temperatura‬‭gera‬‭um‬‭sinal‬‭elétrico).‬‭A‬‭medição‬‭da‬‭temperatura‬‭é‬‭essencial‬‭em‬‭diversas‬‭áreas,‬
‭desde‬ ‭aplicações‬ ‭médicas,‬ ‭como‬ ‭a‬ ‭aferição‬ ‭da‬ ‭temperatura‬ ‭corporal‬ ‭com‬ ‭termômetros‬
‭digitais,‬‭até‬‭sistemas‬‭de‬‭proteção‬‭elétrica,‬‭como‬‭disjuntores‬‭térmicos‬‭e‬‭termomagnéticos,‬‭que‬
‭previnem‬ ‭sobrecargas‬ ‭por‬ ‭meio‬ ‭da‬ ‭deformação‬ ‭de‬ ‭lâminas‬ ‭bimetálicas.‬ ‭Na‬ ‭indústria,‬ ‭a‬
‭termometria‬ ‭é‬ ‭utilizada‬ ‭em‬ ‭processos‬ ‭que‬ ‭exigem‬ ‭controle‬ ‭térmico‬ ‭preciso,‬ ‭na‬ ‭proteção‬ ‭de‬
‭equipamentos‬‭e‬‭na‬‭manutenção‬‭preditiva,‬‭como‬‭na‬‭inspeção‬‭de‬‭painéis‬‭elétricos‬‭por‬‭meio‬‭de‬
‭termovisores.‬
‭No‬ ‭entanto,‬ ‭em‬ ‭algumas‬‭situações,‬‭a‬‭medição‬‭de‬‭temperatura‬‭por‬‭contato‬‭é‬‭inviável.‬
‭Isso‬‭ocorre‬‭em‬‭ambientes‬‭corrosivos,‬‭onde‬‭sensores‬‭convencionais‬‭podem‬‭ser‬‭degradados‬‭ao‬
‭longo‬‭do‬‭tempo;‬‭em‬‭corpos‬‭celestes,‬‭como‬‭planetas‬‭e‬‭estrelas,‬‭que‬‭estão‬‭a‬‭grandes‬‭distâncias;‬
‭em‬‭locais‬‭com‬‭alto‬‭risco‬‭elétrico,‬‭como‬‭painéis‬‭energizados,‬‭onde‬‭o‬‭contato‬‭direto‬‭representa‬
‭perigo‬‭de‬‭choque;‬‭e‬‭em‬‭sistemas‬‭microscópicos,‬‭como‬‭células‬‭e‬‭microrganismos,‬‭onde‬‭o‬‭uso‬
‭de‬‭sensores‬‭físicos‬‭é‬‭impraticável.‬‭Para‬‭esses‬‭casos,‬‭a‬‭termometria‬‭óptica‬‭se‬‭apresenta‬‭como‬
‭uma solução viável, pois permite medições remotas e sem contato direto [1-3].‬
‭A‬ ‭termometria‬ ‭óptica‬ ‭investiga‬ ‭métodos‬ ‭para‬ ‭estimar‬ ‭a‬ ‭temperatura‬ ‭por‬ ‭meio‬ ‭da‬
‭variação‬‭de‬‭parâmetros‬‭ópticos‬‭com‬‭a‬‭temperatura.‬‭Um‬‭exemplo‬‭clássico‬‭é‬‭a‬‭determinação‬‭da‬
‭temperatura‬ ‭de‬ ‭estrelas‬ ‭baseada‬ ‭na‬ ‭lei‬ ‭de‬ ‭Planck‬ ‭[4].‬ ‭Dentro‬ ‭desse‬ ‭campo,‬ ‭destaca-se‬ ‭a‬
‭termometria‬ ‭luminescente,‬ ‭que‬ ‭explora‬ ‭mudanças‬ ‭no‬ ‭espectro‬ ‭de‬ ‭emissão‬ ‭de‬ ‭materiais‬
‭luminescentes em resposta à temperatura [1-3].‬
‭A‬ ‭termometria‬ ‭luminescente‬ ‭oferece‬ ‭diversas‬ ‭vantagens,‬ ‭como‬ ‭ser‬ ‭não‬ ‭intrusiva,‬
‭proporcionar‬ ‭medições‬ ‭rápidas‬ ‭e‬ ‭apresentar‬ ‭alta‬ ‭resolução‬ ‭espacial,‬ ‭possibilitando‬‭a‬‭análise‬
‭de‬ ‭pequenas‬ ‭áreas,‬ ‭incluindo‬ ‭células‬ ‭e‬ ‭microrganismos‬ ‭[1-3,6].‬ ‭Além‬ ‭disso,‬ ‭essa‬ ‭técnica‬
‭permite‬ ‭medições‬ ‭de‬ ‭temperatura‬ ‭em‬ ‭condições‬ ‭extremas,‬ ‭como‬ ‭sistemas‬ ‭criogênicos.‬
‭Aplicações‬ ‭incluem‬ ‭computação‬ ‭quântica‬ ‭[7],‬ ‭reatores‬ ‭de‬ ‭fusão‬ ‭nuclear‬ ‭[8],‬ ‭indústria‬
‭aeroespacial‬ ‭[9],‬ ‭supercondutores‬ ‭[10],‬ ‭aceleradores‬ ‭de‬ ‭partículas‬ ‭[11]‬‭e‬‭armazenamento‬‭de‬
‭órgãos, tecidos e medicamentos [12].‬

‭15‬
‭A‬ ‭medição‬ ‭de‬ ‭temperatura‬ ‭em‬ ‭ambientes‬ ‭de‬ ‭baixas‬ ‭temperaturas‬ ‭apresenta‬ ‭desafios‬
‭específicos,‬ ‭como‬ ‭a‬ ‭contração‬ ‭térmica,‬ ‭que‬ ‭pode‬ ‭comprometer‬ ‭a‬ ‭fixação‬ ‭de‬ ‭sensores,‬ ‭e‬ ‭a‬
‭variação‬ ‭não‬ ‭linear‬ ‭da‬ ‭resistência‬ ‭elétrica,‬ ‭que‬ ‭afeta‬ ‭a‬ ‭precisão‬ ‭de‬ ‭sensores‬ ‭convencionais,‬
‭como‬ ‭os‬ ‭termorresistores.‬ ‭Além‬ ‭disso,‬ ‭interferências‬ ‭magnéticas‬ ‭e‬ ‭elétricas‬ ‭podem‬
‭comprometer a confiabilidade das medições, especialmente em materiais supercondutores.‬
‭Neste‬‭trabalho,‬‭foi‬‭investigado‬‭o‬‭potencial‬‭do‬‭material‬‭YAG:Tb,‬‭dopado‬‭com‬‭diversas‬
‭concentrações,‬ ‭para‬ ‭aplicações‬ ‭em‬ ‭termometria‬ ‭luminescente‬ ‭em‬ ‭baixas‬ ‭temperaturas,‬
‭utilizando‬‭a‬‭técnica‬‭de‬‭razão‬‭de‬‭intensidade‬‭luminescente.‬‭Além‬‭disso,‬‭também‬‭foi‬‭avaliada‬‭a‬
‭utilização‬‭da‬‭luminescência‬‭de‬‭traços‬‭de‬‭contaminação‬‭com‬‭Nd‬‭3+‬ ‭para‬‭a‬‭mesma‬‭aplicação.‬‭As‬
‭novidades‬ ‭e‬ ‭diferenciais‬ ‭que‬ ‭esse‬ ‭trabalho‬ ‭traz‬ ‭são:‬ ‭i)‬ ‭Uso‬ ‭do‬ ‭parâmetro‬ ‭pico/área‬ ‭em‬
‭termometria‬ ‭luminescente;‬ ‭ii)‬ ‭análise‬ ‭de‬ ‭múltiplos‬ ‭parâmetros‬ ‭em‬ ‭termometria;‬ ‭iii)‬
‭Observação‬ ‭do‬ ‭fenômeno‬ ‭de‬ ‭anti-quenching‬ ‭térmico‬ ‭para‬ ‭o‬ ‭YAG:Tb;‬ ‭iv)‬ ‭uso‬ ‭de‬ ‭um‬ ‭rastro‬
‭luminescente de outro dopante (no nosso caso, uma contaminação por Nd‬‭3+‬‭) em termometria.‬
‭2.‬

‭Fundamentação Teórica‬
‭2.1.‬

‭Luminescência‬

‭Luminescência‬ ‭é‬ ‭o‬ ‭fenômeno‬ ‭de‬ ‭emissão‬ ‭de‬‭luz‬‭por‬‭um‬‭material‬‭devido‬‭a‬‭excitação‬
‭do‬ ‭seu‬ ‭sistema‬ ‭eletrônico‬ ‭por‬ ‭uma‬ ‭fonte‬‭de‬‭energia‬‭anterior‬‭[13].‬‭Porém,‬‭radiação‬‭de‬‭corpo‬
‭negro‬‭não‬‭é‬‭classificada‬‭como‬‭luminescência,‬‭por‬‭se‬‭tratar‬‭de‬‭emissão‬‭de‬‭radiação‬‭espôntanea‬
‭devido‬ ‭a‬ ‭temperatura‬‭de‬‭um‬‭corpo,‬‭não‬‭necessitando‬‭de‬‭estimulação‬‭prévia‬‭[14].‬‭No‬‭âmbito‬
‭da‬ ‭física‬ ‭do‬ ‭estado‬ ‭sólido,‬ ‭um‬ ‭material‬ ‭luminescente‬ ‭é‬ ‭aquele‬ ‭que‬ ‭converte‬ ‭certos‬ ‭tipos‬‭de‬
‭energia‬ ‭em‬ ‭luz‬ ‭[14].‬ ‭A‬ ‭luz‬ ‭que‬‭é‬‭emitida,‬‭em‬‭geral,‬‭possui‬‭um‬‭comprimento‬‭de‬‭onda‬‭maior‬
‭que‬ ‭o‬ ‭da‬ ‭radiação‬ ‭incidente,‬ ‭seguindo‬ ‭a‬ ‭lei‬ ‭de‬ ‭stokes.‬ ‭Além‬ ‭disso,‬ ‭o‬ ‭espectro‬ ‭de‬ ‭emissão‬
‭emitido é característico do material e não da radiação incidente [15].‬
‭Os‬ ‭fenômenos‬ ‭de‬ ‭luminescência‬ ‭podem‬ ‭ser‬ ‭classificados‬ ‭de‬ ‭acordo‬ ‭com‬ ‭a‬ ‭fonte‬ ‭de‬
‭excitação,‬ ‭como‬ ‭por‬ ‭exemplo,‬ ‭quando‬ ‭o‬ ‭material‬ ‭é‬ ‭excitado‬ ‭por‬ ‭fótons‬ ‭(luz)‬ ‭temos‬ ‭a‬
‭fotoluminescência,‬ ‭quando‬ ‭excitado‬ ‭por‬ ‭radiação‬ ‭ionizante‬ ‭temos‬ ‭a‬ ‭radioluminescência‬ ‭e‬
‭quando excitado por energia térmica termos a termoluminescência [13].‬
‭Durante‬‭o‬‭processo‬‭de‬‭luminescência‬‭podem‬‭ocorrer‬‭transições‬‭radiativas,‬‭que‬‭emitem‬
‭luz,‬ ‭e‬ ‭não‬ ‭radiativas,‬ ‭onde‬ ‭não‬ ‭ocorre‬ ‭emissão‬ ‭de‬ ‭luz.‬ ‭Dentre‬ ‭os‬ ‭processos‬‭relacionados‬‭às‬
‭transições‬ ‭não‬ ‭radiativas‬ ‭podemos‬ ‭destacar‬ ‭os‬ ‭processos‬ ‭de‬ ‭relaxação‬ ‭cruzada‬ ‭e‬ ‭relaxação‬
‭multifônica.‬

‭16‬
‭No‬ ‭processo‬ ‭de‬ ‭relaxação‬ ‭cruzada‬ ‭a‬ ‭energia‬ ‭de‬ ‭um‬ ‭centro‬ ‭luminescente‬ ‭excitado,‬
‭como‬ ‭por‬ ‭exemplo‬ ‭um‬ ‭íon‬ ‭lantanídeo‬ ‭dopante,‬ ‭transfere‬ ‭parte‬ ‭de‬ ‭sua‬ ‭energia‬ ‭para‬ ‭um‬ ‭íon‬
‭vizinho‬ ‭no‬ ‭estado‬ ‭fundamental,‬ ‭promovendo-o‬ ‭a‬ ‭um‬ ‭nível‬ ‭intermediário.‬ ‭Como‬ ‭resultado,‬
‭ambos‬ ‭os‬ ‭íons‬ ‭relaxam‬ ‭para‬ ‭estados‬ ‭menos‬‭excitados‬‭sem‬‭a‬‭emissão‬‭de‬‭fótons,‬‭reduzindo‬‭a‬
‭eficiência‬ ‭da‬ ‭luminescência.‬ ‭Esse‬ ‭processo‬ ‭é‬ ‭fortemente‬ ‭dependente‬ ‭da‬ ‭concentração‬ ‭do‬
‭dopante,‬ ‭pois‬ ‭requer‬ ‭proximidade‬ ‭suficiente‬ ‭para‬ ‭permitir‬ ‭a‬ ‭interação‬ ‭entre‬ ‭os‬ ‭íons.‬ ‭A‬
‭relaxação‬ ‭cruzada‬‭é‬‭um‬‭dos‬‭principais‬‭mecanismos‬‭responsáveis‬‭pelo‬‭quenching‬‭de‬‭emissão‬
‭em altas concentrações de dopantes, pois eleva as taxas de desativação não-radiativa [16].‬
‭Na‬‭relaxação‬‭multifônica‬‭a‬‭energia‬‭de‬‭um‬‭íon‬‭excitado‬‭é‬‭dissipada‬‭através‬‭da‬‭emissão‬
‭sucessiva‬ ‭de‬ ‭fônons‬ ‭até‬ ‭que‬‭o‬‭íon‬‭atinja‬‭um‬‭estado‬‭de‬‭menor‬‭energia‬‭sem‬‭a‬‭emissão‬‭de‬‭luz.‬
‭Esse‬ ‭mecanismo‬ ‭ocorre‬ ‭quando‬ ‭a‬ ‭diferença‬ ‭de‬ ‭energia‬ ‭entre‬ ‭os‬ ‭níveis‬ ‭eletrônicos‬ ‭do‬ ‭íon‬ ‭é‬
‭comparável‬ ‭ou‬ ‭inferior‬‭a‬‭múltiplos‬‭da‬‭energia‬‭dos‬‭fônons‬‭ópticos‬‭do‬‭material‬‭hospedeiro.‬‭A‬
‭eficiência‬ ‭desse‬ ‭processo‬ ‭depende‬ ‭da‬ ‭força‬ ‭de‬ ‭acoplamento‬ ‭entre‬ ‭os‬‭íons‬‭dopantes‬‭e‬‭a‬‭rede‬
‭cristalina,‬ ‭bem‬ ‭como‬ ‭da‬ ‭densidade‬ ‭de‬ ‭estados‬ ‭vibracionais‬ ‭do‬ ‭material.‬ ‭Esse‬ ‭efeito‬ ‭é‬
‭especialmente‬ ‭relevante‬ ‭em‬ ‭termometria‬ ‭óptica‬ ‭e‬ ‭dispositivos‬ ‭fotônicos‬ ‭baseados‬ ‭em‬ ‭íons‬
‭terras‬‭raras,‬‭pois‬‭pode‬‭influenciar‬‭a‬‭taxa‬‭de‬‭decaimento‬‭da‬‭luminescência‬‭e‬‭a‬‭resposta‬‭térmica‬
‭do material [16].‬
‭A‬ ‭emissão‬ ‭de‬ ‭luz‬ ‭por‬ ‭um‬ ‭material‬ ‭luminescente‬ ‭está‬ ‭relacionada‬ ‭às‬ ‭transições‬
‭radiativas‬ ‭que‬ ‭ocorrem‬ ‭entre‬ ‭níveis‬ ‭eletrônicos.‬ ‭Primeiramente,‬ ‭quando‬ ‭o‬ ‭material‬ ‭recebe‬
‭energia,‬ ‭por‬ ‭exemplo‬ ‭de‬ ‭uma‬ ‭radiação‬ ‭eletromagnética,‬ ‭o‬ ‭elétron‬ ‭passa‬ ‭do‬ ‭estado‬
‭fundamental‬‭(g)‬‭para‬‭um‬‭estado‬‭excitado‬‭(e).‬‭Em‬‭seguida,‬‭a‬‭emissão‬‭de‬‭luz‬‭ocorre‬‭quando‬‭o‬
‭elétron‬ ‭no‬ ‭estado‬ ‭e‬ ‭retorna‬ ‭ao‬ ‭seu‬ ‭estado‬ ‭fundamental‬ ‭g‬‭.‬ ‭Porém,‬ ‭se‬ ‭houver‬ ‭um‬ ‭nível‬
‭metaestável‬ ‭de‬‭energia‬‭metaestável‬‭(m)‬‭entre‬‭o‬‭estado‬‭fundamental‬‭e‬‭o‬‭estado‬‭excitado,‬‭pode‬
‭ocorrer‬ ‭do‬ ‭elétron‬ ‭ficar‬ ‭temporariamente‬ ‭aprisionado‬ ‭nesse‬ ‭até‬‭que‬‭tenha‬‭energia‬‭suficiente‬
‭para‬ ‭retornar‬‭ao‬‭estado‬‭fundamental‬‭mediante‬‭a‬‭emissão‬‭de‬‭um‬‭fóton,‬‭gerando‬‭um‬‭atraso‬‭na‬
‭emissão,‬‭geralmente‬‭chamado‬‭de‬‭afterglow‬‭ou‬‭luminescência‬‭persistente‬‭[13].‬‭A‬‭Figura‬‭2.1.1‬
‭ilustra ambos os processos.‬

‭17‬

‭Figura 2.1.1: Diagrama de níveis de energia mostrando os processos fluorescente (a) e fosforescente‬
‭(b). Fonte: [13]‬

‭Para‬ ‭descrever‬ ‭o‬ ‭fenômeno‬ ‭de‬ ‭luminescência‬ ‭em‬ ‭escala‬ ‭atômica,‬ ‭pode-se‬ ‭utilizar‬ ‭o‬
‭modelo‬ ‭de‬ ‭coordenadas‬ ‭configuracionais,‬ ‭que‬ ‭auxilia‬ ‭na‬ ‭compreensão‬ ‭dos‬ ‭processos‬ ‭de‬
‭absorção‬ ‭e‬ ‭emissão‬ ‭de‬ ‭luz‬ ‭em‬ ‭materiais‬ ‭luminescentes.‬ ‭Nesse‬ ‭modelo,‬ ‭um‬ ‭centro‬
‭luminescente‬ ‭(como‬ ‭um‬ ‭íon‬ ‭ativador‬ ‭dopado‬ ‭em‬ ‭uma‬ ‭matriz‬ ‭hospedeira)‬ ‭pode‬ ‭existir‬ ‭em‬
‭diferentes‬ ‭estados‬ ‭eletrônicos,‬ ‭cada‬ ‭um‬ ‭associado‬ ‭a‬ ‭um‬ ‭potencial‬ ‭de‬ ‭energia.‬ ‭A‬‭posição‬‭do‬
‭ativador‬ ‭na‬ ‭rede‬ ‭cristalina‬ ‭pode‬ ‭ser‬ ‭representada‬ ‭em‬ ‭termos‬ ‭de‬ ‭sua‬ ‭coordenada‬
‭configuracional,‬‭que‬‭descreve‬‭a‬‭separação‬‭internuclear‬‭média‬‭entre‬‭o‬‭ativador‬‭e‬‭seus‬‭ligantes‬
‭no‬ ‭material‬ ‭hospedeiro.‬ ‭A‬ ‭Figura‬ ‭2.1.2‬ ‭apresenta‬ ‭um‬ ‭diagrama‬ ‭de‬ ‭coordenadas‬
‭configuracionais‬ ‭de‬ ‭um‬ ‭centro‬ ‭luminescente,‬ ‭onde‬ ‭a‬ ‭curva‬ ‭de‬ ‭menor‬ ‭energia‬ ‭potencial‬
‭representa‬‭o‬‭estado‬‭fundamental‬‭e‬‭a‬‭curva‬‭de‬‭maior‬‭energia‬‭representa‬‭o‬‭estado‬‭excitado.‬‭As‬
‭transições‬ ‭eletrônicas‬ ‭nesse‬ ‭diagrama‬ ‭são‬ ‭representadas‬‭por‬‭setas‬‭verticais.‬‭Os‬‭mínimos‬‭das‬
‭curvas‬ ‭(R‬‭0‬ ‭e‬ ‭R‭0‬ ‬‭’)‬ ‭estão‬ ‭geralmente‬ ‭deslocados‬ ‭entre‬ ‭si,‬ ‭o‬ ‭que‬ ‭se‬ ‭deve‬ ‭a‬ ‭alteração‬ ‭da‬
‭configuração‬ ‭de‬ ‭equilíbrio‬ ‭do‬ ‭sistema‬ ‭devido‬ ‭à‬ ‭nova‬ ‭distribuição‬ ‭eletrônica‬ ‭do‬ ‭estado‬
‭excitado [17].‬

‭18‬

‭Figura 2.1.2 Diagrama de coordenadas configuracionais de um centro luminescente, representando os‬
‭estados fundamental, excitado e níveis vibracionais associados, bem como os eventos envolvidos no‬
‭processo de luminescência. Fonte: [18]‬

‭No‬ ‭caso‬ ‭de‬ ‭lantanídeos‬ ‭trivalentes,‬ ‭cujos‬ ‭níveis‬ ‭de‬ ‭energia‬ ‭surgem‬ ‭da‬ ‭configuração‬
4‭ f‬‭n‬‭,‬ ‭o‬ ‭diagrama‬ ‭de‬ ‭coordenadas‬ ‭configuracionais‬ ‭aparecem‬ ‭como‬ ‭parábolas‬ ‭que‬ ‭não‬ ‭se‬
‭cruzam‬ ‭(‬ ‭com‬ ‭ΔR≈0‬ ‭).‬ ‭Pois‬ ‭os‬ ‭elétrons‬ ‭4f‬ ‭estão‬ ‭eletrostaticamente‬ ‭blindados‬ ‭do‬ ‭ambiente‬
‭cristalino‬ ‭pelos‬ ‭elétrons‬ ‭5s²‬ ‭e‬ ‭5p⁶.‬ ‭Como‬ ‭resultado,‬ ‭as‬ ‭emissões‬ ‭dos‬ ‭lantanídeos‬ ‭trivalentes‬
‭resultam em linhas estreitas nos espectros [14].‬
‭A‬ ‭eficiência‬ ‭da‬ ‭luminescência‬ ‭pode‬ ‭ser‬ ‭reduzida‬ ‭em‬ ‭altas‬ ‭temperaturas‬ ‭devido‬ ‭ao‬
‭fenômeno‬ ‭de‬ ‭quenching‬ ‭térmico,‬ ‭ou‬ ‭extinção‬ ‭térmica.‬ ‭Pois,‬ ‭conforme‬ ‭a‬ ‭temperatura‬ ‭do‬
‭material‬‭aumenta,‬‭surgem‬‭canais‬‭não‬‭radiativos‬‭adicionais‬‭ou‬‭mais‬‭eficientes‬‭que‬‭competem‬
‭com‬ ‭os‬ ‭canais‬ ‭radiativos‬ ‭(emissão‬ ‭de‬ ‭luz),‬ ‭reduzindo‬‭assim‬‭a‬‭probabilidade‬‭de‬‭emissão‬‭por‬
‭fótons.‬ ‭No‬ ‭modelo‬ ‭de‬ ‭coordenadas‬ ‭configuracionais,‬ ‭esse‬ ‭efeito‬ ‭pode‬ ‭ser‬ ‭compreendido‬
‭analisando‬ ‭a‬ ‭interação‬ ‭entre‬ ‭os‬ ‭estados‬ ‭eletrônicos‬ ‭excitado‬ ‭e‬ ‭fundamental‬ ‭na‬ ‭presença‬ ‭de‬
‭energia‬ ‭térmica‬ ‭[17].‬ ‭Por‬ ‭exemplo,‬ ‭a‬ ‭Figura‬ ‭2.1.3‬ ‭ilustra‬ ‭o‬ ‭processo‬ ‭de‬ ‭quenching‬ ‭por‬
‭emissão‬ ‭de‬ ‭múltiplos‬ ‭fônons,‬ ‭comum‬ ‭nos‬ ‭lantanídeos‬ ‭trivalentes.‬ ‭Nesse‬ ‭caso‬‭o‬‭retorno‬‭não‬
‭radiativo‬ ‭ao‬ ‭estado‬ ‭fundamental‬ ‭ocorre‬ ‭por‬ ‭emissão‬ ‭de‬ ‭múltiplos‬ ‭fônons‬ ‭se‬ ‭a‬ ‭diferença‬ ‭de‬

‭19‬
‭energia‬‭for‬‭múltiplas‬‭vezes‬‭a‬‭energia‬‭do‬‭fônon‬‭mais‬‭alto.‬‭Blasse‬‭et‬‭al‬‭(1994)‬‭[14]‬‭afirmam‬‭que‬
‭esse‬ ‭processo‬ ‭ocorre‬ ‭se‬ ‭a‬ ‭diferença‬ ‭de‬ ‭energia‬ ‭for‬ ‭entre‬ ‭4‬ ‭a‬ ‭5‬ ‭vezes‬ ‭a‬ ‭energia‬ ‭do‬ ‭fônon‬ ‭e‬
‭Dramicanin‬‭et‬‭al‬‭(2016)‬‭afirmam‬‭que‬‭pode‬‭acontecer‬‭para‬‭o‬‭caso‬‭de‬‭ser‬ ‭aproximadamente‬‭7.‬
‭Quanto maior esse número, menor a probabilidade de ocorrer a relaxação multifônica.‬

‭Figura 2.1.3: Representação do processo de relaxamento multifônico. Adaptado de: [1]‬

‭2.2.‬

‭Termometria óptica‬

‭A‬‭termometria‬‭é‬‭o‬‭ramo‬‭da‬‭física‬‭que‬‭estuda‬‭métodos‬‭de‬‭medição‬‭de‬‭temperatura‬‭por‬
‭meio‬‭de‬‭parâmetros‬‭físicos‬‭que‬‭variam‬‭em‬‭função‬‭da‬‭temperatura.‬‭Um‬‭exemplo‬‭clássico‬‭é‬‭o‬
‭termômetro‬‭de‬‭mercúrio,‬‭que‬‭se‬‭baseia‬‭na‬‭dilatação‬‭ou‬‭contração‬‭do‬‭mercúrio‬‭em‬‭resposta‬‭às‬
‭mudanças‬ ‭térmicas.‬ ‭Quando‬ ‭a‬ ‭luz‬ ‭é‬ ‭utilizada‬ ‭como‬ ‭meio‬ ‭de‬ ‭medição,‬ ‭o‬ ‭processo‬ ‭é‬
‭denominado‬ ‭termometria‬‭óptica.‬‭Essa‬‭técnica‬‭baseia-se‬‭na‬‭variação‬‭de‬‭propriedades‬‭ópticas,‬
‭como‬ ‭a‬ ‭emissão‬ ‭de‬ ‭radiação‬ ‭de‬ ‭corpo‬ ‭negro,‬ ‭utilizada‬ ‭para‬ ‭determinar‬ ‭a‬ ‭temperatura‬ ‭da‬
‭superfície‬ ‭de‬ ‭planetas,‬ ‭estrelas,‬ ‭painéis‬ ‭elétricos‬ ‭e‬ ‭até‬ ‭mesmo‬ ‭do‬ ‭corpo‬ ‭humano,‬ ‭com‬
‭fundamento‬ ‭na‬ ‭lei‬ ‭de‬ ‭Planck.‬ ‭A‬ ‭principal‬ ‭vantagem‬ ‭da‬‭termometria‬‭óptica‬‭é‬‭a‬‭sua‬‭natureza‬
‭não‬ ‭invasiva,‬ ‭permitindo‬ ‭medições‬ ‭remotas‬ ‭e‬ ‭sem‬ ‭contato‬ ‭direto‬ ‭com‬ ‭o‬ ‭objeto‬ ‭analisado.‬
‭[1-3]‬

‭20‬
‭Dentre‬ ‭as‬ ‭técnicas‬ ‭ópticas,‬ ‭a‬ ‭termometria‬ ‭luminescente‬ ‭se‬ ‭destaca‬ ‭por‬ ‭utilizar‬ ‭a‬
‭variação‬ ‭das‬ ‭propriedades‬ ‭fotoluminescentes‬ ‭dos‬ ‭materiais‬ ‭para‬ ‭medir‬ ‭a‬ ‭temperatura.‬ ‭A‬
‭Figura‬ ‭2.2.1‬ ‭apresenta‬ ‭os‬ ‭principais‬ ‭efeitos‬ ‭que‬ ‭a‬ ‭temperatura‬ ‭pode‬ ‭causar‬ ‭no‬ ‭espectro‬ ‭de‬
‭emissão‬ ‭e‬ ‭na‬ ‭vida‬ ‭média‬ ‭dos‬ ‭estados‬ ‭excitados.‬ ‭Estes‬ ‭efeitos‬ ‭dão‬ ‭origem‬ ‭às‬ ‭principais‬
‭abordagens‬ ‭para‬ ‭medição‬ ‭de‬ ‭temperatura‬ ‭usando‬ ‭fotoluminescência,‬ ‭como‬ ‭a‬ ‭razão‬ ‭entre‬
‭intensidades‬‭de‬‭picos‬‭de‬‭emissão,‬‭conhecida‬‭como‬‭Razão‬‭de‬‭Intensidade‬‭Luminescente‬‭(LIR,‬
‭do‬ ‭inglês‬ ‭Luminescence‬ ‭Intensity‬ ‭Ratio),‬ ‭a‬ ‭razão‬ ‭entre‬ ‭as‬ ‭áreas‬ ‭de‬ ‭bandas‬ ‭de‬ ‭emissão,‬ ‭o‬
‭deslocamento‬‭espectral,‬‭a‬‭variação‬‭do‬‭formato‬‭das‬‭bandas‬‭de‬‭emissão‬‭e‬‭a‬‭análise‬‭do‬‭tempo‬‭de‬
‭vida dos estados excitados por meio dos perfis de decaimento temporal [1].‬

‭Figura 2.2.1: Representação dos possíveis efeitos causados pelo aumento da temperatura na‬
‭luminescência. Linhas vermelhas correspondem a temperaturas maiores em relação às linhas azuis.‬
‭Fonte: [19]‬

‭A‬ ‭termometria‬ ‭luminescente‬ ‭pode‬ ‭ser‬ ‭classificada‬ ‭quanto‬ ‭ao‬ ‭tipo‬ ‭de‬ ‭abordagem‬
‭utilizada‬ ‭como‬ ‭de‬ ‭integração‬ ‭temporal,‬ ‭que‬ ‭explora‬ ‭as‬ ‭variações‬ ‭espectrais,‬ ‭ou‬ ‭de‬ ‭de‬
‭resolução‬ ‭temporal‬ ‭que‬ ‭explora‬ ‭as‬ ‭mudanças‬ ‭temporais‬ ‭de‬ ‭uma‬ ‭determinada‬ ‭transição‬
‭(BRITES;‬ ‭BALABHADRA;‬ ‭CARLOS,‬ ‭2019,‬ ‭p.‬ ‭30).‬ ‭Outra‬ ‭classificação‬ ‭pode‬ ‭ser‬ ‭dada‬
‭quanto‬‭ao‬‭tipo‬‭de‬‭material‬‭luminescente,‬‭que‬‭pode‬‭ser‬‭de‬‭emissor‬‭único,‬‭quando‬‭dopado‬‭com‬
‭apenas‬ ‭um‬ ‭íon‬ ‭emissor,‬ ‭ou‬ ‭múltiplo‬ ‭emissor,‬ ‭quando‬ ‭dopado‬ ‭com‬ ‭dois‬ ‭ou‬ ‭mais‬ ‭íons‬
‭emissores.‬‭Emissores‬‭únicos,‬‭como‬‭cristais‬‭dopados‬‭com‬‭íons‬‭de‬‭terras‬‭raras,‬‭frequentemente‬

‭21‬
‭seguem‬ ‭a‬ ‭distribuição‬ ‭de‬ ‭Boltzmann,‬ ‭enquanto‬ ‭semicondutores‬ ‭e‬ ‭nanodiamantes‬ ‭tendem‬ ‭a‬
‭não obedecer essa distribuição [1].‬
‭Para‬‭que‬‭um‬‭sistema‬‭siga‬‭a‬‭distribuição‬‭de‬‭Boltzmann,‬‭os‬‭níveis‬‭de‬‭energia‬‭analisados‬
‭devem‬ ‭estar‬ ‭termicamente‬ ‭acoplados,‬ ‭o‬ ‭que‬ ‭significa‬ ‭que‬ ‭a‬ ‭troca‬ ‭populacional‬ ‭entre‬ ‭eles‬ ‭é‬
‭mediada‬ ‭pela‬ ‭energia‬ ‭térmica‬ ‭do‬ ‭sistema.‬ ‭Essa‬ ‭troca‬ ‭ocorre‬ ‭quando‬ ‭a‬ ‭energia‬ ‭térmica‬
‭disponível,‬ ‭na‬ ‭ordem‬ ‭de‬ ‭K‬‭B‭T
‬ ,‬ ‭é‬ ‭suficiente‬ ‭para‬ ‭promover‬ ‭transições‬ ‭entre‬ ‭os‬ ‭níveis.‬ ‭Dessa‬
‭forma,‬ ‭a‬ ‭ocupação‬ ‭relativa‬ ‭dos‬ ‭níveis‬ ‭de‬ ‭energia‬ ‭depende‬ ‭diretamente‬ ‭da‬ ‭temperatura,‬
‭caracterizando um termômetro de Boltzmann.‬
‭Em‬‭sistemas‬‭que‬‭seguem‬‭a‬‭distribuição‬‭de‬‭Boltzmann,‬‭a‬‭razão‬‭entre‬‭as‬‭intensidades‬‭de‬
‭dois‬‭picos‬‭de‬‭emissão‬‭é‬‭governada‬‭pela‬‭ocupação‬‭relativa‬‭dos‬‭níveis‬‭de‬‭energia,‬‭descrita‬‭pela‬
‭equação 1.2.1.‬

‭‬‭𝐼‭2‬ ‬

‭𝑐‭2‬ ‬(υ)‭𝐴‭2‬ ‭𝑔
‬ ‭ℎ‬υ
‬ ‭2‬ ‭2‬

‭1‬

‭1‬

−(‭𝐸‭2‬ −‭
𝐸‭1‬ )‬
‬

‭𝑅‬‭‬ = ‭𝐼‬ = ‭𝑐‬ (υ)‭𝐴‬ ‭𝑔‬ ‭ℎ‬υ ‭𝑒‬
‭1‬ ‭1‬

‭𝐾‭𝑏‬ ‭𝑇
‬
‬

−∆‭𝐸‬
‭𝐾‬‭𝑏‭𝑇
‬
‬

= ‭𝐶‬ * ‭𝑒‬

‭Eq.2.2.1‬

‭1‬

‭Onde‬ ‭R‬ ‭é‬ ‭o‬ ‭parâmetro‬ ‭termométrico,‬ ‭𝐼‬‭1‭‬ ‬‭𝑒‭‬‬‭𝐼‬‭2‬ ‭são‬ ‭as‬ ‭intensidades‬‭dos‬‭picos,‬ ‭𝑔‬‭1‭‬ ‭𝑒‬ ‬‭‬‭𝑔‬‭2‬
‭são‬‭as‬‭degenerescências‬‭dos‬‭níveis‬‭de‬‭energia‬‭de‬‭cada‬‭pico,‬‭h‬‭é‬‭a‬‭constante‬‭de‬‭Planck,‬‭A‬‭1,2‬ ‭é‬‭a‬
‭taxa‬‭de‬‭emissão‬‭espontânea‬‭do‬‭nível,‬‭c‭1‬ ,2‬‭(υ
‬ ‭)‬‭é‬‭a‬‭resposta‬‭do‬‭sistema‬‭de‬‭detecção‬‭na‬‭frequência‬
‭de‬ ‭emissão‬ υ‭1,2‬ ‭,‬ ‭𝐾‬‭𝐵‬ ‭é‬ ‭a‬ ‭constante‬ ‭de‬ ‭boltzmann,‬ ‭T‬ ‭é‬ ‭a‬ ‭temperatura‬ ‭e‬ ∆‭𝐸‬ ‭a‬ ‭diferença‬ ‭de‬
‭energia entre os níveis de energia‬ ‭𝐸‬‭1‭‬ ‭𝑒‬ ‬‭‬‭𝐸‬‭2‬ ‭. Temos que C será:‬

‭𝑐‬ (υ)‭𝐴‬ ‭𝑔‬ ‭ℎ‬υ

‭𝐶‬‭‬ = ‭𝑐‭2‬ ‬(υ)‭𝐴‭2‬ ‭𝑔‬ ‭2‬ ‬‭ℎ‬υ‭2‬ ‭‬
‭1‬

‭1‬ ‭1‬

‭1‬

‭Aplicando logaritmo neperiano dos dois lados, teremos então:‬
−∆‭𝐸‬
‭𝐾‬‭𝑏‭𝑇
‬
‬

‭𝑙𝑛‬‭‬(‭𝑅‬)‭‬ = ‭𝑙𝑛‬(‭𝐶‬)‭‬ + ‭‬‭𝑙𝑛‬(‭𝑒‬

)

‭Eq. 2.2.2‬

‭22‬
−∆‭𝐸‬

‭𝑙𝑛‬‭‬(‭𝑅‬)‭‬ = ‭𝑙𝑛‬(‭𝐶‬)‭‬ + ‭‬( ‭𝐾‬ ‭𝑇‬ ) ‭Eq.‬‭2.2.3‬
‭𝑏‬

‭Com‬‭isso,‬‭obtemos‬‭uma‬‭linearização‬‭da‬‭função,‬‭do‬‭tipo‬‭y‬‭=‬‭a*x‬‭+‬‭b,‬‭onde‬‭y‬‭=‬‭ln‬‭(R)‬‭,‬
‭1‬

‭x =‬ ‭𝑇‬ ‭e b = ln(C)‬
‭Para‬ ‭avaliar‬ ‭a‬ ‭sensibilidade‬ ‭de‬ ‭um‬ ‭termômetro,‬ ‭temos‬ ‭o‬ ‭conceito‬ ‭de‬ ‭sensibilidade‬
‭térmica‬‭absoluta,‬‭que‬‭pode‬‭ser‬‭entendido‬‭como‬‭a‬‭taxa‬‭de‬‭variação‬‭do‬‭parâmetro‬‭termométrico‬
‭em resposta à variação da temperatura, onde ela pode ser expressa como:‬
‭𝑑𝑅‬

‭𝑆‬‭𝑎(‭
𝑇‬)‭‬ = ‭‬ ‭𝑑𝑇‬
‬

‭Eq. 2.2.4‬

‭Porém,‬ ‭para‬ ‭compararmos‬ ‭quantitativamente‬ ‭termômetros‬ ‭que‬ ‭usam‬ ‭diferentes‬
‭princípios‬ ‭físicos,‬ ‭ou‬ ‭o‬ ‭mesmo‬ ‭princípio‬ ‭físico,‬ ‭porém‬ ‭materiais‬ ‭diferentes,‬ ‭é‬ ‭necessário‬
‭utilizar a sensibilidade relativa, que pode ser expressa como:‬
‭1‬ ‭𝑑𝑅‬

‭Eq. 2.2.5‬

‭𝑆‬‭𝑟(‭
𝑇‬) = ‭𝑅‬ ‭𝑑𝑇‬
‬

‭𝑑‬‭‬‭𝑙𝑛‬‭(‬ ‭𝑢‬)
‭𝑑𝑥‬

‭Por derivação implícita, sabemos que:‬

‭1‬ ‭𝑑𝑅‬

‭𝑆‬‭𝑟(‭
𝑇‬) = ‭𝑅‬ ‭𝑑𝑇‬ =
‬

‭1‬ ‭𝑑𝑢‬

= ‭𝑢‬ ‭𝑑𝑥‬ ‭, teremos que:‬

‭𝑑‭‬‬‭𝑙𝑛‬(‭𝑅‬)
‭𝑑𝑇‬

‭Eq.2.2.6‬

‭Portanto,‬ ‭para‬ ‭o‬ ‭caso‬ ‭de‬ ‭termômetros‬ ‭que‬ ‭seguem‬ ‭a‬ ‭distribuição‬ ‭de‬‭Boltzmann,‬‭das‬
‭Eq. 3 e Eq. 5, chegamos em:‬
−∆‭𝐸‬

‭𝑆‬‭𝑟(‭
𝑇‬) = ‭𝐾‬ ‭𝑇‭²‬ ‬ ‭‬‭‬
‬

‭Eq. 2.2.7‬

‭𝑏‬

‭Onde‬ ‭foi‬ ‭considerado‬ ‭aqui‬ ‭que‬ ‭os‬ ‭níveis‬ ‭de‬ ‭degenerescência‬ ‭não‬ ‭são‬ ‭dependentes‬
‭explicitamente‬ ‭da‬ ‭temperatura.‬ ‭A‬ ‭unidade‬ ‭de‬ ‭medida‬ ‭usual‬ ‭para‬ ‭a‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭é‬
−‭1‬

‭[‭%
‬ ‬‭‬‭𝐾‬ ‭]‬
‭A‬‭partir‬‭da‬‭equação‬‭2.2.7‬‭é‬‭possível‬‭ver‬‭que‬‭para‬‭baixas‬‭temperaturas,‬‭há‬‭uma‬‭maior‬
‭sensibilidade,‬ ‭abrindo‬ ‭margem‬ ‭para‬ ‭aplicações‬ ‭desse‬ ‭tipo‬ ‭de‬ ‭termômetro‬ ‭nesse‬ ‭regime‬ ‭de‬

‭23‬
‭temperatura,‬ ‭podendo‬ ‭ele‬‭ser‬‭usado‬‭em‬‭sistemas‬‭criogênicos,‬‭sistemas‬‭de‬ ‭criobiologia‬‭[12],‬
‭armazenamento‬ ‭de‬ ‭energia‬ ‭[20],‬ ‭ciência‬ ‭e‬ ‭tecnologia‬ ‭quântica‬ ‭[7],‬ ‭magnetismo‬ ‭[21]‬ ‭e‬
‭exploração espacial [9].‬
‭2.2.1.‬

‭Termômetro primário e secundário‬

‭Para‬ ‭falar‬ ‭de‬ ‭termômetros‬ ‭é‬ ‭preciso‬ ‭antes‬ ‭definir‬ ‭o‬ ‭que‬ ‭é‬ ‭temperatura,‬ ‭ela‬ ‭é‬ ‭um‬
‭parâmetro‬‭relacionado‬‭a‬‭energia‬‭térmica‬‭e‬‭fluxo‬‭de‬‭calor.‬‭Da‬‭lei‬‭zero‬‭da‬‭termodinâmica‬‭temos‬
‭que‬ ‭se‬ ‭um‬ ‭corpo‬ ‭A‬ ‭e‬ ‭um‬ ‭corpo‬ ‭B‬‭estão‬‭em‬‭equilíbrio‬‭térmico‬‭e‬‭um‬‭corpo‬‭A‬‭e‬‭um‬‭corpo‬‭C‬
‭estão‬ ‭em‬ ‭equilíbrio‬ ‭térmico,‬ ‭então‬ ‭os‬ ‭corpos‬ ‭B‬ ‭e‬ ‭C‬ ‭também‬ ‭estão‬ ‭em‬ ‭equilíbrio‬‭térmico,‬‭à‬
‭partir dessa lei que podemos utilizar um sistema de teste chamado termômetro [22]‬
‭Da‬‭termodinâmica,‬‭é‬‭conhecida‬‭a‬‭relação‬‭onde‬‭a‬‭temperatura‬‭é‬‭definida,‬‭relacionando‬
‭a energia interna U do sistema e a entropia S, dada por:‬
‭∂‭𝑈
‬ ‬

‭1‬

‭∂‬‭𝑆‬

‭𝑇‬‭‬ = ‭‬ ‭∂‬‭𝑆‬ ‭, ou ainda‬ ‭𝑇‬ ‭‬ = ‭‬ ‭∂‭𝑈‬ ‬

‭Eq.2.2.8‬

‭Da área de física estatística, é conhecido a relação entre a entropia S e a densidade de‬
‭estados acessíveis‬Ω ‭do sistema, dada por‬
‭𝑆‬‭‬ = ‭‬‭𝐾‬‭𝐵‭‬ ‬‭𝑙𝑛‬‭‬Ω

‭Eq.2.2.9‬

‭Ao relacionarmos as expressões da temperatura e da entropia, encontramos a seguinte‬
‭relação, entre temperatura e a densidade de estados acessíveis.‬
‭1‬
‭∂‭𝑙‬ 𝑛‬(Ω(‭𝐸)‬ )
‭‬ = ‭‬ ‭∂‬‭𝐸‬
‭𝐾‬‭𝐵‭𝑇
‬
‬

‭Eq.2.2.10‬

‭Podemos‬ ‭então‬ ‭definir‬ ‭a‬ ‭temperatura,‬‭a‬‭partir‬‭da‬‭equação‬‭2.2.8,‬‭como‬‭um‬‭parâmetro‬
‭que‬‭mede‬‭como‬‭a‬‭entropia‬‭S‬‭varia‬‭com‬‭a‬‭variação‬‭de‬‭energia‬‭interna‬‭U,‬‭ou‬‭ainda,‬‭a‬‭partir‬‭da‬
‭equação‬ ‭2.2.10,‬ ‭como‬ ‭um‬ ‭parâmetro‬ ‭que‬ ‭mede‬ ‭como‬ ‭a‬ ‭densidade‬ ‭de‬ ‭estados‬ ‭acessíveis‬ Ω
‭variam‬‭em‬‭relação‬‭a‬‭energia.‬‭É‬‭comumente‬‭falado‬‭que‬‭temperatura‬‭mede‬‭o‬‭grau‬‭de‬‭agitação‬
‭molecular‬ ‭médio‬ ‭das‬ ‭partículas,‬ ‭mas‬ ‭essa‬ ‭definição‬ ‭está‬ ‭equivocada‬ ‭pois‬ ‭no‬ ‭zero‬ ‭absoluto‬
‭ainda‬ ‭há‬ ‭movimentação‬ ‭de‬ ‭partículas,‬ ‭como‬ ‭é‬ ‭o‬ ‭caso‬ ‭do‬ ‭poço‬ ‭quadrado‬ ‭infinito‬ ‭[22,23].‬
‭Também‬ ‭temos‬ ‭que‬ ‭o‬ ‭parâmetro‬ ‭chamado‬ ‭temperatura‬ ‭há‬ ‭uma‬ ‭propriedade,‬ ‭que‬ ‭indica‬ ‭o‬
‭fluxo‬ ‭de‬ ‭calor‬ ‭entre‬ ‭dois‬ ‭sistemas‬ ‭em‬ ‭contato‬ ‭térmico,‬ ‭onde‬ ‭o‬‭calor‬‭flui‬‭do‬‭corpo‬‭de‬‭maior‬
‭temperatura‬‭para‬‭o‬‭de‬‭menor‬‭temperatura‬‭[22,23].‬‭Todos‬‭esses‬‭conceitos‬‭são‬‭importantes‬‭para‬
‭sistemas termométricos.‬
‭Os‬ ‭sistemas‬ ‭termométricos‬ ‭podem‬ ‭ser‬ ‭classificados‬ ‭em‬ ‭primários‬ ‭e‬ ‭secundários.‬
‭Termômetros‬ ‭primários‬ ‭baseiam-se‬ ‭em‬ ‭equações‬ ‭de‬ ‭estado‬ ‭derivadas‬ ‭de‬ ‭princípios‬ ‭físicos‬

‭24‬
‭fundamentais,‬ ‭apresentando‬ ‭uma‬ ‭relação‬ ‭bem‬ ‭definida‬ ‭entre‬ ‭a‬ ‭grandeza‬ ‭mensurável‬ ‭e‬ ‭a‬
‭temperatura.‬ ‭Por‬ ‭não‬ ‭dependerem‬ ‭de‬ ‭calibração‬ ‭em‬ ‭relação‬ ‭a‬ ‭um‬ ‭padrão‬ ‭externo,‬ ‭esses‬
‭termômetros‬ ‭podem‬ ‭ser‬ ‭descritos‬ ‭por‬ ‭leis‬ ‭físicas‬ ‭estabelecidas.‬ ‭Exemplos‬ ‭incluem‬
‭termômetros‬ ‭baseados‬ ‭na‬ ‭equação‬ ‭dos‬ ‭gases‬ ‭ideais‬ ‭[24,25],‬ ‭no‬ ‭ruído‬ ‭térmico‬ ‭em‬ ‭resistores‬
‭elétricos‬ ‭[23],‬ ‭na‬ ‭velocidade‬ ‭do‬ ‭som‬ ‭em‬ ‭um‬ ‭gás‬ ‭[26],‬ ‭no‬ ‭alargamento‬ ‭Doppler‬ ‭de‬ ‭uma‬
‭transição óptica [27] e na radiação de corpo negro [4].‬
‭De‬ ‭acordo‬‭com‬‭Brites‬‭et‬‭al.‬‭(2023),‬‭“considerando‬‭a‬‭redefinição‬‭da‬‭temperatura‬‭com‬
‭base‬ ‭na‬ ‭constante‬ ‭de‬ ‭Boltzmann,‬ ‭um‬‭termômetro‬‭primário‬‭é‬‭definido‬‭como‬‭um‬‭instrumento‬
‭que‬ ‭apresenta‬ ‭uma‬ ‭conexão‬ ‭bem‬ ‭compreendida‬ ‭entre‬ ‭uma‬‭grandeza‬‭mensurável‬‭(parâmetro‬
‭termométrico) e K‬‭B‭T
‬ , a energia média por grau de liberdade”‬‭(p. 27) [1].‬
‭Por‬ ‭outro‬ ‭lado,‬ ‭termômetros‬ ‭secundários‬ ‭dependem‬ ‭da‬ ‭variação‬ ‭das‬ ‭propriedades‬
‭físicas‬‭de‬‭um‬‭material‬‭e‬‭precisam‬‭ser‬‭calibrados‬‭em‬‭relação‬‭a‬‭uma‬‭temperatura‬‭de‬‭referência,‬
‭como‬ ‭a‬ ‭de‬ ‭um‬ ‭termopar,‬ ‭para‬ ‭estabelecer‬ ‭uma‬ ‭relação‬ ‭entre‬ ‭o‬ ‭parâmetro‬ ‭termométrico‬ ‭e‬ ‭a‬
‭temperatura‬ ‭[1‬ ‭-‬ ‭3].‬ ‭Em‬ ‭geral,‬‭esses‬‭termômetros‬‭apresentam‬‭maior‬‭sensibilidade‬‭do‬‭que‬‭os‬
‭primários.‬ ‭Alguns‬ ‭exemplos‬ ‭comuns‬ ‭incluem‬ ‭sondas‬ ‭elétricas,‬ ‭como‬ ‭termômetros‬ ‭de‬
‭resistência‬ ‭de‬ ‭platina,‬ ‭termopares,‬ ‭termistores,‬ ‭termômetros‬ ‭de‬ ‭capacitância‬ ‭e‬ ‭diodos‬ ‭de‬
‭silício [5].‬
‭Brites,‬‭Balabhadra‬‭e‬‭Carlos‬‭(2019)‬‭destacam‬‭que‬‭"sempre‬‭que‬‭o‬‭conhecimento‬‭de‬‭uma‬
‭grandeza‬ ‭física‬ ‭mensurável‬ ‭não‬ ‭for‬ ‭suficiente‬ ‭para‬ ‭calcular‬ ‭a‬ ‭temperatura‬ ‭a‬ ‭partir‬ ‭de‬ ‭uma‬
‭equação‬ ‭de‬ ‭estado‬ ‭(que‬ ‭relaciona‬ ‭a‬ ‭temperatura‬ ‭a‬ ‭outras‬ ‭grandezas‬ ‭físicas‬ ‭mensuráveis),‬ ‭o‬
‭termômetro‬‭precisa‬‭ser‬‭referenciado‬‭a‬‭uma‬‭temperatura‬‭externa‬‭e‬‭é‬‭denominado‬‭secundário"‬
‭(p. 6) [2].‬
‭Na‬ ‭termometria‬‭luminescente,‬‭a‬‭distinção‬‭entre‬‭termômetros‬‭primários‬‭e‬‭secundários‬
‭também‬ ‭se‬ ‭aplica.‬ ‭Quando‬ ‭os‬ ‭níveis‬ ‭de‬ ‭energia‬ ‭envolvidos‬ ‭em‬ ‭duas‬ ‭transições‬ ‭eletrônicas‬
‭estão‬ ‭suficientemente‬ ‭próximos‬ ‭para‬ ‭estarem‬ ‭termicamente‬ ‭acoplados‬ ‭e‬ ‭a‬ ‭distribuição‬ ‭de‬
‭população‬‭entre‬‭esses‬‭níveis‬‭segue‬‭a‬‭estatística‬‭de‬‭Boltzmann,‬‭o‬‭sistema‬‭pode‬‭ser‬‭classificado‬
‭como‬ ‭um‬ ‭termômetro‬ ‭primário,‬ ‭também‬ ‭conhecido‬ ‭como‬ ‭termômetro‬ ‭de‬ ‭Boltzmann.‬ ‭No‬
‭entanto,‬ ‭caso‬ ‭essa‬ ‭distribuição‬ ‭não‬‭seja‬‭obedecida‬‭ou‬‭se‬‭os‬‭níveis‬‭estiverem‬‭muito‬‭distantes‬
‭energeticamente‬ ‭para‬ ‭haver‬ ‭acoplamento‬ ‭térmico,‬ ‭o‬ ‭termômetro‬ ‭é‬ ‭classificado‬ ‭como‬
‭secundário, ou não Boltzmann.‬
‭Ao‬ ‭avaliar‬ ‭um‬ ‭material‬ ‭luminescente‬ ‭para‬ ‭termometria‬ ‭óptica,‬ ‭busca-se‬ ‭identificar‬
‭faixas‬ ‭de‬ ‭temperatura‬ ‭em‬ ‭que‬ ‭a‬ ‭distribuição‬ ‭de‬ ‭Boltzmann‬ ‭é‬ ‭seguida,‬ ‭pois‬ ‭isso‬ ‭permite‬
‭correlacionar diretamente a temperatura com leis físicas bem estabelecidas.‬

‭25‬
‭Neste‬‭trabalho,‬‭será‬‭feita‬‭uma‬‭análise‬‭dos‬‭espectros‬‭de‬‭fotoluminescência‬‭do‬‭YAG:Tb‬
‭para‬ ‭investigar‬ ‭sua‬ ‭viabilidade‬ ‭como‬ ‭termômetro‬ ‭óptico.‬ ‭Serão‬ ‭avaliadas‬‭suas‬‭propriedades‬
‭tanto‬ ‭para‬ ‭aplicação‬ ‭como‬ ‭termômetro‬ ‭primário,‬ ‭por‬ ‭meio‬ ‭da‬ ‭distribuição‬ ‭de‬ ‭Boltzmann,‬
‭quanto‬ ‭como‬ ‭termômetro‬‭secundário,‬‭por‬‭meio‬‭da‬‭variação‬‭de‬‭outros‬‭parâmetros‬‭em‬‭função‬
‭da temperatura.‬
‭2.2.2.‬

‭Conversão de comprimento de onda para energia‬

‭A‬ ‭fim‬ ‭de‬ ‭obter‬ ‭uma‬ ‭melhor‬ ‭percepção‬ ‭física‬ ‭dos‬ ‭dados‬ ‭espectroscópicos‬ ‭é‬
‭recomendável‬ ‭realizar‬ ‭a‬ ‭conversão‬ ‭de‬ ‭comprimento‬‭de‬‭onda‬‭(λ)‬‭em‬‭energia‬‭(E).‬ ‭Essa‬‭nova‬
‭representação‬‭facilita‬‭a‬‭análise‬‭quantitativa‬‭dos‬‭dados,‬‭seja‬‭para‬‭a‬‭construção‬‭de‬‭diagramas‬‭de‬
‭energia,‬ ‭a‬ ‭obtenção‬ ‭de‬ ‭grandezas‬ ‭físicas‬ ‭ou‬ ‭a‬ ‭correlação‬ ‭entre‬ ‭picos‬ ‭de‬ ‭emissão.‬ ‭[28]‬
‭Entretanto,‬ ‭é‬ ‭preciso‬ ‭ser‬ ‭cauteloso‬ ‭ao‬ ‭realizar‬ ‭a‬ ‭conversão‬ ‭do‬ ‭eixo‬ ‭X‬ ‭de‬ ‭λ‬ ‭para‬ ‭E.‬ ‭Pois,‬ ‭a‬
‭relação‬‭inversa‬‭entre‬‭essas‬‭grandezas,‬‭dada‬‭pela‬‭equação‬‭de‬‭Planck,‬‭faz‬‭com‬‭que‬‭intervalos‬‭de‬
‭comprimentos‬ ‭de‬ ‭onda‬ ‭uniformemente‬ ‭espaçados‬ ‭em‬ ‭λ‬ ‭não‬ ‭sejam‬ ‭uniformes‬ ‭em‬ ‭E.‬‭Dessa‬
‭forma,‬ ‭para‬ ‭manter‬ ‭a‬ ‭consistência‬ ‭da‬ ‭intensidade‬ ‭de‬ ‭luz‬ ‭em‬ ‭função‬ ‭da‬ ‭energia‬ ‭I(E)‬‭com‬‭a‬
‭intensidade‬ ‭original‬ ‭I(λ),‬ ‭é‬ ‭preciso‬ ‭realizar‬ ‭a‬ ‭uma‬ ‭transformação‬ ‭adicional‬ ‭no‬ ‭eixo‬ ‭Y‬ ‭—‬ ‭a‬
‭chamada‬ ‭de‬ ‭transformação‬ ‭Jacobiana‬ ‭—‬ ‭que‬ ‭garante‬ ‭a‬ ‭preservação‬ ‭da‬ ‭área‬ ‭do‬ ‭espectro‬ ‭na‬
‭conversão comprimento de onda–energia. [28]‬
‭A‬ ‭aplicação‬ ‭dessa‬ ‭transformação‬ ‭é‬ ‭particularmente‬ ‭importante‬ ‭quando‬‭vários‬‭picos‬
‭estão‬ ‭presentes‬ ‭em‬ ‭um‬ ‭espectro,‬ ‭especialmente‬ ‭em‬ ‭uma‬ ‭grande‬ ‭faixa‬ ‭de‬ ‭energia,‬ ‭pois‬ ‭a‬
‭transformação‬ ‭Jacobiana‬ ‭produz‬ ‭diferenças‬ ‭significativas‬ ‭no‬‭espectro.‬‭Por‬‭outro‬‭lado,‬‭o‬‭uso‬
‭da‬‭transformação‬‭Jacobiana‬‭em‬‭um‬‭pico‬‭amplo‬‭altera‬‭ligeiramente‬‭o‬‭pico‬‭sem‬‭afetar‬‭a‬‭forma‬
‭geral. [28]‬
‭Para‬ ‭encontrar‬ ‭a‬ ‭transformação‬ ‭Jacobiana‬ ‭para‬ ‭a‬ ‭conversão‬ ‭comprimento‬ ‭de‬
‭onda–energia,‬‭devemos‬‭impor‬‭que‬‭a‬‭área‬‭da‬‭integral‬‭do‬‭espectro‬‭seja‬‭a‬‭mesma‬‭antes‬‭e‬‭depois‬
‭da conversão , então:‬
λ‭2‬

‭𝐸‭2‬ ‬

∫ ‭𝐹‬(λ)‭𝑑‬λ‭‬ = ∫ ‭𝐹‬(‭𝐸‬)‭𝑑𝐸‬‭‬‭‭E
‬ q.2.2.8‬
λ‭1‬

‭𝐸‭1‬ ‬

‭Fazendo a devida mudança de variáveis, temos:‬
‭𝑐‬

‭𝐸‬‭‬ = ‭‬‭ℎ‬ λ = ‭ℎ‬ * ‭𝑓‬ ‭Eq.2.2.9‬

‭26‬
‭𝑐‬

‭Eq.1.2.10‬

‭𝑑𝐸‬ =− ‭ℎ‬ λ‭²‬ ‭𝑑‬λ
λ‭²‬

‭𝑑𝐸‬ * (− ‭𝑐‬*‭ℎ‬ ) = ‭𝑑‬λ ‭Eq.2.2.11‬
‭como:‬
‭𝑐‬

‭𝐸‬‭‬ = ‭‬‭ℎ‬ λ ‭, então:‬
‭𝑐‬

λ‭‬ = ‭‬‭ℎ‬ ‭𝐸‬
‭ℎ‬*‭𝑐‬

‭Eq.2.2.12‬

‭𝑑𝐸‬ * (− ‭𝐸‭²‬ ‬ ) = ‭𝑑‬λ
‭Com isso, vemos que:‬
‭𝑑‬λ
‭ *‬ ‭𝑐‬
ℎ
= (− ‭𝐸²‭‬ ‬ )‭‬
‭ 𝐸‬
𝑑

‭Eq.2.2.13‬

‭Também teremos que:‬
‭𝑑‬λ

‭𝐹‬(‭𝐸‬)‭‬ = ‭‬‭𝐹‬(λ) ‭𝑑𝐸‬

‭Eq.2.2.14‬

‭ℎ‬*‭𝑐‬

‭𝐹‬(‭𝐸‬)‭‬ =− ‭𝐹‬(λ)( ‭𝐸‭²‬ ‬ )‭‭E
‬ q.2.2.15‬
‭Onde o sinal negativo pode ser ignorado, por indicar apenas a direção de integração.‬
‭Ao‬ ‭analisar‬ ‭essa‬ ‭transformação,‬ ‭não‬‭é‬‭tão‬‭óbvio‬‭ver‬‭que‬‭a‬‭energia‬‭do‬‭pico‬‭obtido‬‭de‬
‭um‬ ‭gráfico‬ ‭de‬ ‭comprimento‬ ‭de‬ ‭onda‬ ‭não‬ ‭corresponde‬ ‭à‬ ‭energia‬ ‭de‬ ‭pico‬ ‭dos‬ ‭dados‬
‭transformados‬ ‭corretamente.‬ ‭Porém,‬ ‭fica‬ ‭fácil‬ ‭ver‬ ‭que‬ ‭as‬ ‭mudanças‬ ‭de‬ ‭intensidade‬ ‭podem‬
‭influenciar‬ ‭fortemente‬ ‭nossas‬ ‭discussões‬ ‭sobre‬ ‭quais‬ ‭são‬ ‭as‬ ‭principais‬ ‭características‬ ‭do‬
‭material analisado, como regiões de absorção e transições eletrônicas. [29]‬

‭27‬
‭2.3.‬

‭Lantanídeos‬

‭O‬‭termo‬‭“lantanídeos”‬‭(Ln)‬‭é‬‭usado‬‭para‬‭se‬‭referir‬‭a‬‭elementos‬‭com‬‭número‬‭atômico‬
‭entre‬‭58‬‭e‬‭71‬‭(do‬‭Ce‬‭ao‬‭Lu,‬‭Fig.‬‭1.3.1)‬‭[30].‬‭A‬‭figura‬‭2.3.1‬‭mostra‬‭a‬‭tabela‬‭periódica‬‭com‬‭um‬
‭destaque‬ ‭em‬ ‭vermelho‬ ‭para‬ ‭os‬ ‭elementos‬ ‭lantanídeos‬ ‭Os‬ ‭lantanídeos‬ ‭possuem‬ ‭estrutura‬
‭eletrônica‬ ‭do‬ ‭Xenônio‬ ‭(Xe)‬ ‭(1s‬‭2‬ ‭2s‬‭2‬ ‭2p‬‭6‬ ‭3s‬‭2‬ ‭3p‬‭6‬ ‭3d‬‭10‬ ‭4s‬‭2‬ ‭4p‬‭6‬ ‭4d‬‭10‬ ‭5s‬‭2‬ ‭5p‬‭6‬‭),‬ ‭podendo‬ ‭ter‬ ‭nas‬
‭camadas mais externas dois elétrons ([Xe] 4f‬‭N‬ ‭6s‬‭2‬‭)‬‭ou três [Xe] 4f‬‭N‬ ‭5d‬‭1‬ ‭6s‬‭2‬‭.‬

‭Figura 2.3.1: Tabela periódica com destaque para os elementos terras raras. Fonte: [31].‬

‭Na‬‭formação‬‭dos‬‭íons,‬‭as‬‭camadas‬‭5d,‬‭6s‬‭e‬‭4f‬‭perdem‬‭seus‬‭elétrons,‬‭de‬‭tal‬‭forma‬‭que,‬
‭no‬‭estado‬‭trivalente,‬‭os‬‭íons‬‭lantanídeos‬‭terão‬‭a‬‭configuração‬‭eletrônica‬‭[Xe]4f‬‭N‭,‬ ‬‭onde‬‭N‬‭pode‬
‭assumir‬‭valores‬‭entre‬‭0‬‭e‬‭14.‬‭A‬‭tabela‬‭2.3.1‬‭apresenta‬‭um‬‭resumo‬‭de‬‭algumas‬‭características‬
‭dos íons lantanídeos.‬

‭28‬
‭Tabela 2.3.1: Tabela contendo informações sobre os elementos lantanídeos.‬

‭Elemento‬ N
‭ úmero‬
‭Raio‬
‭Atômico‬ ‭Atômico (Å)‬

‭Configuração‬
‭Eletrônica Neutra‬

‭Configuração‬
‭Eletrônica (Íon 3+)‬

‭Raio‬
‭Iônico‬
‭(Å)‬

‭La‬

‭57‬

‭1.87‬

‭[Xe] 5d¹6s²‬

‭[Xe]‬

‭1.032‬

‭Ce‬

‭58‬

‭1.81‬

‭[Xe] 4f¹5d¹6s²‬

‭[Xe] 4f¹‬

‭1.01‬

‭Pr‬

‭59‬

‭1.82‬

‭[Xe] 4f³6s²‬

‭[Xe] 4f²‬

‭0.99‬

‭Nd‬

‭60‬

‭1.82‬

‭[Xe] 4f⁴6s²‬

‭[Xe] 4f³‬

‭0.983‬

‭Pm‬

‭61‬

‭1.81‬

‭[Xe] 4f⁵6s²‬

‭[Xe] 4f⁴‬

‭0.977‬

‭Sm‬

‭62‬

‭1.80‬

‭[Xe] 4f⁶6s²‬

‭[Xe] 4f⁵‬

‭0.964‬

‭Eu‬

‭63‬

‭1.99‬

‭[Xe] 4f⁷6s²‬

‭[Xe] 4f⁶‬

‭0.950‬

‭Gd‬

‭64‬

‭1.79‬

‭[Xe] 4f⁷5d¹6s²‬

‭[Xe] 4f⁷‬

‭0.938‬

‭Tb‬

‭65‬

‭1.76‬

‭[Xe] 4f⁹6s²‬

‭[Xe] 4f⁸‬

‭0.923‬

‭Dy‬

‭66‬

‭1.75‬

‭[Xe] 4f¹⁰6s²‬

‭[Xe] 4f⁹‬

‭0.912‬

‭Ho‬

‭67‬

‭1.74‬

‭[Xe] 4f¹¹6s²‬

‭[Xe] 4f¹⁰‬

‭0.901‬

‭Er‬

‭68‬

‭1.73‬

‭[Xe] 4f¹²6s²‬

‭[Xe] 4f¹¹‬

‭0.890‬

‭Tm‬

‭69‬

‭1.72‬

‭[Xe] 4f¹³6s²‬

‭[Xe] 4f¹²‬

‭0.880‬

‭Yb‬

‭70‬

‭1.94‬

‭[Xe] 4f¹⁴6s²‬

‭[Xe] 4f¹³‬

‭0.868‬

‭Lu‬

‭71‬

‭1.72‬

‭[Xe] 4f¹⁴5d¹6s²‬

‭[Xe] 4f¹⁴‬

‭0.861‬

‭É‬‭dentro‬‭da‬‭camada‬‭4f‬‭que‬‭ocorrem‬‭as‬‭transições‬‭opticamente‬‭ativas‬‭que‬‭fazem‬‭desses‬
‭íons‬‭especialmente‬‭úteis‬‭para‬‭emissão‬‭de‬‭luz.‬ ‭A‬‭camada‬‭4f‬‭é‬‭mais‬‭interna‬‭do‬‭que‬‭as‬ ‭camadas‬
‭menos‬ ‭energéticas‬ ‭5s‬ ‭e‬ ‭5p,‬ ‭que‬ ‭a‬ ‭blindam‬ ‭eletrostaticamente,‬ ‭reduzindo‬ ‭efeitos‬ ‭de‬
‭perturbações‬ ‭do‬ ‭ambiente‬ ‭químico‬ ‭sobre‬ ‭as‬ ‭transições‬ ‭opticamente‬ ‭ativas.‬ ‭Esta‬ ‭blindagem‬
‭resulta‬ ‭na‬ ‭principal‬ ‭característica‬ ‭das‬ ‭emissões‬ ‭desses‬ ‭íons,‬ ‭emissões‬ ‭estreitas‬ ‭e‬ ‭pouco‬
‭dependentes da matriz hospedeira [32, 33].‬

‭29‬

‭Figura 2.3.2: Localização das camadas 4f, 5s, 5p e 6s do Gd‬‭3+‬‭; tendo em conta o raio e a densidade de‬
‭probabilidade radial de se encontrar seus elétrons. Fonte: [33].‬

‭A‬ ‭interpretação‬ ‭dos‬ ‭espectros‬ ‭de‬ ‭íons‬ ‭lantanídeos‬ ‭(RE)³⁺‬ ‭em‬ ‭cristais,‬ ‭crucial‬ ‭para‬ ‭a‬
‭compreensão‬ ‭de‬ ‭suas‬ ‭propriedades‬ ‭ópticas,‬ ‭fundamenta-se‬ ‭em‬ ‭medições‬ ‭espectroscópicas‬
‭sistemáticas‬ ‭realizadas‬ ‭por‬‭Dieke‬‭e‬‭Colaboradores,‬‭em‬‭1968,‬‭no‬‭cloreto‬‭de‬‭lantânio‬‭(LaCl‬‭3‬‭),‬
‭um‬‭hospedeiro‬‭padrão.‬‭Este‬‭diagrama‬‭de‬‭níveis‬‭de‬‭energia‬‭é‬‭conhecido‬‭hoje‬‭como‬‭diagrama‬
‭de‬ ‭Dieke‬ ‭(Figura‬ ‭2.3.3),‬ ‭uma‬ ‭representação‬ ‭gráfica‬ ‭das‬ ‭energias‬ ‭dos‬ ‭estados‬ ‭2S+1‬‭L‬‭J‬ ‭para‬ ‭os‬
‭íons‬ ‭(RE)³⁺‬ ‭no‬ ‭LaCl‬‭3‭.‬ ‬ ‭Neste‬ ‭diagrama,‬ ‭a‬ ‭largura‬ ‭de‬ ‭cada‬ ‭estado‬ ‭reflete‬ ‭a‬ ‭magnitude‬ ‭do‬
‭desdobramento‬ ‭do‬ ‭campo‬ ‭cristalino,‬ ‭resultante‬ ‭da‬ ‭interação‬ ‭entre‬ ‭os‬ ‭íons‬ ‭lantanídeos‬ ‭e‬ ‭o‬
‭ambiente‬‭cristalino‬‭do‬‭LaCl₃.‬‭O‬‭centro‬‭de‬‭gravidade‬‭de‬‭cada‬‭multiplete,‬‭por‬‭sua‬‭vez,‬‭indica‬‭a‬
‭localização‬ ‭aproximada‬ ‭do‬ ‭nível‬ ‭de‬ ‭energia‬ ‭2S+1‬‭L‬‭J‬ ‭do‬‭íon‬‭livre‬‭correspondente,‬‭permitindo‬‭a‬
‭comparação‬ ‭direta‬ ‭com‬ ‭cálculos‬ ‭teóricos‬ ‭e‬ ‭a‬ ‭análise‬ ‭das‬ ‭perturbações‬ ‭introduzidas‬ ‭pelo‬
‭campo cristalino.‬

‭30‬

‭Figura 2.3.3: Diagrama de energia de íons lantanídeos. Fonte:‬‭[34]‬

‭31‬
‭2.3.1.‬

‭Térbio‬

‭O‬ ‭térbio‬ ‭(Tb)‬ ‭é‬ ‭um‬ ‭elemento‬ ‭terra‬ ‭rara‬ ‭de‬ ‭número‬ ‭atômico‬ ‭65,‬ ‭com‬ ‭configuração‬
‭eletrônica‬‭[Xe]‬‭4f⁹6s².‬‭Sua‬‭forma‬‭iônica‬‭mais‬‭estável‬‭é‬‭a‬‭trivalente‬‭(Tb³⁺),‬‭cuja‬‭configuração‬
‭eletrônica‬‭é‬‭[Xe]‬‭4f⁸.‬‭As‬‭principais‬‭transições‬‭eletrônicas‬‭do‬‭íon‬‭Tb³⁺‬‭ocorrem‬‭nas‬‭regiões‬‭do‬
‭ultravioleta, azul e verde do espectro eletromagnético [35 - 39].‬
‭A‬ ‭Figura‬ ‭2.3.4‬ ‭apresenta‬ ‭um‬ ‭diagrama‬ ‭simplificado‬ ‭dos‬ ‭níveis‬ ‭de‬‭energia‬‭do‬‭Tb³⁺‬‭e‬
‭suas‬ ‭transições‬ ‭no‬ ‭espectro‬ ‭visível.‬ ‭As‬ ‭emissões‬ ‭características‬ ‭desse‬ ‭íon‬ ‭resultam‬ ‭das‬
‬
‭transições‬ ‭5‭D
₄→‬‭7‬‭Fⱼ‬‭(com‬‭j‬‭=‬‭3,‬‭4,‬‭5‬‭e‬‭6),‬‭sendo‬‭a‬‭mais‬‭intensa‬‭a‬‭transição‬‭5‬‭D₄→‬‭7‬‭F₅,‬‭que‬‭ocorre‬

‭por‬ ‭volta‬ ‭de‬ ‭544‬ ‭nm,‬ ‭as‬ ‭demaissão‬ ‭observadas‬ ‭em‬ ‭488‬ ‭nm,‬ ‭586‬ ‭nm‬ ‭e‬ ‭622‬ ‭nm.‬ ‭O‬ ‭estado‬
‬
‬
‭fundamental‬‭do‬‭Tb³⁺‬‭é‬ ‭7‭F
‬‭6‬ ‭e‬‭a‬‭separação‬‭energética‬‭entre‬‭o‬‭estado‬‭emissor‬‭5‭D
‬‭4‬ ‭e‬‭o‬‭nível‬‭7‬‭F‭0‬ ‬ ‭é‬

‭de‬ ‭aproximadamente‬ ‭15.000‬ ‭cm⁻¹,‬ ‭o‬ ‭que‬ ‭reduz‬ ‭significativamente‬ ‭a‬ ‭probabilidade‬ ‭de‬
‭decaimentos‬ ‭não‬ ‭radiativos‬ ‭[35].‬ ‭De‬ ‭maneira‬ ‭geral,‬ ‭as‬ ‭propriedades‬ ‭luminescentes‬ ‭dos‬
‭materiais‬ ‭dopados‬ ‭com‬ ‭Tb³⁺‬ ‭dependem‬ ‭tanto‬ ‭da‬ ‭concentração‬ ‭do‬ ‭ativador‬ ‭quanto‬ ‭das‬
‭características da matriz hospedeira [14].‬

‭Figura 2.3.4: Diagrama parcial de energia do íon Tb‬‭3+‬ ‭com as principais transições dos níveis‬‭5‬‭D‬‭3‬ ‭e‬
‭5‬

‭D‬‭4‬ ‭. Fonte: [40]‬

‭Mecanismos‬ ‭de‬ ‭fotoluminescência‬ ‭envolvendo‬ ‭o‬ ‭térbio‬ ‭já‬ ‭foram‬ ‭amplamente‬
‭estudados,‬‭incluindo‬‭os‬‭efeitos‬‭da‬‭concentração‬‭[39,‬‭41,‬‭42].‬‭Observou-se‬‭que‬‭o‬‭aumento‬‭na‬
‬
‭concentração‬ ‭de‬ ‭Tb‬‭3+‬ ‭favorece‬ ‭o‬ ‭processo‬ ‭de‬ ‭relaxação‬ ‭cruzada‬ ‭entre‬ ‭os‬ ‭níveis‬ ‭5‬‭D‬‭3‬ ‭e‬ ‭5‭D
‬‭4‬‭,‬

‭32‬
‭7‬
‭levando‬‭à‬‭supressão‬‭da‬‭emissão‬‭no‬‭ultravioleta‬‭5‬‭D‬‭3‭→
‬ ‬ ‭F‬‭j‬ ‭[41,‬‭43,‬‭44].‬‭O‬‭efeito‬‭da‬‭temperatura‬

‭também‬ ‭já‬ ‭foi‬ ‭investigado‬ ‭em‬ ‭algumas‬ ‭matrizes,‬ ‭evidenciando‬ ‭um‬ ‭quenching‬‭térmico‬‭mais‬
‭pronunciado nas transições do nível‬‭5‬‭D‭3‬ ‬ ‭em comparação‬‭com o nível‬‭5‬‭D‭4‬ ‬ ‭[45,46].‬
‭No‬ ‭estudo‬ ‭de‬ ‭Robbins‬ ‭et‬ ‭al.‬ ‭(1976)‬ ‭[44]‬‭,‬ ‭foi‬ ‭investigado‬ ‭o‬ ‭processo‬ ‭de‬ ‭relaxação‬
‭cruzada‬ ‭5‬‭D‭3‬ ‬‭→‭5‬ ‬‭D₄‬‭em‬‭YAG‬‭dopado‬‭com‬‭Tb³⁺,‬‭com‬‭base‬‭na‬‭análise‬‭das‬‭curvas‬‭de‬‭decaimento‬
‭do‬ ‭estado‬ ‭5‬‭D‭3‬ ‬ ‭para‬ ‭diferentes‬ ‭concentrações‬ ‭do‬ ‭dopante.‬ ‭Os‬ ‭autores‬‭demonstraram‬‭que,‬‭em‬
‭baixas‬ ‭concentrações‬ ‭(~0.1%),‬ ‭a‬ ‭emissão‬ ‭azul‬ ‭resultante‬ ‭do‬‭decaimento‬‭radiativo‬‭do‬‭estado‬
‭5‬

‭D‭3‬ ‬ ‭é‬ ‭predominante.‬ ‭No‬ ‭entanto,‬ ‭à‬‭medida‬‭que‬‭a‬‭concentração‬‭de‬‭Tb³⁺‬‭aumenta,‬‭a‬‭interação‬

‭entre‬ ‭íons‬ ‭próximos‬‭favorece‬‭a‬‭transferência‬‭de‬‭energia‬‭não‬‭radiativa‬‭via‬‭relaxação‬‭cruzada,‬
‬
‭aumentando‬ ‭a‬‭população‬‭do‬‭estado‬ ‭5‭D
‬‭4‬‭,‬‭responsável‬‭pela‬‭emissão‬‭verde‬‭intensa‬‭em‬‭544‬‭nm.‬

‭A‬ ‭análise‬ ‭dos‬ ‭tempos‬ ‭de‬ ‭decaimento‬ ‭revelou‬ ‭que‬ ‭a‬ ‭relaxação‬ ‭cruzada‬ ‭ocorre‬
‭predominantemente‬ ‭por‬ ‭acoplamento‬ ‭dipolo-dipolo,‬ ‭com‬ ‭uma‬ ‭distância‬ ‭crítica‬ ‭de‬ ‭interação‬
‭estimada‬‭em‬‭1.3‬‭nm.‬‭Além‬‭disso,‬‭experimentos‬‭realizados‬‭por‬‭Robbins‬‭et‬‭al.‬‭(1976)‬‭[44]‬ ‭em‬
‭temperaturas‬ ‭de‬ ‭10‬ ‭K,‬ ‭293‬ ‭K‬ ‭e‬ ‭500‬ ‭K‬ ‭indicaram‬ ‭que‬ ‭a‬ ‭eficiência‬ ‭desse‬ ‭processo‬ ‭é‬
‭essencialmente‬ ‭independente‬ ‭da‬ ‭temperatura,‬ ‭sugerindo‬ ‭uma‬ ‭transferência‬ ‭de‬ ‭energia‬
‭ressonante‬‭sem‬‭envolvimento‬‭significativo‬‭de‬‭fônons.‬‭Esses‬‭resultados‬‭são‬‭fundamentais‬‭para‬
‭a‬ ‭otimização‬ ‭de‬ ‭materiais‬ ‭luminescentes‬ ‭baseados‬ ‭no‬ ‭Tb³⁺,‬ ‭pois‬ ‭a‬ ‭eficiência‬ ‭da‬ ‭transição‬
‭5‬

‭7‬
‭D‭4‬ ‭→
‬ ‬ ‭F₅‬ ‭depende‬ ‭criticamente‬ ‭da‬ ‭concentração‬ ‭do‬ ‭dopante‬ ‭e‬ ‭do‬ ‭balanço‬ ‭entre‬ ‭relaxação‬

‭cruzada e mecanismos de quenching associados a centros não radiativos.‬
‭A‬ ‭dopagem‬ ‭com‬ ‭térbio‬ ‭tem‬ ‭diversas‬ ‭aplicações‬ ‭tecnológicas,‬ ‭incluindo‬ ‭detectores‬
‭baseados‬ ‭em‬ ‭silício,‬ ‭células‬ ‭solares‬ ‭e‬ ‭painéis‬ ‭de‬ ‭plasma‬ ‭(PDPs)‬ ‭[38].‬ ‭Vidros‬ ‭dopados‬ ‭com‬
‭Tb³⁺‬ ‭são‬ ‭frequentemente‬ ‭utilizados‬ ‭como‬ ‭fósforos‬ ‭em‬ ‭lâmpadas‬ ‭fluorescentes,‬ ‭tubos‬ ‭de‬
‭televisão‬‭de‬‭projeção‬‭e‬‭telas‬‭de‬‭intensificação‬‭de‬‭raios‬‭X‬‭[37].‬‭Além‬‭disso,‬‭materiais‬‭contendo‬
‭térbio‬‭têm‬‭sido‬‭explorados‬‭em‬‭termometria‬‭óptica‬‭[47‬‭-‬‭49],‬‭tema‬‭de‬‭investigação‬‭do‬‭presente‬
‭trabalho.‬ ‭Por‬ ‭exemplo,‬ ‭Xiao‬ ‭et‬ ‭al.‬

‭[48]‬ ‭sintetizaram‬ ‭Li₂SrSiO₄:Tb³⁺‬ ‭em‬ ‭diversas‬

‭concentrações,‬ ‭avaliando‬ ‭a‬ ‭influência‬ ‭da‬ ‭concentração‬ ‭no‬‭espectro‬‭de‬‭emissão‬‭e‬‭o‬‭efeito‬‭da‬
‭temperatura‬ ‭em‬ ‭amostras‬ ‭contendo‬ ‭0.4%‬ ‭de‬ ‭Tb³⁺.‬ ‭Utilizando‬ ‭o‬ ‭método‬ ‭FIR‬ ‭(Fluorescence‬
‭Intensity‬ ‭Ratio),‬ ‭os‬ ‭autores‬ ‭determinaram‬‭uma‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭máxima‬‭de‬‭0,46%‬‭K⁻¹.‬
‭Kaczmarek‬‭et‬‭al.‬‭[49]‬‭estudaram‬‭LnPOMs‬‭co-dopados‬‭com‬‭Eu³⁺‬‭e‬‭Tb³⁺,‬‭também‬‭aplicando‬‭o‬
‭método‬ ‭FIR,‬ ‭e‬ ‭obtiveram‬ ‭uma‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭de‬ ‭4.76%‬ ‭K⁻¹.‬ ‭Drabik‬ ‭et‬ ‭al.‬ ‭[47]‬
‭analisaram‬ ‭nanotermômetros‬ ‭luminescentes‬ ‭baseados‬ ‭na‬ ‭técnica‬ ‭SBR‬ ‭(Single‬ ‭Band‬
‭Ratiometric)‬ ‭em‬ ‭nanocristais‬ ‭de‬ ‭KLa₁₋ₓTbₓP₄O₁₂,‬ ‭alcançando‬ ‭uma‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭de‬
‭3.2% K⁻¹.‬

‭33‬
‭2.4.‬

‭YAG‬

‭O‬ ‭Y‭3‬ ‬‭Al‬‭l5‬‭O‭1‬ 2‬ ‭(YAG,‬‭sigla‬‭em‬‭inglês‬‭para‬‭granada‬‭de‬‭ítrio‬‭e‬‭alumínio)‬ ‭foi‬‭descoberto‬
‭em‬ ‭1964‬ ‭por‬ ‭Geusic‬ ‭e‬ ‭Van‬ ‭Uitert.‬ ‭Ele‬ ‭tem‬‭uma‬‭estrutura‬‭cúbica‬‭tipo‬‭granada,‬‭cuja‬‭fórmula‬
‭química‬ ‭genérica‬ ‭é‬ ‭“A‬‭3‭B
‬ ‭2‬ ‭C
‬ ‬‭3‬‭O‭1‬ 2‬‭”,‬ ‭onde‬ ‭A,B‬ ‭e‬ ‭C‬ ‭são‬ ‭íons‬‭metálicos‬‭[50].‬‭O‬‭YAG‬‭forma‬‭um‬
‭sistema binário Y‬‭2‬‭O‭3‬ ‬‭–Al‬‭2‬‭O‬‭3‭.‬ ‬
‭“Esta‬ ‭estrutura‬ ‭fornece‬ ‭um‬ ‭grande‬ ‭escopo‬ ‭para‬ ‭substituição‬ ‭em‬ ‭todos‬ ‭os‬ ‭seus‬ ‭sítios‬
‭catiônicos:‬ ‭dodecaédrico‬‭{A},‬‭octaédrico‬‭[B]‬‭e‬‭tetraédrico‬‭(C).‬‭No‬‭caso‬‭do‬‭Y₃Al₅O₁₂,‬‭o‬‭ítrio‬
‭está‬ ‭localizado‬ ‭nos‬ ‭sítios‬ ‭dodecaédricos‬ ‭(maiores)‬‭e‬‭o‬‭alumínio‬‭ocupa‬‭os‬‭sítios‬‭octaédrico‬‭e‬
‭tetraédrico.‬ ‭Devido‬ ‭aos‬ ‭efeitos‬ ‭de‬ ‭tamanho,‬ ‭os‬ ‭dopantes‬ ‭de‬ ‭terras‬ ‭raras‬ ‭(Re³⁺)‬ ‭podem‬
‭substituir‬‭parcialmente‬‭o‬‭Y³⁺‬‭situado‬‭nos‬‭sítios‬‭dodecaédricos”‬‭(FUKUDA;‬‭CHANI,‬‭2007,‬‭p.‬
‭173)[50].‬
‭A‬‭sua‬‭estrutura‬‭cristalina‬‭cúbica‬‭pertence‬‭ao‬‭grupo‬‭espacial‬‭Ia-3d,‬‭com‬‭parâmetro‬‭de‬
‭rede‬‭a‬‭de‬‭aproximadamente‬‭12,000‬‭Å‬ ‭[51].‬‭Sua‬‭célula‬‭unitária‬‭está‬‭mostrada‬‭na‬‭Figura‬‭2.4.1,‬
‭possui‬ ‭160‬ ‭átomos‬‭distribuídos‬‭da‬‭seguinte‬‭forma[52]:‬‭os‬‭átomos‬‭de‬‭alumínio‬‭possuem‬‭dois‬
‭sítios‬‭não‬‭equivalentes,‬‭um‬‭com‬‭simetria‬‭octaédrica‬‭ocupando‬‭24‬‭sítios‬‭e‬‭outro‬‭com‬‭simetria‬
‭tetraédrica‬‭ocupando‬‭16‬‭sítios;‬‭o‬‭ítrio‬‭ocupa‬‭24‬‭sítios,‬‭onde‬‭cada‬‭um‬‭é‬‭ligado‬‭a‬‭oito‬‭oxigênios‬
‭formando dodecaedros e há 96 sítios de oxigênios [53]‬

‭Figura 2.4.1: Representação da estrutura cristalina do Y‬‭3‬‭Al‬‭5‭O
‬ ‬‭12‬ ‭(YAG) (Powder diffraction‬
‭file-PDF-33-0040). Fonte:[52]‬

‭34‬
‭O‬‭YAG‬‭desperta‬‭interesse‬‭por‬‭sua‬‭estabilidade‬‭química,‬‭resistência‬‭mecânica,‬‭térmica‬
‭e‬ ‭baixa‬‭energia‬‭de‬‭fônon,‬‭sendo‬‭apropriado‬‭para‬‭diversas‬‭aplicações‬‭ópticas.‬‭Além‬‭disso,‬‭ele‬
‭é‬ ‭um‬ ‭material‬ ‭de‬ ‭baixo‬ ‭custo‬ ‭e‬ ‭fácil‬ ‭fabricação‬ ‭[50,‬ ‭54‬ ‭-‬ ‭56].‬ ‭A‬ ‭Tabela‬ ‭2.4.1‬ ‭apresenta‬
‭algumas propriedades do YAG.‬
‭Tabela 2.4.1: Propriedades do YAG (Adaptado de [50])‬

‭Estrutura (Grupo de espaço)‬

‭Cúbica (Ia3d)‬
‭4.553‬

−‭3‬

‭Densidade‬(‭𝑔‬‭/‬‭𝑐𝑚‬ )
‭Energia de fônon‬(‭𝑐𝑚‬ )

‭700‬

‭Seção de choque (Nd)‬

‭4‬. ‭2‬‭‬ × ‭10‬

‭Dureza (Mohs)‬

‭8.5‬

‭Condutividade Térmica a 300K‬(‭𝑊‬‭/‬‭𝑚𝐾‬)

‭13‬

−‭1‬

−‭19‬

‭Coeficiente de dilatação térmica (‬(‭10‬ ‭‬‭𝑚‬‭/‬‭𝐾‬)

‭7.5‬

‭Janela de transmissão‬(µ‭𝑚‬)

‭0.24 - 6‬

‭Temperatura de fusão‬

‭1980‬

‭Tipo de fusão‬

‭Congruente‬

‭Índice de refração‬

‭1.823‬

−‭6‬

−‭2‬

‭‬‭𝑐𝑚‬ ‭‬

‭Apesar‬‭do‬‭YAG‬‭não‬‭apresentar‬‭propriedades‬‭luminescentes‬‭intrínsecas,‬‭quando‬‭o‬‭ítrio‬
‭é‬‭parcialmente‬‭substituído‬‭por‬‭íons‬‭opticamente‬‭ativos,‬‭particularmente‬‭alguns‬‭lantanídeos,‬‭o‬
‭YAG‬ ‭ganha‬ ‭propriedades‬ ‭ópticas‬‭interessantes.‬‭Por‬‭exemplo,‬‭quando‬‭dopado‬‭com‬‭neodímio‬
‭ou‬‭érbio,‬‭pode‬‭ser‬‭usado‬‭como‬‭meio‬‭ativo‬‭para‬‭laser‬‭de‬‭estado‬‭sólido‬‭[57].‬‭Particularmente,‬‭a‬
‭dopagem‬ ‭com‬ ‭neodímio‬ ‭é‬ ‭mais‬ ‭conhecida‬ ‭devido‬ ‭a‬ ‭popularidade‬ ‭dos‬ ‭lasers‬ ‭de‬ ‭Nd:YAG.‬
‭Quando‬‭dopado‬‭com‬‭cério‬‭pode‬‭ser‬‭utilizado‬ ‭na‬‭geração‬‭de‬‭luz‬‭branca‬‭[58],‬‭e‬‭quando‬‭dopado‬
‭com‬‭Európio‬‭trivalente‬‭pode‬‭ser‬‭utilizado‬‭em‬‭displays‬‭por‬‭emissão‬‭de‬‭campo‬‭ou‬‭em‬‭tubo‬‭de‬
‭raios‬‭catódicos‬‭[59].‬‭Por‬‭fim,‬‭quando‬‭dopado‬‭com‬‭térbio‬‭apresenta‬‭promissoras‬‭aplicações‬‭em‬
‭painéis de plasma [60] e dosímetro termoluminescente [61].‬
‭Adicionalmente,‬ ‭alguns‬ ‭autores‬ ‭têm‬ ‭investigado‬ ‭o‬ ‭YAG‬ ‭como‬ ‭matriz‬‭cristalina‬‭para‬
‭aplicações‬ ‭em‬ ‭termometria‬ ‭óptica‬ ‭[62‬ ‭-‬ ‭69].‬‭Benayas‬‭et‬‭al.‬‭[69]‬‭sintetizaram‬‭nanopartículas‬

‭35‬
‭de‬ ‭Nd:YAG‬ ‭e‬ ‭demonstraram‬ ‭seu‬ ‭potencial‬ ‭para‬ ‭detecção‬ ‭de‬ ‭temperatura‬ ‭em‬ ‭sistemas‬
‭microeletrônicos,‬ ‭dispositivos‬ ‭optofluídicos‬ ‭e‬ ‭aplicações‬ ‭biológicas.‬ ‭Essas‬ ‭nanopartículas‬
‭apresentam‬‭boa‬‭dispersibilidade‬‭em‬‭água,‬‭o‬‭que‬‭amplia‬‭suas‬‭possibilidades‬‭de‬‭uso.‬‭A‬‭técnica‬
‭utilizada‬‭foi‬‭a‬‭razão‬‭de‬‭intensidade‬‭luminescente‬‭sob‬‭excitação‬‭em‬‭808‬‭nm,‬‭e‬‭a‬‭sensibilidade‬
‭máxima‬ ‭obtida‬ ‭foi‬ ‭de‬ ‭0.15%‬ ‭K⁻¹.‬‭Santos‬‭et‬‭al.‬‭[70]‬‭utilizaram‬‭técnicas‬‭de‬‭machine‬‭learning‬
‭para‬‭estimar‬‭a‬‭temperatura‬‭de‬‭partículas‬‭submicrométricas‬‭de‬‭Nd:YAG‬‭na‬‭faixa‬‭de‬‭860‬‭a‬‭960‬
‭nm.‬ ‭Os‬ ‭autores‬ ‭destacaram‬ ‭a‬ ‭vantagem‬ ‭de‬ ‭utilizar‬ ‭machine‬ ‭learning‬ ‭em‬ ‭relação‬ ‭à‬‭métodos‬
‭tradicionais,‬ ‭obtendo‬ ‭uma‬ ‭melhoria‬ ‭de‬ ‭mais‬ ‭de‬ ‭5.5‬ ‭vezes‬ ‭na‬ ‭precisão.‬ ‭Bao‬ ‭et‬ ‭al.‬ ‭[62]‬
‭desenvolveram‬ ‭uma‬ ‭fibra‬ ‭óptica‬ ‭de‬ ‭cristal‬ ‭único‬ ‭de‬ ‭YAG‬ ‭com‬‭extremidade‬‭co-dopada‬‭com‬
‭Er³⁺/Yb³⁺,‬ ‭a‬ ‭qual‬ ‭foi‬ ‭excitada‬ ‭por‬ ‭um‬ ‭diodo‬ ‭laser‬ ‭de‬ ‭976‬ ‭nm.‬ ‭A‬ ‭termometria‬ ‭óptica‬ ‭foi‬
‭realizada‬‭com‬‭base‬‭na‬‭luminescência‬‭de‬‭conversão‬‭ascendente‬‭na‬‭faixa‬‭de‬‭temperatura‬‭de‬‭298‬
‭K‬ ‭a‬ ‭723‬ ‭K,‬ ‭utilizando‬ ‭a‬ ‭técnica‬ ‭de‬ ‭razão‬ ‭de‬ ‭intensidade‬ ‭de‬ ‭fluorescência.‬ ‭A‬ ‭sensibilidade‬
‭máxima alcançada foi de 0.486% K⁻¹.‬
‭Diante‬ ‭do‬ ‭bom‬ ‭desempenho‬ ‭do‬ ‭YAG‬ ‭como‬ ‭matriz‬ ‭para‬ ‭uso‬ ‭em‬‭termometria‬‭óptica,‬
‭este‬‭trabalho‬‭pretende‬‭avaliar‬‭o‬‭potencial‬‭da‬‭dopagem‬‭com‬‭Tb‬‭3+‬ ‭para‬‭medição‬‭de‬‭temperatura‬
‭em um amplo intervalo, de 20 a 320 K, para diversas concentrações do dopante.‬

‭36‬
‭3.‬‭Metodologia‬
‭3.1.‬

‭Síntese‬

‭O‬‭material‬‭foi‬‭cedido‬‭pelo‬‭Professor‬‭Dr‬‭Jerre‬‭Cristiano,‬‭da‬‭UFRB,‬‭e‬‭são‬‭na‬‭forma‬‭de‬
‭pastilhas‬‭cerâmicas‬‭de‬‭YAG:Tb‬‭com‬‭diâmetro‬‭de‬‭4‬‭mm.‬‭As‬‭cerâmicas‬‭foram‬‭obtidas‬‭a‬‭partir‬
‭da‬ ‭sinterização‬ ‭dos‬ ‭pós‬ ‭de‬ ‭YAG:Tb‬ ‭usando‬ ‭um‬ ‭laser‬ ‭de‬ ‭CO‬‭2‬ ‭como‬ ‭principal‬ ‭fonte‬ ‭de‬
‭aquecimento.‬ ‭Os‬ ‭pós‬ ‭foram‬ ‭produzidos‬ ‭pelo‬ ‭método‬ ‭dos‬ ‭precursores‬ ‭poliméricos.‬ ‭Este‬
‭método‬ ‭é‬ ‭baseado‬ ‭na‬ ‭formação‬ ‭de‬ ‭uma‬ ‭solução‬ ‭química‬ ‭contendo‬ ‭os‬ ‭íons‬ ‭metálicos‬
‭aprisionados‬‭em‬‭uma‬‭cadeia‬‭polimérica‬‭formada‬‭por‬‭ácido‬‭cítrico‬‭(AC)‬‭e‬‭etileno‬‭glicol‬‭(EG).‬
‭Em‬‭seguida‬‭essa‬‭solução‬‭passa‬‭por‬‭um‬‭processo‬‭térmico‬‭de‬‭eliminação‬‭de‬‭material‬‭orgânicco‬
‭e‬ ‭posterior‬ ‭calcinação‬ ‭para‬ ‭a‬ ‭formação‬ ‭da‬ ‭fase‬ ‭cristalina.‬ ‭O‬ ‭procedimento‬ ‭detalhado‬ ‭da‬
‭síntese‬ ‭encontra-se‬ ‭no‬ ‭artigo‬ ‭“‬‭Laser‬ ‭sintering‬ ‭and‬ ‭photoluminescence‬ ‭study‬ ‭of‬ ‭Tb-doped‬
‭yttrium‬ ‭aluminum‬‭garnet‬‭ceramics‬‭”‬‭[42]‬‭.‬‭A‬‭Figura‬‭3.1.1‬‭mostra‬‭um‬‭fluxograma‬‭que‬‭resume‬
‭esse procedimento.‬

‭Figura 3.1.1: Fluxograma do processo de síntese das cerâmicas de YAG:Tb. Fonte: Autor Próprio‬

‭37‬
‭3.2.‬

‭Fotoluminescência em função da temperatura‬

‭Para‬ ‭a‬ ‭realização‬ ‭dos‬ ‭experimentos‬ ‭de‬ ‭fotoluminescência,‬ ‭as‬ ‭amostras‬ ‭de‬ ‭YAG:Tb‬
‭com‬‭concentrações‬‭de‬‭0,5%,‬‭1%‬‭e‬‭2%‬‭foram‬‭fixadas‬‭no‬‭dedo‬‭frio‬‭do‬‭criostato‬‭e‬‭o‬‭sistema‬‭foi‬
‭resfriado‬‭até‬‭20‬‭K.‬‭Em‬‭seguida,‬‭a‬‭temperatura‬‭foi‬‭aumentada‬‭gradualmente‬‭em‬‭intervalos‬‭de‬
‭20K,‬ ‭com‬ ‭um‬ ‭tempo‬ ‭de‬ ‭estabilização‬ ‭térmica‬ ‭de‬ ‭cinco‬ ‭minutos.‬ ‭Para‬ ‭cada‬ ‭temperatura‬ ‭foi‬
‭medido‬ ‭um‬ ‭espectro‬ ‭de‬ ‭fotoluminescência‬ ‭utilizando‬ ‭excitação‬ ‭em‬ ‭375‬ ‭nm,‬‭com‬‭uma‬‭lente‬
‭entre‬ ‭a‬ ‭amostra‬ ‭e‬ ‭a‬ ‭excitação,‬ ‭para‬ ‭focalizar‬ ‭a‬ ‭luz‬ ‭na‬ ‭amostra,‬ ‭e‬ ‭com‬ ‭um‬ ‭filtro‬ ‭de‬‭400‬‭nm‬
‭entre‬ ‭a‬ ‭amostra‬ ‭e‬ ‭a‬ ‭coleta,‬ ‭para‬ ‭não‬ ‭saturar‬ ‭o‬ ‭espectrômetro‬ ‭(Thorlabs‬ ‭CSS200)‬ ‭com‬ ‭a‬
‭reflexão.‬ ‭Esse‬ ‭procedimento‬ ‭foi‬ ‭adotado‬ ‭até‬ ‭atingir‬ ‭320‬ ‭K.‬ ‭Procedimento‬ ‭análogo‬ ‭foi‬
‭utilizado‬‭para‬‭realização‬‭da‬‭espectroscopia‬‭Raman‬‭em‬‭função‬‭da‬‭temperatura‬‭para‬‭a‬‭amostra‬
‭com‬‭2%‬‭de‬‭Tb³⁺,‬‭agora‬‭usando‬‭como‬‭excitação‬‭em‬‭785‬‭nm‬‭e‬‭para‬‭a‬‭coleta‬‭um‬‭espectrômetro‬
‭Ocean Optics QEPro. Os dados foram analisados após aquisição.‬
‭Os‬‭espectros‬‭de‬‭fotoluminescência‬‭passaram‬‭por‬‭um‬‭tratamento‬‭de‬‭dados,‬‭incluindo‬‭a‬
‭transformação‬ ‭jacobiana,‬ ‭convertendo‬ ‭os‬ ‭espectros‬ ‭de‬ ‭comprimento‬ ‭de‬ ‭onda‬ ‭(nm)‬ ‭para‬
‭energia‬ ‭(eV),‬ ‭seguida‬‭de‬‭uma‬‭análise‬‭termométrica‬‭baseada‬‭nos‬‭picos‬‭e‬‭áreas‬‭das‬‭bandas‬‭de‬
‭emissão usando o Python.‬
‭Para‬ ‭a‬ ‭análise‬ ‭do‬ ‭sinal‬ ‭luminescente‬ ‭medido‬ ‭na‬ ‭espectroscopia‬ ‭Raman,‬ ‭os‬ ‭dados‬
‭foram‬ ‭mantidos‬ ‭em‬ ‭unidades‬ ‭de‬ ‭número‬ ‭de‬ ‭onda‬ ‭(cm⁻¹),‬ ‭que‬‭correspondem‬‭a‬‭uma‬‭unidade‬
‭proporcional‬ ‭à‬ ‭energia‬ ‭quando‬ ‭multiplicadas‬ ‭pela‬ ‭constante‬ ‭de‬ ‭Planck‬‭e‬‭pela‬‭velocidade‬‭da‬
‭luz,‬‭garantindo‬‭a‬‭coerência‬‭da‬‭análise.‬‭A‬‭Figura‬‭3.2.1‬‭apresenta‬‭um‬‭fluxograma‬‭que‬‭resume‬‭o‬
‭processo feito e a Figura 3.2.2 mostra o esquema experimental utilizado no experimento.‬

‭38‬

‭Figura 3.2.1: Fluxograma do processo de medidas de Fotoluminescência e Raman em função da‬
‭temperatura e a posterior análise termométrica. Fonte: Autor Próprio‬

‭Figura 3.2.2: Esquema do aparato utilizado nos experimentos. Fonte: Autor Próprio‬

‭39‬
‭Devido‬ ‭às‬ ‭diferenças‬ ‭na‬ ‭intensidade‬ ‭de‬ ‭emissão‬ ‭das‬ ‭amostras,‬ ‭foi‬ ‭necessário‬ ‭adotar‬
‭tempos‬‭de‬‭integração‬‭distintos.‬‭A‬‭amostra‬‭com‬‭2%‬‭de‬‭Tb³⁺‬‭apresentou‬‭a‬‭maior‬‭intensidade‬‭de‬
‭emissão,‬‭seguida‬‭pela‬‭de‬‭1%‬‭e,‬‭por‬‭fim,‬‭pela‬‭de‬‭0,5%.‬‭Como‬‭consequência,‬‭uma‬‭comparação‬
‭quantitativa‬ ‭direta‬ ‭entre‬ ‭as‬ ‭intensidades‬ ‭não‬ ‭foi‬ ‭possível,‬ ‭pois‬ ‭o‬ ‭tempo‬ ‭de‬ ‭integração‬
‭necessário‬‭para‬‭otimizar‬‭a‬‭relação‬‭sinal/ruído‬‭na‬‭amostra‬‭de‬‭menor‬‭concentração‬‭resultaria‬‭na‬
‭saturação‬ ‭do‬ ‭espectrômetro‬ ‭para‬ ‭as‬ ‭demais.‬ ‭No‬ ‭entanto,‬ ‭foi‬ ‭viável‬ ‭realizar‬ ‭uma‬ ‭análise‬
‭qualitativa dos espectros normalizados.‬

‭40‬
‭4.‬‭Resultados e Discussões‬
‭4.1.‬

‭Fotoluminescência‬

‭As‬‭amostras‬‭foram‬‭excitadas‬‭em‬‭375‬‭nm‬‭com‬‭um‬‭filtro‬‭de‬‭400‬‭nm‬‭entre‬‭a‬‭amostra‬‭e‬‭a‬
‭coleta‬‭do‬‭sinal.‬‭A‬‭Figura‬‭4.1.1‬‭mostra‬‭o‬‭espectro‬‭de‬‭fotoluminescência‬‭da‬‭amostra‬‭05Tb‬‭e‬‭faz‬
‭um‬‭comparativo‬‭entre‬‭os‬‭espectros‬‭a‬‭20,8‬‭K‬‭e‬‭320‬‭K‬‭.‬‭As‬‭emissões‬‭observadas‬‭correspondem‬
‬
‬
‭às‬‭transições‬ ‭5‭D
‬‭4‬‭-‬‭7‭F
‬‭J‬ ‭(J‬‭de‬‭3‬‭a‬‭6)‬‭do‬‭Tb‬‭3+‬‭.‬‭Apesar‬‭de‬‭ter‬‭sido‬‭usada‬‭a‬‭amostra‬‭de‬‭05Tb,‬‭todas‬

‭as‬ ‭demais‬ ‭apresentam‬ ‭comportamentos‬ ‭semelhantes‬ ‭para‬ ‭os‬ ‭espectros‬ ‭normalizados.‬ ‭É‬
‭possível‬‭observar‬‭que‬‭há‬‭o‬‭surgimento‬‭de‬‭novas‬‭linhas‬‭stark‬‭com‬‭o‬‭aumento‬‭da‬‭temperatura.‬
‬
‬
‭Por‬ ‭exemplo,‬ ‭a‬ ‭transição‬ ‭5‭D
‬‭4‬ ‭-‬ ‭7‭F
‬‭4‬ ‭apresenta‬‭um‬‭desdobramento‬‭em‬‭4‬‭linhas‬‭de‬‭emissão‬‭em‬

‭20,8K‬‭e‬‭7‬‭linhas‬‭a‬‭320‬‭K.‬‭Nota-se‬‭também‬‭que‬‭há‬‭um‬‭alargamento‬‭dos‬‭picos‬‭e‬‭mudanças‬‭de‬
‭intensidade‬ ‭relativa‬ ‭entre‬ ‭alguns‬ ‭picos.‬ ‭Esta‬ ‭última‬ ‭é‬ ‭particularmente‬ ‭interessante‬ ‭para‬
‭termometria baseada na razão entre picos.‬

‭Figura 4.1.1: Comparação dos espectros normalizados de emissão, em 20.8 e 320K. Excitação em 375‬
‭nm.‬

‭A‬‭Figura‬‭4.1.2‬‭mostra,‬‭para‬‭cada‬‭concentração,‬‭os‬‭espectros‬‭de‬‭emissão‬‭obtidos‬‭entre‬
‭20‬ ‭e‬ ‭320‬ ‭K.‬ ‭Os‬ ‭espectros‬ ‭foram‬ ‭obtidos‬ ‭a‬ ‭cada‬‭20‬‭K‬‭sob‬‭excitação‬‭em‬‭375‬‭nm.‬‭É‬‭possível‬
‭observar‬ ‭que‬ ‭o‬ ‭comportamento‬ ‭dos‬ ‭espectros‬ ‭de‬ ‭emissão‬ ‭depende‬ ‭da‬ ‭concentração‬ ‭de‬

‭41‬
‭dopantes.‬‭As‬‭amostras‬‭05Tb‬‭e‬‭1Tb‬‭mostram‬‭um‬‭comportamento‬‭decrescente‬‭monotônico‬‭com‬
‭o‬‭aumento‬‭da‬‭temperatura.‬‭Esta‬‭diminuição‬‭de‬‭intensidade‬‭pode‬‭ser‬‭associada‬‭a‬‭um‬‭processo‬
‭de‬ ‭quenching‬ ‭térmico.‬ ‭Em‬ ‭contrapartida,‬ ‭a‬ ‭amostra‬ ‭2Tb‬ ‭apresenta‬ ‭inicialmente‬ ‭uma‬
‭diminuição‬ ‭da‬ ‭luminescência‬ ‭seguida‬ ‭de‬ ‭um‬ ‭posterior‬ ‭aumento‬ ‭para‬‭temperaturas‬‭acima‬‭de‬
‭80‬ ‭K.‬ ‭Isso‬ ‭sugere‬ ‭que‬ ‭inicialmente‬ ‭há‬ ‭um‬ ‭processo‬ ‭de‬ ‭quenching‬ ‭térmico,‬ ‭mas‬ ‭quando‬ ‭a‬
‭temperatura‬ ‭atinge‬ ‭o‬ ‭limite‬ ‭de‬ ‭80‬ ‭K‬ ‭inicia-se‬ ‭um‬ ‭processo‬ ‭de‬ ‭emissão‬ ‭termicamente‬
‭estimulado, suprimindo o quenching térmico.‬

‭Figura 4.1.2: Espectro de emissão do YAG:Tb em várias temperaturas para as concentrações de a) 2%‬
‭Tb; b) 1%Tb ; C) 0,5% Tb .‬

‭42‬
‭Os‬

‭comportamentos‬

‭qualitativos‬

‭observados‬

‭anteriormente‬

‭refletem-se‬

‭quantitativamente‬ ‭na‬ ‭área‬ ‭total‬ ‭dos‬ ‭espectros‬ ‭em‬ ‭função‬ ‭da‬ ‭temperatura‬ ‭(Figura‬ ‭4.1.3).‬
‭Nota-se‬‭que‬‭a‬‭área‬‭total‬‭das‬‭amostras‬‭05Tb‬‭e‬‭1Tb‬‭diminuem‬‭com‬‭a‬‭temperatura‬‭enquanto‬‭que‬
‭2Tb apresenta um comportamento do tipo sigmóide.‬

‭Figura 4.1.3: Evolução da área total do espectro de emissão da transição‬‭em função da temperatura‬

‭Esse‬ ‭efeito‬ ‭de‬ ‭aumento‬ ‭da‬ ‭emissão‬ ‭com‬ ‭a‬ ‭temperatura‬ ‭é‬ ‭chamado‬ ‭de‬ ‭anti‬ ‭thermal‬
‭quenching‬ ‭[71]‬ ‭,‬ ‭porém‬ ‭há‬ ‭outros‬ ‭trabalhos‬ ‭que‬ ‭relatam‬ ‭esse‬ ‭fenômeno‬ ‭como‬ ‭negative‬
‭thermal‬ ‭quenching‬ ‭[72],‬ ‭reverse‬ ‭thermal‬ ‭quenching‬‭[72],‬‭abnormal‬‭thermal‬‭quenching‬‭[73]‬
‭ou‬ ‭ainda‬ ‭anomalous‬ ‭Thermal‬‭Quenching‬‭[74]‬‭.‬‭Esse‬‭efeito‬‭é‬‭desejado‬‭em‬‭leds‬‭e‬‭dispositivos‬
‭optoeletrônicos,‬ ‭pois‬ ‭o‬ ‭aumento‬ ‭da‬ ‭temperatura‬ ‭geralmente‬ ‭leva‬ ‭a‬ ‭um‬ ‭quenching‬ ‭térmico,‬
‭reduzindo a intensidade luminosa.‬
‭LI‬‭et‬‭al‬‭(2023)‬‭[72]‬‭estudaram‬‭esse‬‭fenômeno‬‭no‬‭BaSc‬‭2‬‭Ge‬‭3‬‭O‬‭10‬‭:Pr‬‭3+‬ ‭e‬‭observaram‬‭uma‬
‭redução‬‭na‬‭intensidade‬‭de‬‭emissão‬‭integrada‬‭com‬‭o‬‭aumento‬‭da‬‭temperatura‬‭entre‬‭90‬‭e‬‭173K‬
‭e‬‭entre‬‭173‬‭e‬‭253K‬‭foi‬‭observado‬‭um‬‭aumento‬‭da‬‭intensidade‬‭chegando‬‭a‬‭um‬‭valor‬‭máximo‬‭e‬

‭43‬
‭acima‬‭de‬‭253K‬‭o‬‭quenching‬‭térmico‬‭foi‬‭observado.‬‭Nesse‬‭caso‬‭os‬‭autores‬‭propuseram‬‭que‬‭a‬
‭extinção‬ ‭térmica‬ ‭reversa‬ ‭decorre‬‭de‬‭defeitos‬‭termicamente‬‭ativados,‬‭que‬‭foram‬‭confirmados‬
‭por meio dos resultados de termoluminescência.‬
‭Há‬ ‭alguns‬ ‭trabalhos‬ ‭contendo‬ ‭o‬ ‭térbio‬ ‭que‬ ‭relatam‬ ‭esse‬ ‭aumento‬ ‭de‬‭emissão‬‭com‬‭o‬
‭aumento‬‭da‬‭temperatura‬‭[71,73,‬‭75-78],‬‭onde‬‭alguns‬‭têm‬‭apenas‬‭o‬‭térbio‬‭como‬‭elemento‬‭terra‬
‭rara‬ ‭[75,76,78]e‬ ‭outros‬ ‭têm‬ ‭a‬ ‭presença‬ ‭de‬ ‭co-dopantes‬ ‭[71,73,77],‬ ‭porém‬ ‭todos‬ ‭eles‬‭são‬‭de‬
‭temperaturas‬ ‭acima‬ ‭da‬ ‭temperatura‬ ‭ambiente,‬ ‭diferente‬ ‭desse‬ ‭trabalho‬ ‭que‬ ‭apresenta‬ ‭esse‬
‭fenômeno em temperaturas abaixo da ambiente.‬
‭CHEN‬ ‭et‬‭al‬‭(2018)‬‭[76]‬ ‭sintetizaram‬‭Sr₈ZnSc(PO₄)₇:xTb,‬‭em‬‭várias‬‭concentrações‬‭e‬
‭observaram‬‭que‬‭há‬‭um‬‭processo‬‭de‬‭anti‬‭thermal‬‭quenching‬‭entre‬‭25‬‭e‬‭75ºC,‬‭seguido‬‭por‬‭um‬
‭processo‬ ‭de‬‭quenching.‬‭Também‬‭foi‬‭observado‬‭um‬‭processo‬‭de‬‭zero‬‭Thermal‬‭quenching‬‭em‬
‭altas‬ ‭temperaturas.‬‭Os‬‭autores‬‭atribuíram‬‭ambos‬‭os‬‭processos‬‭à‬‭presença‬‭de‬‭armadilhas,‬‭que‬
‭foram confirmadas com as curvas de termoluminescência.‬
‭LI‬ ‭et‬ ‭al‬ ‭(2019)‬ ‭[71]‬ ‭prepararam‬ ‭amostras‬ ‭de‬ ‭Sr₈MgCe(PO₄)₇:Tb³⁺‬ ‭em‬ ‭várias‬
‭concentrações‬‭e‬‭foi‬‭observado‬‭a‬‭emissão‬‭do‬‭hospedeiro‬‭diminui‬‭ligeiramente‬‭com‬‭o‬‭aumento‬
‭de‬ ‭temperatura‬ ‭e‬ ‭a‬ ‭emissão‬ ‭do‬ ‭térbio‬ ‭apresenta‬ ‭um‬ ‭comportamento‬ ‭de‬ ‭anti‬ ‭thermal‬
‭quenching.‬ ‭Os‬ ‭autores‬ ‭não‬ ‭puderam‬ ‭atribuir‬ ‭esse‬ ‭comportamento‬ ‭a‬ ‭presença‬ ‭de‬‭armadilhas‬
‭por‬ ‭não‬ ‭obterem‬ ‭sinal‬ ‭nas‬ ‭medidas‬ ‭de‬‭Termoluminescência,‬‭então‬‭propuseram‬‭o‬‭modelo‬‭de‬
‭relaxação cruzada para explicar o comportamento anômalo de quenching térmico do Tb³⁺‬
‭De‬‭acordo‬‭com‬‭os‬‭autores‬‭“O‬‭aumento‬‭da‬‭temperatura‬‭fornece‬‭energia‬‭extra‬‭(ΔE₁)‬‭aos‬
‭elétrons,‬ ‭que‬ ‭então‬ ‭se‬ ‭transferem‬ ‭da‬ ‭base‬ ‭do‬ ‭estado‬ ‭5d‬ ‭para‬ ‭o‬ ‭ponto‬ ‭de‬ ‭cruzamento‬ ‭dos‬
‭estados‬ ‭4f‬ ‭e‬ ‭5d,‬ ‭retornando‬ ‭ao‬ ‭estado‬ ‭fundamental‬ ‭por‬ ‭meio‬ ‭de‬ ‭transição‬ ‭não-radiativa,‬
‭resultando‬ ‭no‬ ‭quenching‬ ‭térmico.‬ ‭O‬ ‭acoplamento‬ ‭elétron–fônon‬ ‭torna-se‬ ‭mais‬ ‭forte,‬
‭permitindo‬ ‭que‬‭mais‬‭elétrons‬‭superem‬‭a‬‭menor‬‭barreira‬‭de‬‭energia‬‭ΔE2‬‭e‬‭se‬‭transfiram‬‭para‬
‬
‭os‬ ‭estados‬ ‭5‬‭Dⱼ‬ ‭do‬ ‭Tb³⁺.‬ ‭Enquanto‬ ‭isso,‬ ‭os‬ ‭elétrons‬ ‭transferidos‬ ‭para‬ ‭os‬‭estados‬ ‭5‭D
ⱼ‬‭de‬‭Tb³⁺‬
‬
‭retornam‬ ‭diretamente‬ ‭aos‬ ‭estados‬ ‭fundamentais‬ ‭7‭F
ⱼ,‬ ‭emitindo‬ ‭luz‬ ‭verde,‬ ‭ou‬ ‭adquirem‬ ‭uma‬

‭energia‬‭maior‬‭(ΔE₃)‬‭para‬‭sofrer‬‭quenching‬‭térmico‬‭por‬‭meio‬‭de‬‭transição‬‭não-radiativa.‬‭Com‬
‬
‭o‬ ‭aumento‬ ‭da‬ ‭temperatura,‬ ‭se‬ ‭a‬‭taxa‬‭de‬‭reabastecimento‬‭de‬‭elétrons‬‭em‬ ‭5‭D
ⱼ‬‭(caminho‬‭2)‬‭for‬

‭maior‬‭que‬‭a‬‭taxa‬‭de‬‭transição‬‭não-radiativa‬‭(caminho‬‭3),‬‭a‬‭emissão‬‭verde‬‭de‬‭Tb³⁺‬‭apresentará‬
‭comportamento‬‭de‬‭anti-quenching‬‭térmico.”(Li‬‭et‬‭al.,‬‭2021,‬‭p.‬‭5).‬‭A‬‭figura‬‭4.1.4‬‭ilustra‬‭todo‬‭o‬
‭processo em termos de coordenadas configuracionais.‬

‭44‬

‭Figura 4.1.4: Diagrama coordenado configuracional simplificado de Sr‬‭8‬‭MgCe(PO‬‭4‬‭)‬‭7‭:‬ Tb‬‭3+‬‭. Fonte: [71]‬

‭No‬‭presente‬‭trabalho,‬‭o‬‭fenômeno‬‭de‬‭anti-thermal‬‭quenching‬‭foi‬‭observado‬‭apenas‬‭na‬
‭amostra‬ ‭de‬ ‭2Tb‬ ‭e‬ ‭não‬ ‭há‬ ‭relato‬ ‭na‬ ‭literatura‬ ‭de‬ ‭termoluminescência‬ ‭do‬ ‭YAG:Tb‬ ‭com‬
‭excitação‬ ‭em‬ ‭luz‬ ‭visível,‬ ‭apenas‬ ‭com‬ ‭radiação‬ ‭ionizante,‬ ‭como‬ ‭relatado‬ ‭no‬ ‭trabalho‬ ‭de‬
‭Santos, J. C. A. D. (2016)‬‭[52]‬‭e de YOU et al (2012)‬‭[79].‬
‭Há‬‭duas‬‭explicações‬‭possíveis‬‭para‬‭o‬‭comportamento‬‭aqui‬‭observado:‬‭Uma‬‭seria‬‭que‬
‭o‬ ‭aumento‬ ‭da‬ ‭concentração‬ ‭induz‬ ‭a‬ ‭presença‬ ‭de‬ ‭defeitos‬ ‭e‬ ‭armadilhas‬ ‭rasas,‬ ‭e‬ ‭o‬
‭desarmadilhamento‬ ‭seria‬ ‭observado‬ ‭apenas‬ ‭em‬ ‭temperaturas‬ ‭abaixo‬ ‭da‬ ‭ambiente,‬ ‭devido‬ ‭a‬
‭necessidade‬‭de‬‭pouca‬‭energia‬‭térmica‬‭para‬‭criar‬‭esse‬‭processo.‬‭A‬‭emissão‬‭termoluminescente‬
‭proveniente‬ ‭do‬ ‭desarmadilhamento‬ ‭explicaria‬ ‭o‬ ‭aumento‬ ‭de‬ ‭emissão‬ ‭fotoluminescente.‬
‭Porém,‬ ‭para‬ ‭provar‬ ‭essa‬ ‭hipótese‬ ‭seria‬ ‭necessário‬ ‭realizar‬ ‭estudos‬ ‭de‬ ‭termoluminescência,‬
‭além‬ ‭de‬ ‭ser‬ ‭pouco‬ ‭provável,‬ ‭uma‬‭vez‬‭que‬‭não‬‭há‬‭evidências‬‭de‬‭emissão‬‭termoluminescente‬
‭com excitação em luz visível na literatura.‬
‭Outra‬ ‭hipótese‬ ‭semelhante‬ ‭seria‬ ‭a‬ ‭descrita‬ ‭por‬ ‭LI‬ ‭et‬ ‭al‬ ‭(2019)‬ ‭[71],‬ ‭uma‬ ‭vez‬ ‭que‬ ‭é‬
‭conhecido‬ ‭que‬ ‭o‬ ‭aumento‬ ‭da‬ ‭concentração‬ ‭favorece‬‭o‬‭processo‬‭de‬‭relaxação‬‭cruzada‬‭[35]‬‭e‬
‭esse‬ ‭efeito‬ ‭anti‬ ‭thermal‬ ‭quenching‬ ‭foi‬ ‭observado‬ ‭apenas‬ ‭para‬ ‭a‬ ‭amostra‬ ‭de‬ ‭maior‬

‭45‬
‭concentração‬‭no‬‭nosso‬‭trabalho.‬‭Onde‬‭os‬‭fatores‬‭de‬‭aumento‬‭de‬‭temperatura,‬‭que‬‭favorece‬‭o‬
‭processo‬ ‭de‬ ‭transição‬ ‭assistida‬ ‭por‬ ‭fônons,‬ ‭junto‬ ‭com‬‭o‬‭processo‬‭de‬‭relaxação‬‭cruzada,‬‭que‬
‭favorece‬ ‭as‬ ‭transições‬ ‭envolvidas‬ ‭com‬ ‭o‬ ‭nível‬ ‭5‬‭D‬‭4‬ ‭,‬ ‭conseguem‬ ‭sobrepor‬ ‭os‬ ‭processos‬ ‭de‬
‭transições‬ ‭não‬ ‭radiativas.‬ ‭Essa‬ ‭hipótese‬ ‭é‬ ‭a‬ ‭mais‬ ‭provável,‬ ‭por‬ ‭haver‬ ‭vários‬ ‭fatores‬ ‭em‬
‭comum‬‭com‬‭LI‬‭et‬‭al‬‭(2019)‬‭[71]‬‭,‬‭onde‬‭não‬‭há‬‭evidência‬‭de‬‭emissão‬‭por‬‭termoluminescência‬‭e‬
‭por depender fortemente do processo de relaxação cruzada que ocorre nos íons de térbio.‬
‭4.1.1.‬

‭Conclusões parciais‬

‭Foi‬ ‭possível‬ ‭avaliar‬ ‭o‬ ‭comportamento‬ ‭fotoluminescente‬ ‭do‬ ‭YAG:Tb‬ ‭em‬ ‭função‬ ‭da‬
‭temperatura‬ ‭para‬ ‭as‬ ‭concentrações‬ ‭de‬ ‭0,5%,‬ ‭1%‬ ‭e‬ ‭2%‬ ‭de‬ ‭Tb.‬ ‭Observou-se‬ ‭o‬ ‭fenômeno‬ ‭de‬
‭quenching‬‭térmico‬‭nas‬‭amostras‬‭de‬‭menor‬‭concentração,‬‭enquanto‬‭a‬‭amostra‬‭com‬‭2%‬‭de‬‭Tb‬
‭apresentou‬‭quenching‬‭térmico‬‭inverso,‬‭caracterizado‬‭pelo‬‭aumento‬‭da‬‭intensidade‬‭de‬‭emissão‬
‭com‬ ‭a‬ ‭elevação‬‭da‬‭temperatura.‬‭Esse‬‭comportamento‬‭foi‬‭atribuído‬‭ao‬‭processo‬‭de‬‭relaxação‬
‭cruzada,‬‭cuja‬‭influência‬‭é‬‭fortemente‬‭dependente‬‭da‬‭concentração‬‭dos‬‭dopantes.‬‭No‬‭entanto,‬
‭não‬‭foi‬‭possível‬‭analisar‬‭o‬‭quenching‬‭por‬‭concentração‬‭da‬‭transição‬‭5‬‭D‬‭3‬ ‭devido‬‭à‬‭utilização‬‭de‬
‭um‬ ‭filtro‬ ‭de‬ ‭400‬ ‭nm,‬ ‭que‬ ‭reduziu‬ ‭significativamente‬ ‭o‬ ‭sinal‬ ‭na‬ ‭região‬ ‭espectral‬
‭correspondente a essa transição.‬
‭4.2.‬

‭Termometria óptica Tb‬‭3+‬
‭4.2.1.‬

‭Identificação dos parâmetros termométricos‬

‭Para‬‭a‬‭análise‬‭termométrica,‬‭foram‬‭calculadas‬‭as‬‭razões‬‭entre‬‭todos‬‭os‬‭picos,‬‭entre‬‭as‬
‭áreas‬ ‭e‬ ‭entre‬ ‭os‬ ‭picos‬ ‭e‬ ‭as‬ ‭áreas‬ ‭das‬ ‭emissões‬ ‭luminescentes.‬ ‭Para‬ ‭cada‬ ‭amostra‬ ‭foram‬
‭analisados‬‭32‬‭picos‬‭e‬‭5‬‭áreas‬‭(Figura‬‭4.2.1).‬‭A‬‭análise‬‭combinatória‬‭gerou‬‭496‬‭combinações‬
‭entre‬ ‭picos,‬ ‭10‬ ‭entre‬ ‭áreas‬ ‭e‬ ‭160‬ ‭entre‬ ‭picos‬ ‭e‬ ‭áreas,‬ ‭resultando‬ ‭em‬ ‭um‬ ‭total‬ ‭de‬ ‭666‬
‭combinações‬ ‭por‬ ‭amostra.‬ ‭Para‬ ‭processar‬ ‭esses‬ ‭dados,‬ ‭foi‬ ‭desenvolvido‬ ‭um‬ ‭programa‬ ‭em‬
‭Python‬ ‭que‬ ‭permitiu‬ ‭visualizar‬ ‭o‬ ‭comportamento‬ ‭de‬ ‭cada‬ ‭combinação‬ ‭e‬ ‭identificar‬‭aquelas‬
‭com‬ ‭maior‬ ‭potencial‬ ‭a‬ ‭serem‬ ‭usadas‬ ‭como‬ ‭parâmetros‬ ‭termométricos,‬ ‭ou‬ ‭seja,‬ ‭razões‬ ‭com‬
‭comportamentos‬ ‭do‬ ‭tipo‬ ‭polinomiais‬ ‭ou‬ ‭exponenciais.‬ ‭Dessas‬ ‭combinações,‬ ‭foram‬
‭selecionadas‬ ‭inicialmente‬ ‭66‬ ‭que‬ ‭eram‬ ‭comuns‬ ‭a‬ ‭todas‬ ‭as‬ ‭amostras.‬ ‭Por‬ ‭fim,‬ ‭uma‬ ‭última‬
‭filtragem‬‭foi‬‭realizada,‬‭considerando‬‭apenas‬‭as‬‭razões‬‭relacionadas‬‭ao‬‭pico‬‭de‬‭maior‬‭emissão‬
‭do Tb³⁺, pico 12 da Figura 4.2.1, a qual ilustra os picos e as áreas analisadas.‬

‭46‬

‭Figura 4.2.1: Identificação dos parâmetros utilizados na termometria‬

‭4.2.2.‬

‭Razões e Sensibilidades relativas‬

‭Foram‬ ‭analisadas‬ ‭as‬ ‭razões‬ ‭entre‬ ‭os‬ ‭picos‬ ‭e‬ ‭entre‬ ‭picos‬ ‭e‬ ‭áreas,‬ ‭sempre‬
‭correlacionados‬‭com‬‭o‬‭pico‬‭12‬‭da‬‭transição‬‭5‬‭D‬‭4‬ ‭-‬‭7‬‭F‬‭5‭,‬ ‬‭por‬‭ser‬‭o‬‭pico‬‭de‬‭emissão‬‭mais‬‭intenso‬‭e‬
‭significativo‬ ‭do‬ ‭espectro.‬ ‭Foi‬ ‭possível‬ ‭fazer‬ ‭um‬ ‭ajuste‬ ‭exponencial‬ ‭do‬ ‭tipo‬
‭𝑦‬ = ‭‬‭𝑎‬‭‬ + ‭𝑏‬ * ‭𝑒𝑥𝑝‬(− ‭𝑐‬ * ‭𝑥 ‬) ‭em todas as razões, onde‬‭𝑥 ‬‭representa a temperatura.‬
‭A‬‭Figura‬‭4.2.2‬‭apresenta‬‭a‬‭razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭12‬‭e‬‭o‬‭pico‬‭13‬‭em‬‭função‬‭da‬‭temperatura‬
‭para‬ ‭cada‬ ‭concentração.‬ ‭Foi‬ ‭possível‬ ‭obter‬ ‭uma‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭máxima‬ ‭superior‬ ‭a‬
‭2,5%‬‭K⁻¹‬‭para‬‭a‬‭amostra‬‭de‬‭1%‬‭de‬‭Tb,‬‭enquanto‬‭nas‬‭demais‬‭amostras‬‭a‬‭sensibilidade‬‭relativa‬
‭máxima foi ligeiramente superior a 4,5% K⁻¹.‬

‭47‬

‭Figura 4.2.2: Razão entre os picos 12 e 13 e sua respectiva sensibilidade relativa‬

‭A‬‭Figura‬‭4.2.3‬‭apresenta‬‭a‬‭razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭12‬‭e‬‭a‬‭área‬‭4‬‭para‬‭cada‬‭concentração‬‭em‬
‭função‬ ‭da‬ ‭temperatura.‬ ‭Foi‬ ‭possível‬ ‭obter‬ ‭uma‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭máxima‬ ‭ligeiramente‬
‭superior‬ ‭a‬ ‭0,5%‬ ‭K⁻¹‬ ‭para‬ ‭todas‬‭as‬‭amostras.‬‭Embora‬‭esse‬‭parâmetro‬‭tenha‬‭apresentado‬‭uma‬
‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭significativamente‬ ‭menor‬ ‭em‬ ‭comparação‬ ‭com‬ ‭os‬‭demais‬‭parâmetros,‬
‭foi‬ ‭possível‬ ‭estimar‬ ‭a‬ ‭temperatura‬ ‭a‬ ‭partir‬ ‭de‬ ‭um‬ ‭parâmetro‬ ‭termométrico‬ ‭diferente‬ ‭do‬
‭tradicional, que utiliza razão entre picos ou entre áreas.‬

‭48‬

‭Figura 4.2.3 : Razão entre o pico 12 e área 4 e sua respectiva sensibilidade relativa‬

‭As‬‭demais‬‭razões‬‭com‬‭o‬‭pico‬‭12‬‭estão‬‭apresentadas‬‭no‬‭Apêndice‬‭8.3.‬‭Algumas‬‭delas‬
‭também‬ ‭demonstraram‬ ‭bom‬ ‭desempenho,‬ ‭como‬ ‭é‬ ‭o‬ ‭caso‬ ‭da‬ ‭razão‬ ‭P12/P18‬ ‭(Figura‬ ‭8.3.4),‬
‭que‬‭atingiu‬‭aproximadamente‬‭4%K‬‭-1‬ ‭para‬‭a‬‭concentração‬‭de‬‭2%‬‭de‬‭Tb‬‭e‬‭3,5%‬‭K‬‭-1‬ ‭para‬‭0,5%‬
‭de‬‭Tb.‬‭Além‬‭disso,‬‭a‬‭razão‬‭P12/P5‬‭apresentou‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭máxima‬‭superior‬‭a‬‭4%‬‭na‬
‭amostra com 2% de Tb.‬
‭A‬ ‭Tabela‬ ‭4.2.1‬ ‭apresenta‬ ‭os‬ ‭valores‬ ‭das‬ ‭sensibilidades‬ ‭relativas‬ ‭máximas‬ ‭para‬ ‭cada‬
‭parâmetro‬ ‭e‬ ‭concentração‬ ‭considerados.‬ ‭Note‬ ‭que‬ ‭seis‬ ‭parâmetros‬ ‭atingiram‬ ‭valores‬
‭superiores‬‭a‬‭1%‬‭para‬‭as‬‭três‬‭concentrações‬‭analisadas,‬‭enquanto‬‭três‬‭parâmetros‬‭apresentaram‬
‭valores‬ ‭superiores‬ ‭a‬ ‭2%‬ ‭nessas‬ ‭mesmas‬ ‭condições.‬ ‭Por‬ ‭outro‬ ‭lado,‬‭os‬‭parâmetros‬‭com‬‭pior‬
‭desempenho‬ ‭em‬ ‭termos‬ ‭de‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭máxima‬ ‭foram‬ ‭P12/P16,‬ ‭com‬ ‭valores‬
‭inferiores‬ ‭a‬ ‭1%,‬ ‭e‬ ‭P12/P15,‬ ‭cuja‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭máxima‬ ‭foi‬ ‭ligeiramente‬ ‭superior‬ ‭a‬
‭1%,‬ ‭P12/A4‬ ‭também‬ ‭ficaram‬ ‭abaixo‬ ‭de‬ ‭1%.‬ ‭Os‬ ‭demais‬ ‭parâmetros‬ ‭apresentaram‬ ‭valores‬
‭intermediários, variando entre 1,3% e 3,5%.‬
‭Entre‬ ‭todas‬ ‭as‬ ‭amostras‬ ‭avaliadas,‬ ‭a‬ ‭que‬‭obteve‬‭melhor‬‭desempenho‬‭foi‬‭a‬‭de‬‭2%‬‭de‬
‭Tb,‬‭por‬‭ter‬‭vários‬‭parâmetros‬‭que‬‭atingiram‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭superior‬‭a‬‭4%‬‭K‬‭-1‬‭,‬ ‭seguida‬
‭pela‬ ‭de‬ ‭0,5%‬ ‭de‬ ‭Tb,‬ ‭que‬ ‭teve‬ ‭um‬ ‭parâmetro‬ ‭que‬ ‭atingiu‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭máxima‬

‭49‬
‭superior‬ ‭a‬ ‭4,5%‬ ‭K‬‭-1‬ ‭e‬ ‭os‬ ‭demais‬ ‭parâmetros‬ ‭termométricos‬ ‭tiveram‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬
‭máxima‬‭menor‬‭do‬‭que‬‭os‬‭parâmetros‬‭termométricos‬‭da‬‭amostra‬‭de‬‭2%Tb.‬‭Alguns‬‭picos‬‭estão‬
‭energeticamente‬‭afastados‬‭o‬‭suficiente‬‭para‬‭que‬‭não‬‭haja‬‭acoplamento‬‭térmico‬‭entre‬‭eles.‬‭No‬
‭entanto,‬ ‭ainda‬ ‭assim‬ ‭foi‬ ‭possível‬ ‭estimar‬ ‭a‬ ‭temperatura‬ ‭por‬ ‭meio‬ ‭da‬ ‭razão‬ ‭entre‬ ‭as‬
‭intensidades‬ ‭desses‬ ‭picos,‬ ‭mesmo‬ ‭quando‬ ‭não‬ ‭seguem‬ ‭a‬ ‭distribuição‬ ‭de‬ ‭Boltzmann.‬ ‭Dessa‬
‭forma,‬ ‭tais‬ ‭razões‬ ‭podem‬ ‭ser‬ ‭utilizadas‬ ‭como‬ ‭termômetros‬‭secundários,‬‭pois,‬‭apesar‬‭de‬‭não‬
‭obedecerem‬ ‭à‬ ‭distribuição‬ ‭de‬ ‭Boltzmann‬ ‭nem‬ ‭estarem‬ ‭termicamente‬ ‭acopladas,‬ ‭ainda‬
‭fornecem informações úteis para a termometria óptica.‬

‭50‬
‭Tabela 4.2.1: Resumo dos resultados obtidos para cada parâmetro das nossas amostras.‬

‭Parâmetro‬ ‭Concentração‬
‭Sensibilidade‬
‭termométrico‬
‭(%)‬
r‭ elativa máxima‬
‭(% K‬‭-1‬‭)‬
‭P12/P5‬

‭P12/P13‬

‭P12/P15‬

‭P12/P16‬

‭P12/P18‬

‭P12/P21‬

‭P12/P24‬

‭P12/P29‬

‭P12/A4‬

‭Intervalo de temperatura com‬
s‭ ensibilidade relativa acima de‬
‭0.5% K‬‭-1‬

‭0.5‬

‭2,2‬

‭20 - 140K‬

‭1‬

‭2,1‬

‭20 - 140K‬

‭2‬

‭4,2‬

‭20 - 140K‬

‭0.5‬

‭4,7‬

‭20 - 140K‬

‭1‬

‭2,9‬

‭20 - 140K‬

‭2‬

‭4,6‬

‭20 - 140K‬

‭0.5‬

‭1‬

‭20 - 160K‬

‭1‬

‭1,1‬

‭20 - 160K‬

‭2‬

‭1,1‬

‭20 - 160K‬

‭0.5‬

‭0,5‬

‭***‬

‭1‬

‭0,4‬

‭***‬

‭2‬

‭1‬

‭***‬

‭0.5‬

‭3,3‬

‭20 - 140K‬

‭1‬

‭2,5‬

‭20 - 140K‬

‭2‬

‭4‬

‭20 - 140K‬

‭0.5‬

‭2‬

‭20 - 160K‬

‭1‬

‭2‬

‭20 - 160K‬

‭2‬

‭2,3‬

‭20 - 160K‬

‭0.5‬

‭3,3‬

‭20 - 160K‬

‭1‬

‭2,7‬

‭20 - 160K‬

‭2‬

‭2‬

‭20 - 160K‬

‭0.5‬

‭1,3‬

‭20 - 160K‬

‭1‬

‭1,3‬

‭20 - 160K‬

‭2‬

‭1,8‬

‭20 - 160K‬

‭0.5‬

‭0,5‬

‭****‬

‭1‬

‭0,6‬

‭****‬

‭2‬

‭0,7‬

‭****‬

‭51‬
‭A‬ ‭Tabela‬ ‭4.2.2‬ ‭compara‬ ‭trabalhos‬ ‭que‬ ‭utilizam‬ ‭o‬ ‭Tb‬‭3+‬ ‭para‬ ‭termometria‬ ‭óptica,‬
‭enquanto‬ ‭que‬ ‭a‬ ‭Tabela‬ ‭4.2.3‬ ‭apresenta‬ ‭estudos‬ ‭que‬ ‭empregam‬ ‭outros‬ ‭dopantes.‬ ‭Verifica-se‬
‭que‬‭os‬‭valores‬‭de‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭máxima‬‭obtidos‬‭no‬‭presente‬‭trabalho‬‭estão‬‭dentro‬‭da‬
‭faixa‬ ‭de‬ ‭valores‬ ‭da‬ ‭literatura.‬ ‭O‬ ‭único‬ ‭estudo‬ ‭que‬ ‭apresentou‬ ‭um‬ ‭valor‬ ‭significativamente‬
‭superior‬‭foi‬‭o‬‭de‬‭Liu‬‭et‬‭al.‬‭(2015)‬‭[80],‬‭no‬‭qual‬‭a‬‭sensibilidade‬‭máxima‬‭foi‬‭de‬‭31%‬‭K‭-‬1‬ ‭a‬‭4‬‭K.‬
‭Essa‬‭temperatura‬‭é‬‭muito‬‭inferior‬‭às‬‭demais‬‭estudadas,‬‭e,‬‭em‬‭alguns‬‭materiais,‬‭a‬‭sensibilidade‬
‭relativa‬ ‭é‬ ‭inversamente‬ ‭proporcional‬ ‭à‬ ‭diminuição‬ ‭da‬‭temperatura,‬‭como‬‭também‬‭ocorre‬‭no‬
‭presente trabalho.‬
‭Entre‬ ‭os‬ ‭estudos‬ ‭que‬ ‭obtiveram‬ ‭valores‬ ‭de‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬‭máxima‬‭superiores‬
‭ao‬‭do‬‭presente‬‭trabalho,‬‭destaca-se‬‭o‬‭de‬‭Shen‬‭et‬‭al.‬‭(2012)‬‭[81],‬‭que‬‭registrou‬‭15%K‬‭-1‬ ‭a‬‭426‬
‭K,‬‭ou‬‭seja,‬‭acima‬‭da‬‭temperatura‬‭ambiente.‬‭O‬‭estudo‬‭de‬‭Gálico‬‭et‬‭al.‬‭(2017)‬‭[82]‬‭apresentou‬
‭um‬ ‭valor‬ ‭de‬ ‭5.35%‬ ‭K‬‭-1‬ ‭próximo‬ ‭à‬ ‭temperatura‬ ‭ambiente,‬ ‭em‬ ‭303‬ ‭K.‬ ‭O‬ ‭comportamento‬ ‭da‬
‭sensibilidade‬‭nesses‬‭trabalhos‬‭difere‬‭do‬‭observado‬‭aqui,‬‭pois,‬‭enquanto‬‭nestes‬‭a‬‭sensibilidade‬
‭aumenta‬ ‭em‬ ‭baixas‬ ‭temperaturas,‬ ‭nos‬ ‭trabalhos‬ ‭mencionados‬‭a‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭cresce‬
‭com‬ ‭o‬ ‭aumento‬ ‭da‬ ‭temperatura,‬ ‭atingindo‬ ‭seu‬ ‭máximo‬ ‭no‬ ‭limite‬ ‭superior‬ ‭de‬ ‭temperatura‬
‭analisada.‬
‭Gálico‬ ‭et‬ ‭al.‬ ‭(2018)‬ ‭[83]‬ ‭analisaram‬ ‭a‬ ‭faixa‬ ‭de‬ ‭158‬ ‭a‬ ‭248‬ ‭K,‬ ‭registrando‬ ‭uma‬
‭sensibilidade‬ ‭relativa‬‭máxima‬‭de‬‭11,05%‬‭K⁻¹‬‭a‬‭203‬‭K.‬‭Esse‬‭estudo‬‭se‬‭destaca‬‭como‬‭um‬‭dos‬
‭termômetros‬ ‭mais‬ ‭sensíveis‬ ‭relatados‬ ‭até‬ ‭o‬ ‭momento.‬ ‭O‬ ‭mecanismo‬ ‭utilizado‬ ‭envolve‬ ‭a‬
‭transferência‬ ‭de‬ ‭energia‬ ‭do‬ ‭térbio‬ ‭para‬ ‭o‬ ‭európio.‬ ‭O‬ ‭intervalo‬ ‭de‬ ‭operação‬ ‭desse‬ ‭sistema‬
‭difere‬‭do‬‭observado‬‭neste‬‭trabalho,‬‭pois‬‭a‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭do‬ ‭trabalho‬‭de‬‭Gálico‬‭et‬‭al.‬
‭(2018)‬‭[83]‬‭atinge‬‭valores‬‭superiores‬‭a‬‭1%‬‭K⁻¹‬‭a‬‭partir‬‭de‬‭160‬‭K,‬‭aumentando‬‭até‬‭o‬‭máximo‬
‭em 203 K, mas reduzindo-se abaixo de 160 K.‬

‭52‬
‭Tabela 4.2.2 Comparação entre trabalhos de termometria óptica operando em baixas temperaturas e‬
‭que utilizam Tb‬‭3+‬

‭Parâmetro‬
‭Dopantes‬

‭Material‬

‭Óptico‬

‭ΔT [K]‬

‭Sm [% K⁻¹]‬

‭Tm [K]‬

‭Ref.‬

‭Tb‬‭3+‬

‭YAG‬

‭LIR‬

‭20.8 - 320‬

‭4,7‬

‭20.8‬

‭Este trabalho‬

‭Tb‬‭3+‬

‭YAG‬

‭LIR‬

‭22 - 320‬

‭4,6‬

‭22‬

‭Este trabalho‬

‭Tb‬‭3+‬

‭YAG‬

‭LIR‬

‭21.8 - 320‬

‭4,2‬

‭21.8‬

‭Este trabalho‬

‭Eu‬‭3+‬‭,Tb‬‭3+‬

‭Ln-HL‬

‭FIR‬

‭4 – 290‬

‭31‬

‭4‬

‭[80]‬

‭PDMS-eddpo-‬
‭Eu‬‭3+‬‭,Tb‬‭3+‬

‭Ln(bzac)₃‬

‭FIR‬

‭158–248‬

‭11‬

‭203‬

‭[83]‬

‭Tb‬‭3+‬‭/Sm‬‭3+‬

‭CaScAlSiO6‬

‭FIR‬

‭77–287‬

‭1,65‬

‭77‬

‭[84]‬

‭Tb³⁺, Eu³⁺‬

‭Gd₂(MoO₄)₃‬

‭FIR‬

‭80–450‬

‭0,50‬

‭270‬

‭[85]‬

‭Tb³⁺, Eu³⁺‬

‭Gd₂(MoO₄)₃‬

‭FIR‬

‭80–450‬

‭0,45‬

‭260‬

‭[85]‬

‭Tb³⁺, Eu³⁺‬

‭Gd₂(MoO₄)₃‬

‭FIR‬

‭80–450‬

‭0,41‬

‭180‬

‭[85]‬

‭Tb³⁺, Eu³⁺‬

‭Gd₂(MoO₄)₃‬

‭FIR‬

‭80–450‬

‭0,37‬

‭150‬

‭[85]‬

‭Tb³⁺, Eu³⁺‬

‭CaF₂‬

‭FIR‬

‭21–320‬

‭0,40‬

‭21‬

‭[86]‬

‭FIR‬

‭100–450‬

‭0,11‬

‭450‬

‭[87]‬

‭[Ln₂(D-cam)(‬
‭Himdc)₂(H₂O)‬
‭Tb³⁺, Eu³⁺‬

‭₂]‬
‭[Ln(hfa)₃(dpb‬

‭Tb³⁺, Eu³⁺‬

‭b)]ₙ‬

‭FIR‬

‭200–300‬

‭0,52‬

‭200‬

‭[88]‬

‭Tb³⁺, Eu³⁺‬

‭POM‬

‭FIR‬

‭60–360‬

‭0,71‬

‭60‬

‭[89]‬

‭53‬
‭Tabela 4.2.3: Comparação entre trabalhos de termometria óptica operando em baixas temperaturas e‬
‭que utilizam outros íons dopantes.‬

‭Dopantes‬

‭Material‬

‭Método‬

‭T [K]‬ ‭Sm [% K⁻¹]‬ ‭Tm [K]‬ ‭Ref.‬

‭Er³⁺‬

‭Yttria-stabilized zirconia‬

‭FIR‬

‭123–423‬

‭15‬

‭423‬

‭[81]‬

‭Pr‬‭3+‬

‭Sr₂GeO₄:Pr³⁺‬

‭LIR‬

‭17 – 600‬

‭7,5‬

‭22‬

‭[90]‬

‭Eu‬‭3+‬

‭Eu(keto)₃(H₂O)‬

‭LIR‬

‭12 – 300‬

‭7,0×10⁻²‬

‭50‬

‭[91]‬

‭NaGdF₄:Pr³⁺/Er³⁺ @‬
‭Pr‬‭3+‬‭,Er‬‭3+‬

‭NaYF₄:Yb³⁺‬

‭FIR‬

‭83 – 323‬

‭9,5‬

‭83‬

‭[92]‬

‭Yb‬‭3+‬‭, Ho‬‭3+‬

‭Y₂O₃:Yb³⁺/Ho³⁺‬

‭FIR‬

‭10 – 300‬

‭1,6‬

‭85‬

‭[93]‬

‭Tm‬‭3+‬

‭NaYF₄:Tm³⁺@SiO₂‬

‭FIR, FWHM‬

‭100 – 700‬

‭5,6×10⁻²‬

‭100‬

‭[94]‬

‭Pr‬‭3+‬

‭NaYF₄:Pr³⁺‬

‭FIR‬

‭120 – 300‬

‭4,7‬

‭120‬

‭[95]‬

‭Eu²⁺/Eu³+‬

‭Sr(HCOO)₂:Eu‬

‭LIR‬

‭9–293‬

‭3,8‬

‭293‬

‭[96]‬

‭Eu‬

‭Eu(bzac)₃(H₂O)₂‬

‭Intensidade única‬ ‭188–303‬

‭5,3‬

‭303‬

‭[82]‬

‭Eu³⁺‬

‭LaVO₄‬

‭LIR‬

‭98–773‬

‭2,3‬

‭298‬

‭[97]‬

‭Eu³⁺‬

‭NaYF₄‬

‭LIR‬

‭123–473‬

‭4,11‬

‭213‬

‭[98]‬

‭Eu³⁺‬

‭NaGdF₄‬

‭LIR‬

‭123–473‬

‭16,9‬

‭163‬

‭[98]‬

‭Pr³⁺‬

‭La₂Zr₂O₇‬

‭FIR‬

‭85–705‬

‭0,41‬

‭165‬

‭[99]‬

‭Er³⁺, Yb³⁺‬

‭Y₃Al₅O₁₂‬

‭LIR‬

‭80–600‬

‭1,0‬

‭80‬

‭[100]‬

‭Er³⁺, Yb³⁺‬

‭Y₃Al₅O₁₂‬

‭LIR‬

‭80–600‬

‭0,8‬

‭80‬

‭[100]‬

‭Yb³⁺‬

‭Y₃Al₅O₁₂‬

‭FWHM‬

‭80–600‬

‭0,46‬

‭200‬

‭[100]‬

‭Yb³⁺‬

‭Y₃Al₅O₁₂‬

‭Tempo de vida‬

‭80–600‬

‭0,86‬

‭156‬

‭[100]‬

‭LIR‬

‭10–295‬

‭3,6‬

‭156‬

‭Tm‬‭3+‬‭,‬
‭Er‬‭3+‬‭/Yb‬‭3+‬

‭NaYbF4‬

‭LIR‬

‭10–295‬

‭0,82‬

‭75‬

‭[101]‬

‭Ti⁴⁺/Ti³⁺‬

‭Y₃Al₅O₁₂‬

‭LIR‬

‭123–573‬

‭0,5‬

‭150‬

‭[102]‬

‭Tm³⁺ (Eu³⁺)‬

‭Y₃Al₅O₁₂‬

‭LIR‬

‭123–573‬

‭0,90‬

‭123‬

‭[103]‬

‭Cr³⁺‬

‭Y₃Al₅O₁₂‬

‭LIR‬

‭123–573‬

‭2,64‬

‭123‬

‭[104]‬

‭Cr³⁺‬

‭LaScO₃‬

‭Tempo de vida‬

‭123–573‬

‭1,70‬

‭493‬

‭[105]‬

‭V³⁺, V⁵⁺‬

‭Y₃Al₅₋ₓGaₓO₁₂‬

‭LIR‬

‭123–573‬

‭2,49‬

‭123‬

‭[106]‬

‭Ni²⁺ (Er³⁺)‬

‭SrTiO₃‬

‭FIR‬

‭123–483‬

‭0,80‬

‭303‬

‭[107]‬

‭Yb‬‭3+‬‭, Tm‬‭3+‬

‭Y₂O₃:Yb,Tm‬

‭FIR‬

‭50 – 300‬

‭7,8‬

‭270‬

‭[108]‬

‭Yb‬‭3+‬‭,Ho‬‭3+‬

‭Y₂O₃:Yb,Ho‬

‭FIR‬

‭10 – 300‬

‭9,7‬

‭84‬

‭[108]‬

‭54‬

‭4.2.3.‬

‭Conclusões parciais‬

‭Foram‬ ‭testadas‬ ‭diversas‬‭combinações‬‭como‬‭potenciais‬‭parâmetros‬‭termométricos,‬‭ao‬
‭todo‬ ‭666‬ ‭combinações‬ ‭por‬ ‭amostras.‬ ‭Ao‬ ‭final‬ ‭da‬ ‭filtragem‬ ‭foram‬ ‭selecionados‬ ‭nove‬
‭parâmetros‬ ‭relacionados‬ ‭ao‬ ‭pico‬ ‭de‬ ‭maior‬ ‭emissão.‬ ‭Dentre‬ ‭os‬ ‭parâmetros‬ ‭testados,‬ ‭foi‬
‭utilizado‬ ‭pela‬ ‭primeira‬ ‭vez‬ ‭a‬ ‭razão‬ ‭entre‬ ‭picos‬ ‭e‬ ‭áreas‬ ‭como‬ ‭um‬ ‭possível‬ ‭parâmetro‬
‭termométrico.‬‭Porém,‬‭os‬‭mais‬‭eficazes‬ ‭para‬‭o‬‭Tb‬‭3+‬ ‭foram‬‭aqueles‬ ‭baseados‬‭na‬‭razão‬‭entre‬‭os‬
‭picos‬‭de‬‭emissão.‬ ‭As‬‭máximas‬‭sensibilidades‬‭relativas‬‭para‬‭as‬‭concentrações‬‭de‬‭0,5,‬‭1‬‭e‬‭2%‬
‭de‬‭Tb‬‭foram‬‭de‬‭4,7,‬‭2,9‬‭e‬‭4,6%‬‭K⁻¹,‬‭respectivamente.‬‭Em‬‭todos‬‭os‬‭casos,‬‭relacionadas‬‭a‬‭razão‬
‭P12/P13.‬‭Finalmente,‬‭comparando‬‭os‬‭resultados‬‭com‬‭a‬‭literatura,‬‭observou-se‬‭que‬‭os‬‭valores‬
‭obtidos estão dentro da faixa reportada, apresentando boa sensibilidade relativa.‬
‭4.3.‬

‭Medidas Raman e contaminação por neodímio‬

‭A‬ ‭fim‬ ‭de‬ ‭investigar‬ ‭a‬‭estrutura‬‭vibracional‬‭e‬‭avaliar‬‭possíveis‬‭alterações‬‭decorrentes‬
‭da‬ ‭dopagem,‬‭foram‬‭realizadas‬‭medidas‬‭de‬‭espectroscopia‬‭Raman‬‭na‬‭amostra‬‭com‬‭2%‬‭de‬‭Tb‬
‭em‬‭diferentes‬‭temperaturas‬‭e‬‭utilizando‬‭uma‬‭excitação‬‭de‬‭785‬‭nm.‬‭O‬‭espectro‬‭obtido‬‭a‬‭22‬‭K‬‭é‬
‭apresentado‬‭na‬‭Figura‬‭4.3.1.‬‭Observam-se‬‭linhas‬‭de‬‭menor‬‭intensidade‬‭na‬‭faixa‬‭de‬‭200‬‭a‬‭900‬
‭cm⁻¹‬‭e‬‭linhas‬‭de‬‭maior‬‭intensidade‬‭entre‬‭1200‬‭e‬‭1700‬‭cm⁻¹.‬‭DEWO‬‭et‬‭al.‬‭(2021),‬‭ao‬‭utilizar‬‭a‬
‭mesma‬ ‭excitação‬ ‭(785‬ ‭nm),‬ ‭também‬ ‭relataram‬ ‭a‬‭presença‬‭de‬‭linhas‬‭intensas‬‭acima‬‭de‬‭1000‬
‭cm⁻¹‬‭nos‬‭espectros‬‭Raman‬‭de‬‭materiais‬‭dopados‬‭com‬‭íons‬‭lantanídeos.‬‭Os‬‭autores‬‭atribuíram‬
‭essas‬ ‭bandas‬ ‭a‬ ‭transições‬ ‭eletrônicas‬ ‭4f-4f‬ ‭de‬ ‭impurezas‬ ‭de‬ ‭terras‬ ‭raras‬ ‭presentes‬ ‭como‬
‭contaminantes‬ ‭no‬ ‭material,‬ ‭uma‬ ‭vez‬ ‭que‬ ‭se‬ ‭sabe‬ ‭que‬ ‭materiais‬ ‭do‬ ‭tipo‬ ‭granada‬ ‭não‬
‭apresentam‬‭modos‬‭Raman‬‭acima‬‭de‬‭900‬‭cm‬‭-1‬ ‭[109‬‭-‬‭113]‬‭.‬‭Comparando‬‭o‬‭espectro‬‭da‬‭Figura‬
‭3.3.1‬‭com‬‭os‬‭resultados‬‭de‬‭Dewo‬‭et‬‭al.,‬‭verifica-se‬‭que‬‭o‬‭sinal‬‭observado‬‭entre‬‭1200‬‭e‬‭1700‬
‭cm⁻¹‬ ‭coincide‬ ‭com‬ ‭emissões‬ ‭características‬ ‭do‬ ‭Nd³⁺.‬ ‭Portanto,‬ ‭pode-se‬ ‭concluir‬ ‭que‬ ‭as‬
‭amostras‬ ‭analisadas‬ ‭apresentam‬ ‭traços‬ ‭de‬ ‭contaminação‬ ‭por‬ ‭Nd³⁺,‬ ‭que‬ ‭pode‬ ‭ter‬‭origem‬‭nos‬
‭reagentes‬‭utilizados‬‭na‬‭síntese‬‭ou‬‭em‬‭resíduos‬‭de‬‭processamento‬‭de‬‭sinterização.‬‭No‬‭entanto,‬
‭essa‬ ‭contaminação‬ ‭não‬ ‭impacta‬ ‭significativamente‬ ‭as‬ ‭propriedades‬ ‭fotoluminescentes‬ ‭do‬
‭Tb³⁺,‬‭uma‬‭vez‬‭que‬‭não‬‭foram‬‭detectadas‬‭emissões‬‭do‬‭Nd³⁺‬‭sob‬‭outros‬‭comprimentos‬‭de‬‭onda‬
‭de excitação, nem distorções no espectro de emissão do Tb³⁺.‬

‭55‬

‭Figura 4.3.1: Espectro raman do YAG:2%Tb excitado em 785nm‬

‭A‬‭Figura‬‭4.3.2‬‭apresenta‬‭em‬‭detalhes‬‭os‬‭espectros‬‭Raman‬‭do‬‭YAG‬‭na‬‭região‬‭entre‬‭200‬
‭e‬ ‭880‬ ‭cm⁻¹‬ ‭obtidos‬ ‭em‬ ‭diferentes‬ ‭temperaturas.‬ ‭.‬ ‭Embora‬ ‭a‬ ‭relação‬ ‭sinal/ruído‬ ‭seja‬
‭relativamente‬ ‭baixa,‬ ‭ainda‬ ‭é‬ ‭possível‬ ‭identificar‬ ‭os‬ ‭principais‬ ‭modos‬ ‭Raman‬‭característicos‬
‭do‬ ‭YAG,‬ ‭como‬ ‭mostra‬ ‭a‬ ‭Tabela‬ ‭4.3.1.‬ ‭Nessa‬ ‭tabela‬ ‭são‬ ‭comparados‬ ‭os‬ ‭modos‬ ‭Raman‬
‭identificados‬‭neste‬‭trabalho‬‭com‬‭a‬‭literatura.‬‭Com‬‭o‬‭aumento‬‭da‬‭temperatura,‬‭observa-se‬‭uma‬
‭redução‬ ‭na‬ ‭intensidade‬ ‭e‬ ‭alargamento‬ ‭dos‬ ‭picos,‬ ‭além‬ ‭de‬ ‭um‬ ‭deslocamento‬ ‭para‬ ‭menores‬
‭frequências.‬ ‭Esses‬ ‭efeitos‬ ‭estão‬ ‭associados‬ ‭ao‬ ‭aumento‬ ‭das‬ ‭interações‬ ‭anarmônicas‬‭da‬‭rede‬
‭cristalina com a elevação da temperatura.‬
‭De‬‭acordo‬‭com‬‭Dewo‬‭et‬‭al‬‭(2019)‬‭“De‬‭maneira‬‭geral,‬‭o‬‭espectro‬‭Raman‬‭de‬‭primeira‬
‭ordem‬‭dos‬‭cristais‬‭de‬‭granada‬‭pode‬‭ser‬‭dividido‬‭em‬‭duas‬‭regiões:‬‭(i)‬‭faixa‬‭de‬‭alto‬‭número‬‭de‬
‭onda‬‭(500–900‬‭cm⁻¹)‬‭e‬‭(ii)‬‭faixa‬‭de‬‭baixo‬‭número‬‭de‬‭onda‬‭(abaixo‬‭de‬‭500‬‭cm⁻¹).‬‭As‬‭vibrações‬
‭na‬ ‭faixa‬ ‭de‬ ‭alto‬ ‭número‬ ‭de‬ ‭onda‬ ‭(i)‬ ‭são‬ ‭principalmente‬ ‭atribuídas‬ ‭aos‬ ‭modos‬ ‭internos‬
‭moleculares‬ ‭ν1‬ ‭(modo‬ ‭de‬ ‭respiração),‬ ‭ν2‬ ‭(modo‬ ‭quádruplo)‬ ‭e‬ ‭ν4‬ ‭(modo‬ ‭de‬ ‭deformação)‬
‭relacionados‬ ‭aos‬ ‭grupos‬ ‭AlO₄,‬‭enquanto‬‭na‬‭faixa‬‭de‬‭baixo‬‭número‬‭de‬‭onda‬‭(ii)‬‭aparecem‬‭os‬
‭modos‬‭da‬‭rede‬‭cristalina‬‭(movimento‬‭translacional‬‭dos‬‭íons‬‭RE³⁺‬‭e‬‭movimento‬‭translacional‬‭e‬
‭de‬ ‭libration‬ ‭dos‬ ‭grupos‬ ‭AlO‬‭4‬‭),‬ ‭bem‬ ‭como‬ ‭a‬ ‭vibração‬ ‭interna‬ ‭ν3‬ ‭de‬ ‭estiramento‬‭assimétrico‬
‭dos grupos AlO‬‭4‬‭.”‬‭[114]‬‭.‬
‭As‬ ‭linhas‬ ‭laranjas‬ ‭revelam‬ ‭os‬ ‭picos‬ ‭raman‬ ‭que‬ ‭estão‬ ‭de‬ ‭acordo‬ ‭com‬ ‭a‬ ‭literatura,‬ ‭a‬
‭linha‬‭azul‬‭o‬‭pico‬‭raman‬‭observado‬‭que‬‭não‬‭está‬‭presente‬‭na‬‭literatura‬‭e‬‭as‬‭linhas‬‭verdes‬‭são‬‭os‬

‭56‬
‭modos‬‭raman‬‭observados‬‭na‬‭literatura‬‭mas‬‭que‬‭não‬‭foram‬‭possíveis‬‭serem‬‭identificados‬‭neste‬
‭trabalho.‬
‭Há‬ ‭um‬ ‭pico‬ ‭raman‬ ‭em‬ ‭312‬‭cm‬‭-1‬ ‭que‬‭não‬‭aparece‬‭na‬‭literatura.‬‭A‬‭difração‬‭de‬‭raio‬‭X‬
‭nas‬ ‭amostras‬ ‭mostra‬ ‭que‬ ‭há‬ ‭uma‬ ‭fase‬ ‭única‬ ‭de‬ ‭YAG,‬ ‭o‬ ‭que‬ ‭descarta‬ ‭a‬ ‭formação‬ ‭de‬ ‭fases‬
‭secundárias,‬‭como‬‭Perovskita‬‭ou‬‭monoclínica,‬‭mas‬‭revelou‬‭que‬‭há‬‭um‬‭aumento‬‭na‬‭constante‬
‭de‬ ‭rede‬ ‭devido‬ ‭a‬ ‭presença‬ ‭do‬ ‭dopante‬ ‭[42]‬‭.‬ ‭Isso‬ ‭poderia‬ ‭explicar‬ ‭a‬ ‭presença‬ ‭de‬ ‭um‬ ‭pico‬
‭Raman diferente de outros trabalhos.‬

‭Figura 4.3.2: Espectro raman do YAG em várias temperaturas.‬
‭Tabela 4.3.1: Os números de onda experimentais (cm‬‭−1‬‭)‬‭e as atribuições de modos Raman‬
‭para a cerâmica de YAG:2%Tb . Os dados da literatura para cristais únicos de YAG também estão‬
‭incluídos. Adaptado de [114].‬

‭57‬
‭Número de onda‬
‭experimental [cm⁻¹]‬

‭Literatura‬

‭Cerâmica de YAG:2%Tb‬
‭(Este trabalho)‬

‭Tipo de‬
‭[109]‬

‭[115]‬

‭[116]‬

‭Simetria‬

‭162‬

‭161‬

‭164‬

‭E‭g‬ ‬

‭259‬

‭261‬

‭261‬

‭T‬‭2g‬

‭334‬

‭340‬

‭339‬

‭340‬

‭E‭g‬ ‬

‭371‬

‭373‬

‭372‬

‭372‬

‭A‬‭1g‬

‭402‬

‭403‬

‭403‬

‭403‬

‭E‭g‬ ‬

‭690‬

‭690‬

‭692‬

‭T‬‭2g‬

‭719‬

‭714‬

‭719‬

‭T‬‭2g‬

‭783‬

‭785‬

‭783‬

‭A‬‭1g‬

‭258‬

‭Atribuição‬
‭Translação Terras‬
‭raras trivalentes‬

‭312‬

‭780‬

‭Translação +‬
‭Rotação + ν₃(AlO₄)‬

‭ν₁ + ν₄(AlO₄)‬

‭As‬ ‭medidas‬ ‭de‬ ‭espectroscopia‬ ‭Raman‬ ‭revelaram‬‭a‬‭presença‬‭de‬‭linhas‬‭de‬‭emissão‬‭do‬
‭Nd‬‭3+‬‭,‬‭levantando‬‭a‬‭possibilidade‬‭de‬‭explorar‬‭a‬‭dependência‬‭térmica‬‭do‬‭sinal‬‭luminescente‬‭do‬
‭Nd‬‭3+‬ ‭para‬ ‭aplicações‬ ‭em‬ ‭termometria‬ ‭óptica.‬ ‭A‬ ‭Figura‬ ‭4.3.3‬ ‭apresenta‬ ‭os‬ ‭espectros‬ ‭de‬
‭emissão‬ ‭do‬ ‭Nd‬‭3+‬ ‭obtidos‬‭a‬‭partir‬‭das‬‭medidas‬‭Raman‬‭em‬‭diferentes‬‭temperaturas‬‭É‬‭possível‬
‭observar‬ ‭uma‬ ‭diminuição‬ ‭na‬ ‭intensidade‬ ‭de‬ ‭diversos‬ ‭picos‬ ‭à‬ ‭medida‬ ‭que‬ ‭a‬ ‭temperatura‬
‭aumenta,‬‭bem‬‭como‬‭o‬‭desdobramento‬‭de‬‭linhas‬‭espectrais.‬‭Este‬‭sinal‬‭luminescente‬‭é‬‭relativo‬
‬
‭a transição eletrônica‬‭4‭F
‬‭3/2‬ ‭-‬‭4‭I‬ ‬‭9/2‬ ‭, com a excitação‬‭ocorrendo em 785 nm.‬

‭Para‬ ‭uma‬ ‭melhor‬ ‭visualização‬ ‭desses‬ ‭efeitos,‬ ‭a‬ ‭Figura‬ ‭4.3.4‬ ‭compara‬ ‭os‬ ‭espectros‬
‭obtidos‬ ‭a‬ ‭22‬ ‭K‬ ‭e‬ ‭320‬ ‭K.‬ ‭Nessa‬ ‭comparação,‬ ‭a‬ ‭influência‬ ‭da‬ ‭temperatura‬ ‭se‬ ‭torna‬ ‭mais‬
‭evidente,‬ ‭manifestando-se‬ ‭na‬ ‭redução‬ ‭da‬ ‭intensidade‬ ‭dos‬ ‭picos,‬ ‭no‬ ‭seu‬ ‭alargamento‬ ‭e‬ ‭no‬
‭deslocamento‬‭para‬‭maiores‬‭frequências‬‭com‬‭o‬‭aumento‬‭da‬‭temperatura.‬‭Além‬‭disso,‬‭nota-se‬‭o‬
‭surgimento de novas bandas espectrais em temperaturas mais elevadas.‬

‭58‬

‭Figura 4.3.3: Espectro raman do YAG:2%Tb em função da temperatura.‬

‭Figura 4.3.4: Comparação do espectro Raman em 22 e 320K‬

‭59‬
‭A‬ ‭Figura‬‭4.3.5‬‭apresenta‬‭a‬‭comparação‬‭entre‬‭os‬‭espectros‬‭normalizados‬‭pelo‬‭pico‬‭de‬
‭maior‬ ‭intensidade‬ ‭para‬ ‭22‬ ‭K‬ ‭e‬ ‭320‬ ‭K,‬ ‭bem‬ ‭como‬ ‭a‬ ‭posição‬ ‭correspondente‬ ‭dos‬ ‭picos‬ ‭em‬
‭comprimentos‬‭de‬‭onda.‬‭A‬‭normalização‬‭permite‬‭destacar‬‭as‬‭variações‬‭relativas‬‭entre‬‭os‬‭picos,‬
‭evidenciando‬ ‭não‬ ‭apenas‬ ‭os‬ ‭deslocamentos‬ ‭e‬ ‭alargamentos‬ ‭espectrais,‬ ‭mas‬ ‭também‬ ‭as‬
‭mudanças na proporção das intensidades relativas e das áreas sob os picos de emissão.‬

‭Figura 4.3.5: Comparação do espectro Raman em 22 e 320K, com as intensidades normalizadas pelo‬
‭pico máximo e o correspondente comprimento de onda (nm) de cada pico‬

‭Essas‬ ‭variações‬ ‭espectrais‬ ‭podem‬ ‭ser‬ ‭exploradas‬ ‭para‬ ‭aplicações‬ ‭em‬ ‭termometria‬
‭óptica.‬ ‭A‬ ‭Figura‬ ‭4.3.6‬ ‭apresenta‬ ‭a‬ ‭extração‬ ‭dos‬ ‭parâmetros‬ ‭termométricos,‬ ‭considerando‬ ‭a‬
‭posição‬‭dos‬‭picos,‬‭as‬‭razões‬‭entre‬‭intensidades‬‭de‬‭picos,‬‭as‬‭razões‬‭entre‬‭áreas‬‭sob‬‭os‬‭picos‬‭e‬‭a‬
‭relação‬ ‭entre‬ ‭essas‬ ‭grandezas.‬ ‭Esses‬‭parâmetros‬‭possibilitam‬‭a‬‭construção‬‭de‬‭uma‬‭escala‬‭de‬
‭temperatura‬ ‭baseada‬ ‭na‬ ‭resposta‬ ‭espectral‬ ‭do‬ ‭material,‬ ‭demonstrando‬ ‭seu‬ ‭potencial‬ ‭para‬
‭aplicações em sensores térmicos.‬

‭60‬

‭Figura 4.3.6: Identificação dos parâmetros termométricos‬

‭É recomendável fazer a análise de termometria com o espectro em energia, mas temos‬
‭uma relação linear entre número de onda e energia, dada pelas equações 3.3.1 e 3.3.2:‬
‭𝐸‬‭‬ = ‭ℎ‬ * ‭𝑓‬‭‬ = ‭‬(‭ℎ𝑐‬)λ
λ

−‭1‬

−‭1‬

‭Eq.3.3.1‬

‭𝐸‬

‭Eq.3.3.2‬

= ‭‬ ‭ℎ𝑐‬

‭Podemos então chegar nas relações dadas pelas equações 3.3.3 e 3.3.4‬
−‭1‬

‭𝑑𝐸‬

‭Eq.3.3.3‬

‭𝑑‬λ ‭‬ = ‭‬ ‭ℎ𝑐‬
‭𝑑𝐸‬
−‭1‬

‭𝑑‬λ

−‭1‬

= ‭‬‭ℎ𝑐‬‭‬↔

‭𝑑λ‬
‭𝑑𝐸‬

‭1‬

= ‭‬ ‭ℎ𝑐‬

‭Eq.3.3.4‬

‭Como a área precisa ser preservada, da mesma forma que as equações 1.2.8 e 1.2.14‬
‭mostram, chegamos então nas equações 1.3.5 e 1.3.6, e assim chegamos na transformação‬
‭jacobiana da equação 3.3.7. Que relaciona os espectros em comprimento de onda em energia‬

−‭1‬

‭𝑓‬(λ )‭𝑑‬λ

−‭1‬

= ‭‬‭𝑓‬(‭𝐸‬)‭𝑑𝐸‬

‭Eq.3.3.5‬

‭61‬
−‭1‬

−‭1‬ ‭𝑑‬λ

‭Eq.3.3.6‬

−‭1‬

‭Eq.3.3.7‬

‭𝑓‬(‭𝐸‬)‭‬ = ‭‬‭𝑓‬(λ ) ‭𝑑𝐸‬
‭1‬

‭𝑓‬(‭𝐸‬)‭‬ = ‭‬‭𝑓‬(λ ) ‭ℎ𝑐‬

‭Utilizando‬ ‭a‬ ‭equação‬ ‭1.2.1,‬ ‭relacionada‬ ‭a‬ ‭razão‬ ‭de‬ ‭intensidades‬ ‭luminescentes,‬
‭chegamos‬‭a‬‭equação‬‭3.3.8,‬‭que‬‭mostra‬‭que‬‭a‬‭razão‬‭de‬‭intensidade‬‭é‬‭a‬‭mesma‬‭em‬‭energia‬‭ou‬
−‭1‬

‭em‬λ ‭.‬
−‭1‬ ‭1‬

‭𝐼‭1‬ ‬

‭𝑓‬(‭𝐸‬‭1)‬

‭𝑓(‬ λ‭1‬ ) ‭ℎ𝑐‬

‭2‬

‭2‬

‭𝑓(‬ λ‭2‬ ) ‭ℎ𝑐‬

‭𝑅‬‭‬ = ‭‬ ‭𝐼‬ ‭‬ = ‭‬ ‭𝑓‬(‭𝐸‬ ) ‭‬ =

−‭1‬ ‭1‬

−‭1‬

=

‭𝑓‬(λ‭1‬ )
−‭1‬

‭𝑓‬(λ‭2‬ )

‭Eq.3.3.8‬

‭‬

‭KALINICHEV‬‭et‬‭al‬‭(2023)‬‭[117]realizou‬‭suas‬‭análises‬‭de‬‭termometria‬‭em‬‭número‬‭de‬
‭onda,‬‭inclusive‬‭a‬‭separação‬‭dos‬‭níveis‬‭de‬‭energia.‬‭Porém,‬‭em‬‭uma‬‭medida‬‭Raman‬‭é‬‭avaliado‬
‭o‬ ‭espalhamento‬ ‭stokes‬ ‭e‬ ‭anti-stokes‬ ‭do‬ ‭material.‬ ‭Neste‬ ‭trabalho,‬ ‭o‬ ‭sinal‬ ‭luminescente‬ ‭do‬
‭neodímio‬‭ocorreu‬‭na‬‭região‬‭do‬‭espectro‬‭considerada‬‭espalhamento‬‭stokes.‬‭Então‬‭temos‬‭que‬‭a‬
‭conversão‬ ‭de‬ ‭deslocamento‬ ‭raman‬ ‭Stokes‬ ‭para‬ ‭energia‬ ‭é‬ ‭dado‬‭pela‬‭Equação‬‭3.3.9,‬‭onde‬‭no‬
‭nosso trabalho‬λ‭fonte‬ ‭= 785nm‬
−‭1‬

−‭1‬

‭Eq.3.3.9‬

‭𝐸‬‭‬ = ‭‬‭ℎ‬ * ‭𝑓‬‭‬ = ‭‬‭ℎ𝑐‬(λ‭𝑓𝑜𝑛𝑡𝑒‬‭‬ − λ‭𝑆𝑡𝑜𝑘𝑒𝑠‬)‭‬‭‬
−‭1‬

‭Como hc e‬λ‭𝑓𝑜𝑛𝑡𝑒‬‭‭s‬ ão constantes, teremos uma‬‭transformação da seguinte forma:‬
(‭𝑋‬, ‭𝐹‬(‭𝑋‬)) → (‭𝑋‬‭'‬, ‭𝐹‬(‭𝑋‬‭'‬)

‭Eq.3.3.10‬

‭F(X) = F(X´)‬

‭Eq.3.3.10‬

‭X’= B - X‬

‭Eq.3.3.11‬

‭É fácil ver que a integral da função é a mesma, por se tratar apenas de uma mudança‬
‭de variável.‬
‭Em relação a diferenciação, teremos o seguinte:‬
‭𝑑𝐹‬
‭ 𝐹‬ ‭𝑑𝑋‬
𝑑
= ‭𝑑𝑋‬ ‭𝑑𝑋‬‭'‬
‭ 𝑋‬‭'‬
𝑑

‭Eq. 3.3.12‬

‭62‬
‭Da equação 3.3.11 podemos tirar que:‬
‭𝑑𝑋‬
=− ‭1‬
‭ 𝑋‬‭'‬
𝑑

‭Eq. 3.3.13‬

‭De 3.3.12 e 3.3.13, obtemos que‬
‭𝑑𝐹‬
‭ 𝐹‬
𝑑
=− ‭𝑑𝑋‬
‭ 𝑋‬‭'‬
𝑑

‭Eq.3.3.14‬

‭Logo, a derivada muda de sinal, mas a estrutura de máximos e mínimos é preservada,‬
‭apenas refletida.‬
‭Também é fácil ver que a variação em X é a mesma em X’, então:‬
∆‭𝑋‬‭‬ = ‭‬∆‭𝑋‬‭'‬

‭Eq.3.3.15‬

‭Isso‬‭significa‬‭que‬‭a‬‭posição‬‭absoluta‬‭dos‬‭picos‬‭pode‬‭mudar,‬‭mas‬‭a‬‭distância‬‭entre‬‭eles‬
‭permanece‬ ‭inalterada.‬ ‭Portanto,‬ ‭a‬ ‭análise‬ ‭termométrica‬ ‭pode‬ ‭ser‬ ‭realizada‬ ‭a‬ ‭partir‬ ‭dos‬
‭espectros‬ ‭em‬ ‭deslocamento‬ ‭Raman,‬ ‭mesmo‬ ‭sendo‬ ‭uma‬ ‭abordagem‬ ‭menos‬‭comum.‬‭Pois,‬‭os‬
‭parâmetros‬ ‭fundamentais‬ ‭da‬ ‭análise,‬ ‭como‬ ‭as‬ ‭razões‬ ‭de‬ ‭intensidade‬ ‭entre‬ ‭os‬ ‭picos‬ ‭e‬ ‭o‬
‭espaçamento‬‭entre‬‭níveis‬‭energéticos,‬‭permanecem‬‭invariantes‬‭sob‬‭essa‬‭transformação‬‭linear.‬
‭Dessa‬ ‭forma,‬ ‭a‬ ‭extração‬ ‭de‬ ‭informações‬ ‭termométricas‬ ‭a‬ ‭partir‬ ‭desses‬ ‭espectros‬ ‭continua‬
‭válida e confiável.‬

‭4.3.1.‬

‭Termometria óptica Nd‬‭3+‬

‭A‬ ‭figura‬ ‭4.3.7‬ ‭apresenta‬ ‭a‬ ‭variação‬ ‭da‬‭posição‬‭do‬‭pico‬‭2‬‭em‬‭função‬‭da‬‭temperatura,‬
‭evidenciando‬ ‭um‬ ‭comportamento‬ ‭parabólico.‬ ‭Essa‬ ‭variação‬ ‭poderia‬ ‭ser‬ ‭utilizada‬ ‭como‬ ‭um‬
‭parâmetro‬ ‭termométrico.‬ ‭No‬ ‭entanto,‬ ‭a‬ ‭análise‬ ‭da‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭mostra‬ ‭que‬ ‭este‬
‭parâmetro‬ ‭possui‬ ‭valores‬ ‭muito‬ ‭baixos,‬ ‭apresentando‬ ‭uma‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭máxima‬‭de‬
‭apenas‬

‭0,006%K⁻¹.‬ ‭Outros‬ ‭deslocamentos‬ ‭de‬ ‭picos‬ ‭também‬ ‭foram‬ ‭avaliados‬ ‭e‬

‭comportamento semelhante foi observado (Apêndice 8.4).‬

‭63‬

‭Figura 4.3.7: Deslocamento do pico 2 (C2) em função da temperatura‬

‭A‬‭figura‬‭4.3.8‬‭exibe‬‭a‬‭razão‬‭entre‬‭as‬‭áreas‬‭6‬‭e‬‭7,‬‭ajustada‬‭por‬‭um‬‭modelo‬‭exponencial‬
‭em‬‭função‬‭da‬‭temperatura.‬‭A‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭desse‬‭parâmetro‬‭atinge‬‭aproximadamente‬
‭2,5%‬‭K⁻¹‬‭em‬‭22‬‭K.‬‭De‬‭modo‬‭semelhante,‬‭a‬‭figura‬‭4.3.9‬‭mostra‬‭a‬‭razão‬‭entre‬‭o‬‭pico‬‭2‬‭e‬‭a‬‭área‬
‭1,‬ ‭também‬ ‭ajustada‬ ‭exponencialmente,‬ ‭com‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭próxima‬ ‭de‬‭2,5%‬‭K⁻¹‬‭em‬
‭22‬ ‭K.‬ ‭Esses‬ ‭parâmetros‬ ‭apresentaram‬ ‭uma‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭mais‬ ‭significativa‬ ‭se‬
‭comparados aos mesmos parâmetros de razão entre áreas ou pico e área do Tb‬‭3+‬ ‭.‬

‭Figura 4.3.8: Razão entre a área 6 e a área 7‬

‭64‬

‭Figura 4.3.9: Razão entre o pico 2 e a área 1‬

‭As‬ ‭figuras‬ ‭4.3.10‬ ‭e‬ ‭4.3.11‬ ‭mostram‬ ‭a‬ ‭razão‬ ‭entre‬ ‭diferentes‬ ‭picos,‬ ‭ajustadas‬
‭exponencialmente‬ ‭em‬ ‭função‬ ‭da‬ ‭temperatura.‬ ‭O‬ ‭parâmetro‬ ‭P2/P3‬ ‭apresentou‬
‭sensibilidade‬‭relativa‬‭máxima‬‭de‬‭aproximadamente‬‭4%‬‭K⁻¹‬‭em‬‭22‬‭K,‬‭enquanto‬‭que‬‭o‬
‭parâmetro‬‭P6/P1‬‭atingiu‬‭um‬‭valor‬‭superior,‬‭próximo‬‭de‬‭7,4%‬‭K⁻¹‬‭em‬‭22‬‭K,‬‭superando‬
‭os resultados obtidos com a termometria baseada no térbio.‬

‭Figura 4.3.10: Razão entre o pico 6 e o pico 1.‬

‭65‬

‭Figura 4.3.11: Razão entre o pico 2 e o pico 3‬

‭Os‬ ‭gráficos‬ ‭apresentados‬ ‭nesta‬ ‭seção‬ ‭referem-se‬ ‭a‬ ‭alguns‬ ‭dos‬ ‭principais‬‭parâmetros‬
‭termométricos‬ ‭analisados,‬ ‭enquanto‬ ‭os‬ ‭demais‬ ‭resultados‬ ‭obtidos‬ ‭na‬ ‭espectroscopia‬‭Raman‬
‭estão‬‭disponíveis‬‭no‬‭apêndice‬‭8.4.‬‭Os‬‭dados‬‭indicam‬‭que‬‭o‬‭neodímio‬‭pode‬‭ser‬‭utilizado‬‭para‬
‭termometria‬ ‭óptica‬ ‭em‬ ‭baixas‬ ‭temperaturas‬ ‭na‬ ‭matriz‬ ‭YAG,‬ ‭em‬ ‭conjunto‬ ‭com‬ ‭o‬ ‭térbio.‬ ‭A‬
‭presença‬ ‭de‬ ‭traços‬ ‭de‬ ‭neodímio‬ ‭no‬ ‭YAG:Tb‬ ‭amplia‬ ‭as‬ ‭possibilidades‬ ‭de‬ ‭aplicação‬ ‭da‬
‭termometria‬‭óptica,‬‭permitindo‬‭o‬‭uso‬‭de‬‭diferentes‬‭comprimentos‬‭de‬‭onda‬‭de‬‭excitação.‬‭Neste‬
‭estudo,‬ ‭foram‬ ‭utilizados‬ ‭375‬ ‭nm‬ ‭para‬ ‭a‬ ‭emissão‬ ‭do‬ ‭térbio‬ ‭e‬ ‭785‬ ‭nm‬ ‭para‬ ‭a‬ ‭espectroscopia‬
‭Raman, que revelou a emissão do neodímio.‬
‭A‬‭tabela‬‭4.3.2‬‭apresenta‬‭um‬‭resumo‬‭dos‬‭resultados‬‭obtidos,‬‭contendo‬‭as‬‭sensibilidades‬
‭relativas‬ ‭máximas‬ ‭dos‬ ‭diferentes‬ ‭parâmetros‬ ‭termométricos,‬ ‭todas‬ ‭determinadas‬ ‭a‬ ‭22‬ ‭K,‬
‭exceto‬ ‭para‬ ‭os‬ ‭parâmetros‬ ‭relacionados‬ ‭ao‬ ‭deslocamento‬ ‭dos‬ ‭picos,‬ ‭cujo‬ ‭valor‬ ‭máximo‬ ‭foi‬
‭atingido‬‭em‬‭320‬‭K.‬‭Observa-se‬‭que‬‭20‬‭parâmetros‬‭possuem‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭superior‬‭a‬
‭1%,‬‭sendo‬‭que‬‭19‬‭deles‬‭ultrapassam‬‭2%,‬‭o‬‭que‬‭demonstra‬‭que‬‭o‬‭termômetro‬‭pode‬‭operar‬‭em‬
‭diferentes regimes de temperatura.‬

‭66‬
‭Tabela 4.3.2: Resumo dos resultados obtidos para cada parâmetro do rastro de Nd‬‭3+‬

‭Parâmetro termométrico‬

‭ ensibilidade‬
S
‭relativa‬ ‭Intervalo‬ ‭ótimo‬‭de‬‭temperatura‬
‭Máxima (% K‬‭-1‬‭)‬
‭(acima de 0.5 % K‬‭-1‬‭)‬

‭P5/P1‬

‭7,5‬

‭20 - 80K‬

‭P6/P1‬

‭7,4‬

‭20 - 80K‬

‭P2/P3‬

‭4,2‬

‭20 - 120K‬

‭A5/A7‬

‭2,8‬

‭20 - 140K‬

‭P4/A7‬

‭2,8‬

‭20 - 140K‬

‭P4/A1‬

‭2,7‬

‭20 - 160K‬

‭P7/A1‬

‭2,7‬

‭20 - 160K‬

‭P6/A1‬

‭2,7‬

‭20 - 180K‬

‭P5/A1‬

‭2,7‬

‭20 - 180K‬

‭P7/A7‬

‭2,7‬

‭20 - 160K‬

‭P2/A1‬

‭2,6‬

‭20 - 180K‬

‭P6/A7‬

‭2,6‬

‭20 - 180K‬

‭A6/A7‬

‭2,6‬

‭20 - 160K‬

‭P5/A7‬

‭2,6‬

‭20 - 160K‬

‭P2/A7‬

‭2,5‬

‭20 - 180K‬

‭A4/A7‬

‭2,5‬

‭20 - 140K‬

‭A3/A7‬

‭2,5‬

‭20 - 140K‬

‭A2/A7‬

‭2,3‬

‭20 - 140K‬

‭P7/P1‬

‭1,4‬

‭20 - 80K‬

‭A3/P6‬

‭0,7‬

‭***‬

‭A3/P5‬

‭0,6‬

‭***‬

‭C2‬

‭5,5E-3‬

‭***‬

‭C6‬

‭4,1E-3‬

‭***‬

‭C1‬

‭2,8E-3‬

‭***‬

‭67‬
‭A‬ ‭Tabela‬ ‭4.3.3‬ ‭apresenta‬ ‭uma‬ ‭comparação‬ ‭entre‬ ‭os‬ ‭resultados‬ ‭deste‬ ‭estudo‬ ‭e‬ ‭os‬
‭encontrados‬‭na‬‭literatura‬‭para‬‭termometria‬‭óptica‬‭utilizando‬‭Nd‬‭3+‬‭,‬‭considerando‬‭intervalos‬‭de‬
‭temperatura‬ ‭compatíveis‬ ‭com‬ ‭os‬ ‭analisados‬ ‭neste‬ ‭trabalho.‬ ‭Observa-se‬ ‭que‬ ‭os‬ ‭valores‬ ‭de‬
‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭máxima‬ ‭obtidos‬ ‭estão‬ ‭dentro‬ ‭do‬‭regime‬‭relatado‬‭na‬‭literatura,‬‭ficando‬
‭abaixo‬ ‭apenas‬ ‭do‬ ‭termômetro‬ ‭reportado‬ ‭por‬ ‭KALINICHEV‬ ‭et‬ ‭al.‬ ‭(2023)‬ ‭[117],‬ ‭que‬
‭investigaram um termômetro baseado no modelo de Boltzmann.‬
‭Tabela 4.3.3: Comparação entre trabalhos de termometria óptica operando em baixas temperaturas e‬
‭que utilizam Nd‬‭3+‬

‭Parâmetro‬
‭Dopantes‬

‭Material‬

‭Óptico‬

‭ΔT [K]‬ ‭Sm [% K⁻¹]‬

‭Tm [K]‬

‭Rastros de‬
‭3+‬

‭Nd‬

‭Ref.‬
‭Este‬

‭YAG:Tb‬

‭LIR (Picos)‬

‭20 - 320‬

‭7,5‬

‭22‬

‭Trabalho‬

‭YAG:Tb‬

‭LIR (Áreas)‬

‭20 - 320‬

‭2,8‬

‭22‬

‭Este trabalho‬

‭YAG:Tb‬

‭Pico/Área‬

‭20 - 320‬

‭2,8‬

‭22‬

‭Este trabalho‬

‭FIR‬

‭30–600‬

‭1,58‬

‭300‬

‭[118]‬

‭FIR‬

‭30–600‬

‭0,18‬

‭300‬

‭[118]‬

‭123–398‬

‭0,54‬

‭123‬

‭[119]‬

‭Tempo de vida‬ ‭77–248‬

‭4,46‬

‭198‬

‭[120]‬

‭20 - 250‬

‭14,14‬

‭20‬

‭[117]‬

‭125–450‬

‭2,5‬

‭365‬

‭[121]‬

‭123–573‬

‭1,30‬

‭123‬

‭[122]‬

‭123–573‬

‭1,47‬

‭123‬

‭[123]‬

‭Tempo de vida‬ ‭80–260‬

‭0,56‬

‭148‬

‭[124]‬

‭Rastros de‬
‭Nd‬‭3+‬
‭Rastros de‬
‭Nd‬‭3+‬

‭La₂O₂S‬
‭Nd³⁺‬

‭(P)‬
‭La₂O₂S‬

‭Nd³⁺‬

‭(P)‬

‭Duas‬
‭Nd‬‭3+‬

‭YVO₄:Nd³⁺ (NPs)‬

‭Nd‬‭3+‬

‭Ba2MgWO6‬

‭Nd‬‭3+‬

‭LuVO‬‭4‬‭:Nd‬

‭intensidades‬

‭LIR‬
‭Duas‬

‭Yb³⁺/Nd³‬

‭NaYF₄:Yb³⁺/Nd³⁺‬

‭intensidades‬
‭LIR, Bandas‬

‭Cr³⁺ (Nd³⁺)‬

‭Gd₃Al₅₋ₓGaₓO₁₂‬

‭Cr³⁺/Nd³⁺‬
‭LIR, Bandas‬

‭Cr³⁺ (Nd³⁺)‬

‭La₂LuGa₃O₁₂‬

‭Nd‬‭3+‬‭, Yb‬‭3+‬

‭YF3‬

‭Nd³⁺/Cr³⁺‬

‭68‬
‭Além‬ ‭disso,‬ ‭ao‬ ‭analisar‬ ‭as‬ ‭tabelas‬ ‭4.2.2‬ ‭e‬ ‭4.2.3,‬ ‭verifica-se‬ ‭que‬ ‭os‬ ‭valores‬ ‭obtidos‬
‭neste‬ ‭estudo‬ ‭são‬ ‭compatíveis‬ ‭com‬ ‭aqueles‬ ‭encontrados‬ ‭por‬ ‭outros‬ ‭autores‬ ‭que‬ ‭utilizaram‬
‭diferentes‬ ‭íons‬ ‭de‬ ‭terras‬ ‭raras‬ ‭em‬ ‭termometria‬ ‭óptica.‬ ‭Isso‬ ‭reforça‬ ‭a‬ ‭confiabilidade‬ ‭dos‬
‭parâmetros determinados e a viabilidade do Nd‬‭3+‬‭como‬‭sonda termométrica na matriz YAG.‬
‭4.3.2.‬

‭Conclusões parciais‬

‭A‬‭espectroscopia‬‭Raman‬‭em‬‭diferentes‬‭temperaturas‬‭revelou‬‭a‬‭presença‬‭de‬‭neodímio‬
‭como‬ ‭impureza,‬ ‭por‬ ‭meio‬ ‭da‬ ‭detecção‬ ‭de‬ ‭um‬ ‭sinal‬ ‭luminescente,‬ ‭em‬ ‭concordância‬ ‭com‬ ‭o‬
‭estudo‬‭de‬‭DEWO‬‭et‬‭al.‬‭(2021)‬‭[114]‬‭.‬‭A‬‭partir‬‭desse‬‭sinal,‬‭foi‬‭possível‬‭caracterizar‬‭o‬‭espectro‬
‭de fotoluminescência do Nd³⁺ e analisar suas variações com a temperatura.‬
‭A‬ ‭análise‬ ‭termométrica‬ ‭baseada‬ ‭no‬ ‭sinal‬‭luminescente‬‭detectado‬‭no‬‭espectro‬‭Raman‬
‭envolveu‬ ‭a‬ ‭avaliação‬ ‭do‬ ‭deslocamento‬ ‭dos‬ ‭picos,‬ ‭razões‬ ‭entre‬ ‭picos,‬ ‭razões‬ ‭entre‬ ‭áreas‬ ‭e‬
‭razões‬‭picos-áreas.‬‭A‬‭partir‬‭dessas‬‭razões,‬‭foi‬‭identificado‬‭um‬‭termômetro‬‭secundário,‬‭com‬‭a‬
‭maioria‬‭dos‬‭parâmetros‬‭apresentando‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭superior‬‭a‬‭2%‬‭K⁻¹.‬‭Além‬‭disso,‬‭a‬
‭razão entre as áreas permitiu a obtenção de um termômetro do tipo não Boltzmann.‬
‭Não‬ ‭foi‬ ‭possível‬ ‭fazer‬ ‭um‬ ‭ajuste‬ ‭que‬ ‭seguisse‬ ‭a‬ ‭distribuição‬ ‭de‬ ‭boltzmann.‬ ‭A‬
‭linearização‬ ‭dos‬ ‭gráficos‬ ‭(Apêndice‬ ‭8.5)‬ ‭também‬ ‭mostrou‬ ‭que‬ ‭nossos‬ ‭dados‬ ‭não‬ ‭seguem‬ ‭a‬
‭distribuição‬ ‭de‬‭Boltzmann,‬‭por‬‭ser‬‭obtido‬‭um‬‭coeficiente‬‭angular‬‭diferente‬‭do‬‭esperado‬‭pela‬
‭equação 2.2.3. Portanto nosso termômetro é do tipo não boltzmann.‬
‭Por‬ ‭fim,‬ ‭a‬ ‭comparação‬ ‭com‬ ‭a‬ ‭literatura‬ ‭mostrou‬ ‭que‬ ‭os‬ ‭valores‬ ‭de‬ ‭sensibilidade‬
‭obtidos‬‭para‬‭o‬‭Nd³⁺‬‭em‬‭baixas‬‭temperaturas‬‭são‬‭competitivos‬‭e‬‭próximos‬‭aos‬‭reportados‬‭para‬
‭outros‬ ‭dopantes.‬ ‭Dessa‬ ‭forma,‬ ‭a‬ ‭presença‬ ‭de‬ ‭um‬ ‭pequeno‬ ‭rastro‬ ‭de‬ ‭neodímio‬ ‭amplia‬ ‭as‬
‭possibilidades de aplicação do YAG:Tb na termometria luminescente.‬

‭69‬
‭5.‬‭Conclusão‬
‭Neste‬‭trabalho,‬‭foram‬‭realizados‬‭experimentos‬‭de‬‭fotoluminescência‬‭e‬‭espectroscopia‬
‭Raman‬‭em‬‭diferentes‬‭temperaturas,‬‭com‬‭foco‬‭principal‬‭na‬‭faixa‬‭de‬‭baixa‬‭temperatura‬‭entre‬‭20‬
‭e‬ ‭320‬ ‭K,‬ ‭visando‬ ‭a‬ ‭investigação‬ ‭das‬ ‭propriedades‬ ‭ópticas‬ ‭do‬ ‭YAG:Tb‬ ‭e‬ ‭sua‬ ‭aplicação‬ ‭na‬
‭termometria‬ ‭luminescente.‬ ‭Os‬ ‭espectros‬ ‭de‬ ‭fotoluminescência‬ ‭revelaram‬ ‭alterações‬
‭características‬ ‭com‬ ‭a‬ ‭variação‬ ‭térmica,‬ ‭incluindo‬ ‭alargamento‬ ‭das‬ ‭bandas,‬ ‭variação‬ ‭na‬
‭intensidade‬‭de‬‭emissão‬‭e‬‭mudanças‬‭na‬‭proporção‬‭entre‬‭os‬‭picos.‬‭Observou-se‬‭o‬‭fenômeno‬‭de‬
‭quenching‬‭térmico‬‭para‬‭as‬‭amostras‬‭de‬‭0,5‬‭e‬‭1%‬‭de‬‭Tb‬‭3+‬‭,‬‭enquanto‬‭a‬‭amostra‬‭com‬‭2%‬‭de‬‭Tb‬
‭apresentou‬ ‭um‬ ‭comportamento‬ ‭de‬ ‭quenching‬ ‭térmico‬ ‭inverso‬ ‭a‬‭partir‬‭de‬‭80‬‭K,‬‭atribuído‬‭ao‬
‭processo de relaxação cruzada que ocorre em altas concentrações.‬
‭Além‬ ‭disso,‬‭foi‬‭explorada‬‭a‬‭viabilidade‬‭da‬‭termometria‬‭óptica‬‭baseada‬‭em‬‭diferentes‬
‭parâmetros‬ ‭espectrais,‬ ‭incluindo‬ ‭razões‬‭entre‬‭picos,‬‭razões‬‭entre‬‭áreas‬‭e‬‭razões‬‭combinadas.‬
‭Entre‬ ‭os‬ ‭nove‬ ‭parâmetros‬ ‭selecionados,‬ ‭destacou-se‬ ‭a‬ ‭razão‬ ‭entre‬ ‭os‬ ‭picos‬ ‭12‬ ‭e‬ ‭13,‬ ‭que‬
‭apresentou‬‭uma‬‭sensibilidade‬‭relativa‬‭máxima‬‭de‬‭4,7,‬‭2,9‬‭e‬‭4,6%‬‭K⁻¹,‬‭para‬‭as‬‭concentrações‬
‭de‬ ‭0,5,‬ ‭1‬ ‭e‬‭2%‬‭de‬‭Tb,‬‭respectivamente.‬‭Comparações‬‭com‬‭a‬‭literatura‬‭demonstraram‬‭que‬‭os‬
‭valores‬ ‭obtidos‬ ‭estão‬ ‭dentro‬ ‭da‬ ‭faixa‬ ‭reportada,‬ ‭indicando‬ ‭a‬ ‭competitividade‬ ‭do‬ ‭YAG:Tb‬
‭como material para termometria óptica em baixas temperaturas.‬
‭A‬ ‭espectroscopia‬ ‭Raman‬ ‭revelou‬ ‭a‬ ‭presença‬ ‭de‬ ‭contaminação‬ ‭por‬ ‭neodímio‬ ‭na‬
‭amostra,‬ ‭possibilitando‬ ‭a‬ ‭análise‬ ‭de‬ ‭sua‬ ‭resposta‬ ‭espectral‬ ‭e‬ ‭sua‬ ‭aplicação‬ ‭na‬ ‭termometria‬
‭luminescente.‬‭Foram‬‭investigados‬‭diversos‬‭parâmetros‬‭espectrais,‬‭incluindo‬‭deslocamento‬‭de‬
‭picos‬ ‭e‬ ‭razões‬ ‭espectrais,‬ ‭permitindo‬ ‭a‬ ‭identificação‬ ‭de‬‭um‬‭termômetro‬‭óptico‬‭funcional‬‭na‬
‭faixa‬ ‭de‬ ‭baixas‬ ‭temperaturas‬ ‭baseado‬ ‭no‬ ‭Nd³⁺.‬ ‭Entre‬ ‭os‬ ‭24‬ ‭parâmetros‬ ‭analisados,‬ ‭aqueles‬
‭com‬ ‭maior‬ ‭sensibilidade‬ ‭relativa‬ ‭atingiram‬ ‭7,5‬‭%K⁻¹‬‭para‬‭um‬‭par‬‭de‬‭níveis‬‭de‬‭energia‬‭mais‬
‭distantes‬‭e‬‭4,2‬‭%K⁻¹‬‭para‬‭níveis‬‭mais‬‭próximos,‬‭ambos‬‭a‬‭22‬‭K.‬‭Esses‬‭resultados‬‭indicam‬‭que,‬
‭apesar‬ ‭de‬ ‭sua‬ ‭presença‬ ‭ser‬‭inesperada,‬‭o‬‭neodímio‬‭amplia‬‭as‬‭possibilidades‬‭de‬‭aplicação‬‭do‬
‭YAG:Tb na termometria óptica de baixa temperatura.‬
‭A‬‭análise‬‭das‬‭razões‬‭globais‬‭indicou‬‭que‬‭a‬‭sensibilidade‬‭do‬‭termômetro‬‭óptico‬‭é‬‭mais‬
‭expressiva‬‭na‬‭faixa‬‭de‬‭20‬‭K‬‭a‬‭140‬‭K,‬‭reforçando‬‭seu‬‭potencial‬‭para‬‭aplicações‬‭em‬‭ambientes‬
‭criogênicos‬ ‭ou‬ ‭abaixo‬ ‭da‬ ‭temperatura‬ ‭ambiente.‬ ‭Adicionalmente,‬ ‭a‬ ‭introdução‬ ‭da‬ ‭razão‬
‭pico/área‬‭como‬‭parâmetro‬‭termométrico‬‭demonstrou-se‬‭promissora,‬‭ampliando‬‭as‬‭estratégias‬
‭de detecção e análise térmica nesse regime.‬
‭Dessa‬ ‭forma,‬ ‭os‬ ‭resultados‬ ‭obtidos‬ ‭confirmam‬ ‭que‬ ‭o‬ ‭YAG:Tb‬ ‭é‬ ‭um‬ ‭material‬
‭promissor‬ ‭para‬ ‭termometria‬ ‭óptica‬ ‭em‬ ‭baixas‬ ‭temperaturas,‬ ‭com‬ ‭parâmetros‬ ‭espectrais‬ ‭que‬

‭70‬
‭garantem‬‭boa‬‭sensibilidade‬‭relativa.‬‭Além‬‭disso,‬‭a‬‭presença‬‭de‬‭traços‬‭de‬‭neodímio‬‭mostrou-se‬
‭uma‬ ‭alternativa‬ ‭viável‬ ‭para‬ ‭ampliar‬ ‭as‬ ‭aplicações‬ ‭da‬ ‭termometria‬‭luminescente,‬‭oferecendo‬
‭novos‬‭caminhos‬‭para‬‭o‬‭desenvolvimento‬‭de‬‭sensores‬‭ópticos‬‭de‬‭alta‬‭precisão‬‭voltados‬‭para‬‭a‬
‭faixa de temperatura abaixo da ambiente.‬
‭6.‬

‭Perspectivas futuras‬
‭●‬ ‭Aplicação de machine learning, para estimar a temperatura em tempo real‬
‭●‬ ‭Avaliação de termometria com outros dopantes, usando a matriz YAG‬
‭●‬ ‭Avaliar‬‭concentrações‬‭maiores‬‭de‬‭térbio,‬‭para‬‭avaliar‬‭a‬‭influência‬‭da‬‭concentração‬‭na‬
‭fotoluminescência e o efeito de anti-quenching térmico em baixas temperaturas.‬
‭●‬ ‭Avaliação de termometria em temperaturas acima da ambiente‬
‭●‬ ‭Avaliar o efeito da radiação ionizante na luminescência e na termometria‬

‭71‬

‭7.‬
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‭E.Y.‬‭Effect‬‭of‬‭doping‬‭concentration‬‭on‬‭dual-mode‬‭LaVO4:Eu3+‬‭luminescence‬‭thermometers.‬
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‭K. J. Alloys Compd. 2022, 911, 165013.‬
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‭upconversion‬ ‭nanoprobe‬ ‭enables‬ ‭broad-range‬ ‭thermometry‬ ‭from‬ ‭cryogenic‬ ‭to‬ ‭room‬
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‭scattering‬ ‭investigation‬ ‭of‬ ‭Yb‬ ‭:YAG‬ ‭crystals‬ ‭grown‬ ‭by‬ ‭the‬ ‭Czochralski‬ ‭method,‬ ‭J.‬ ‭Raman‬
‭Spectrosc 34 (2003) 882–885.‬
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‭sensitive‬ ‭luminescent‬ ‭nanothermometers‬ ‭based‬ ‭on‬ ‭Cr3+,‬ ‭Nd3+‬ ‭co-doped‬ ‭La3‬ ‭xLuxAl5‬
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‭photoluminescent efficiency of Eu3+-activated oxides J. Chem. Phys. 45 2356–60‬

‭86‬
‭8.‬

‭Apêndices‬
‭8.1.‬

‭Fotoluminescência‬
‭8.1.1.‬

‭Espectros em energia‬

‭Figura 8.1.1: Espectro de emissão, em energia, do YAG:Tb em várias temperaturas.‬
‭a) 2% Tb; b) 1% ; C) 0.5% .‬

‭87‬

‭Figura 8.1.2: Espectros de emissão, em energia, do YAG:Tb de diferentes‬
‭concentrações. a) 2% Tb; b) 1% Tb; c) 0.5% Tb‬

‭Figura 8.1.3: Espectros de emissão normalizados, em energia, normalizados pelo pico.‬

‭88‬
‭8.1.2.‬

‭Evolução das áreas de emissão de cada transição eletrônica‬

‬
‭Figura 8.1.4: Evolução da área total de emissão da transição‬‭5‭D
‬‭4‬ ‭-‬‭7‬‭F‬‭3‬‭em função da‬

‭temperatura‬

‭89‬

‬
‭Figura 8.1.5: Evolução da área total de emissão da transição‬‭5‭D
‬‭4‬ ‭-‬‭7‬‭F‬‭4‬‭em função da‬

‭temperatura‬

‭90‬

‬
‭Figura 8.1.6: Evolução da área total de emissão da transição‬‭5‭D
‬‭4‬ ‭-‬‭7‬‭F‬‭5‬‭em função da‬

‭temperatura‬

‭91‬

‬
‭Figura 8.1.7: Evolução da área total de emissão da transição‬‭5‭D
‬‭4‬ ‭-‬‭7‬‭F‬‭6‬‭em função da‬

‭temperatura‬

‭92‬
‭8.2.‬

‭Evolução‬‭dos‬‭espectros‬‭de‬‭emissão‬‭(‬‭normalizados‬‭pelo‬‭pico‬‭máximo)‬‭com‬
‭a temperatura‬

‭Figura 8.2.1: Evolução do espectro de emissão em função da temperatura na transição‬‭5‬‭D‭4‬ ‬ ‭-‬
‭7‬

‭F‭3‬ ‬ ‭e identificação dos parâmetros analisados nessa‬‭transição.‬

‭93‬

‭Figura 8.2.2: Evolução do espectro de emissão em função da temperatura na transição‬
‭5‬

‭D‬‭4‬ ‭-‬‭7‬‭F‬‭4‬ ‭e identificação dos parâmetros analisados‬‭nessa transição.‬

‭94‬

‭Figura 8.2.3: Evolução do espectro de emissão em função da temperatura na transição‬‭5‬‭D‭4‬ ‬ ‭-‬
‭7‬

‭F‭5‬ ‬ ‭e identificação dos parâmetros analisados nessa‬‭transição.‬

‭95‬

‭Figura 8.2.4: Evolução do espectro de emissão em função da temperatura na transição‬
‭5‬

‭D‬‭4‬ ‭-‬‭7‬‭F‬‭6‬ ‭e identificação dos parâmetros analisados‬‭nessa transição.‬

‭96‬
‭8.3.‬

‭Gráficos‬ ‭da‬ ‭razão‬ ‭entre‬ ‭os‬‭picos‬‭e‬‭sensibilidade‬‭relativa,‬‭relacionados‬‭ao‬
‭pico 12‬

‭Figura 8.3.1: Razão entre os picos 12 e 5 e sua respectiva sensibilidade relativa‬

‭97‬

‭Figura 8.3.2: Razão entre os picos 12 e 15 e sua respectiva sensibilidade relativa‬

‭98‬

‭Figura 8.3.3: Razão entre os picos 12 e 16 e sua respectiva sensibilidade relativa‬

‭99‬

‭Figura 8.3.4: Razão entre os picos 12 e 18 e sua respectiva sensibilidade relativa‬

‭100‬

‭Figura 8.3.5 : Razão entre os picos 12 e 21 e sua respectiva sensibilidade relativa‬

‭101‬

‭Figura 8.3.6 : Razão entre os picos 12 e 24 e sua respectiva sensibilidade relativa‬

‭102‬

‭Figura 8.3.7 : Razão entre os picos 12 e 29 e sua respectiva sensibilidade relativa‬

‭103‬
‭8.4.‬

‭Parâmetros termométricos e sensibilidades relativas do neodímio‬

‭Figura 8.4.1: Deslocamento do pico 1 (C1) em função da temperatura e a respectiva‬
‭sensibilidade relativa‬

‭Figura 8.4.2: Deslocamento do pico 6(C6) em função da temperatura‬

‭104‬

‭Figura 8.4.3: Razão entre a área 2 e a área 7‬

‭Figura 8.4.4: Razão entre a área 3 e a área 7‬

‭105‬

‭Figura 8.4.5: Razão entre a área 4 e a área 7‬

‭Figura 8.4.6: Razão entre a área 5 e a área 7‬

‭106‬

‭Figura 8.4.7: Razão entre o pico 4 e a área 1‬

‭Figura 8.4.8: Razão entre o pico 4 e a área 7‬

‭107‬

‭Figura 8.4.9: Razão entre o pico 5 e a área 1‬

‭Figura 8.4.10: Razão entre a área 3 e o pico 5.‬

‭108‬

‭Figura 8.4.11: Razão entre o pico 5 e a área 7.‬

‭Figura 8.4.12: Razão entre o pico 6 e a área 1‬

‭109‬

‭Figura 8.4.13: Razão entre a área 3 e o pico 6‬

‭Figura 8.4.14: Razão entre o pico 6 e a área 7‬

‭110‬

‭Figura 8.4.15: Razão entre o pico 7 e a área 1‬

‭Figura 8.4.16: Razão entre o pico 7 e a área 7‬

‭111‬

‭Figura 8.4.17: Razão entre o pico 2 e a área 7‬

‭Figura 8.4.18: Razão entre o pico 5 e o pico 1‬

‭112‬

‭Figura 8.4.19: Razão entre o pico 7 e o pico 1‬
‭8.5.‬

‭Linearização‬ ‭dos‬ ‭gráficos‬ ‭relativos‬ ‭ao‬ ‭neodímio‬ ‭para‬ ‭buscar‬ ‭um‬
‭termômetro de Boltzmann‬
‭Nesta‬ ‭seção,‬ ‭são‬ ‭avaliados‬ ‭os‬ ‭parâmetros‬ ‭termométricos‬ ‭em‬ ‭função‬ ‭da‬

‭temperatura,‬ ‭com‬ ‭a‬ ‭linearização‬ ‭de‬ ‭alguns‬ ‭deles‬ ‭utilizando‬ ‭a‬ ‭equação‬ ‭2.2.3.‬ ‭A‬ ‭partir‬ ‭dessa‬
‭abordagem,‬ ‭observa-se‬ ‭que,‬ ‭em‬‭determinadas‬‭faixas‬‭de‬‭temperatura,‬‭os‬‭gráficos‬‭apresentam‬
‭um‬‭comportamento‬‭linear,‬‭com‬‭destaque‬‭para‬‭o‬‭parâmetro‬‭termométrico‬‭P6/P1‬‭(Figura‬‭7.5.2),‬
‭que‬‭apresenta‬‭comportamento‬‭linear‬‭em‬‭quase‬‭todo‬‭seu‬‭intervalo‬‭de‬‭temperatura‬‭(40‬‭-‬‭320K).‬
‭Mesmo‬‭assim,‬‭os‬‭valores‬‭dos‬‭coeficientes‬‭angulares‬‭divergem‬‭do‬‭esperado‬‭para‬‭a‬‭distribuição‬
‭de‬‭Boltzmann,‬‭conforme‬‭mostra‬‭a‬‭tabela‬‭7.5.1.‬‭Além‬‭de‬‭um‬‭sinal‬‭oposto‬‭ao‬‭esperado,‬‭como‬‭é‬
‭o caso dos parâmetros termométricos P5/P1, P6/P1, P7/P1.‬

‭113‬

‭Figura 8.5.1: linearização do Parâmetro P5/P1, plotado em um gráfico do tipo: ln(R) x‬
‭1000/T, onde R é o parâmetro termométrico analisado.‬

‭Figura 8.5.2: linearização do Parâmetro P6/P1, plotado em um gráfico do tipo: ln(R) x‬
‭1000/T, onde R é o parâmetro termométrico analisado.‬

‭114‬

‭Figura 8.5.3: linearização do Parâmetro A6/A7, plotado em um gráfico do tipo ln(R) x‬
‭1000/T, onde R é o parâmetro termométrico analisado.‬

‭Figura 8.5.4: linearização do Parâmetro P7/P1, plotado em um gráfico do tipo: ln(R) x‬
‭1000/T, onde R é o parâmetro termométrico analisado.‬

‭115‬

‭Figura 8.5.5: linearização do Parâmetro P2/P3, plotado em um gráfico do tipo ln(R) x‬
‭1000/T, onde R é o parâmetro termométrico analisado.‬
‭Tabela 8.5.1: Comparação dos resultados obtidos com a distribuição de Boltzmann‬
‭Parâmetro‬
‭termométrico‬

‭Valores das inclinações‬

‭Diferença de energia (cm-1)‬

‭1000*K‬‭B‬‭*a‬

‭Erro‬ ‭Erro%‬

‭A6/A7‬

‭0,10035‬

‭71,06‬

‭144,39‬

‭3,33‬

‭0,79‬

‭P5/P1‬

‭0,10625‬

‭218,44‬

‭152,88‬

‭5,56‬

‭2,89‬

‭P6/P1‬

‭0,1173‬

‭285,09‬

‭168,78‬

‭16,31‬

‭8,92‬

‭P7/P1‬

‭0,10782‬

‭395,76‬

‭155,14‬

‭40,62‬ ‭55,10‬

‭P2/P3‬

‭0,12252‬

‭47,76‬

‭176,29‬

‭28,53‬

‭2,91‬